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17/09/2012
Vacinação contra raiva em gado, realizada do Estado do Mato Grosso, no ano passado Médico veterinário da Hospital-Escola da Fafram fala sobre a doença e suas graves conseqüências
Considerada uma das zoonoses de maior preocupantes na Saúde Pública, a raiva – também chamada de hidrofobia – é uma doença extremamente grave, quase sempre fatal para animais como cães, gatos, morcegos, bem como ao homem.
Nas últimas décadas, apesar do número de casos de raiva em pessoas ter diminuído drasticamente, eles ainda são registrados, principalmente em crianças. “Há formas de controlar e até eliminar a raiva das comunidades: vacinando os cachorros e gatos todos os anos, e caso a pessoa seja agredida por animais contaminados ou tiveram contato com morcegos, procurar imediatamente um Posto de Saúde,” orienta o veterinário Edmilson Rodrigo Danese, do Hospital-Escola mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).
Segundo ele, o trabalho de conscientização realizado no campo é muito importante. “Levar informações às pessoas que moram no campo é fundamental, pois intensifica a importância do combate a esta doença, facilitando sua prevenção”, afirmou o veterinário, que participa do Programa de Aprimoramento, oferecido pela faculdade.
“A raiva é uma doença muito séria, mas com determinação poderemos combatê-la, e assim estamos ajudando a construir um ambiente saudável para todos nós, na comunidade e no país”, finalizou Danese.
Raiva é uma das zoonoses mais antigas e graves
A raiva é uma zoonose considerada extremamente fatal. É uma doença que acomete, principalmente, cães, gatos, morcegos e carnívoros selvagens. É causada por um vírus do gênero Lyssavirus em que todas as espécies de animais de sangue quente são susceptíveis à infecção, embora haja diferenças em termos de susceptibilidade.
O vírus pode migrar para o Sistema Nervoso Central e glândulas salivares, assim como a maioria dos tecidos dos animais infectados. Na natureza, é transmitida de animal para animal através de mordida de um animal doente, que introduz o vírus carreado pela saliva.
No homem, a principal forma de transmissão da doença se dá pela mordida de um animal infectado, geralmente morcego, cão ou gato. A evolução, tanto nos animais quanto no homem, se dá de forma rápida. Os sintomas neurológicos são, por exemplo, incoordenação motora, ataxia, agressividade, entre outros. Após passar o período de incubação e iniciados os sinais clínicos, não há tratamento e a doença é invariavelmente fatal.
Doença se manifesta até três meses após contato com animal infectado
O período de incubação da doença (intervalo entre a exposição ao vírus e o início da doença) é em média de 1 a 3 meses, nunca sendo menos de 3 semanas e podendo ir raramente até dois anos.
O vírus da raiva multiplica-se inicialmente de forma localizada no músculo ou tecido conjuntivo onde foi introduzido pela mordida ou arranhadela. Ele se alastra rapidamente através dos nervos periféricos ao resto do organismo, atingindo glândulas salivares – o que possibilita a excreção viral na saliva de animais com a doença –, fígado, músculos, pele, glândulas supra-renais e o coração.
Os danos causados pela doença ocorrem devido à grave encefalite (inflamação no cérebro) que ocorre drasticamente. A raiva tem a maior taxa de mortalidade de casos de todas as doenças infecciosas, superando outros vírus temidos como o HBV, HCV, HIV, Ebola e os agentes da dengue e febre-amarela.
Não há tratamento estabelecido para a raiva. Até o momento, todas as terapias antivirais falharam, assim como o uso de cetamina e indução de coma terapêutico. Trata-se de uma doença quase sempre fatal. Apenas 6 casos de sobreviventes (após infecção sintomática) foram documentados – ainda que destes, 5 já eram vacinados antes da inoculação do vírus.
Sintomas
Na fase inicial há apenas dor ou comichão no local da mordida, náuseas, vômitos e mal estar moderado ("mau humor"). Na fase excitativa que se segue, surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe com dores excruciantes na deglutição, mesmo que de água.
O indivíduo ganha por essa razão um medo irracional e intenso ao líquido, chamado de hidrofobia (por isso também conhecida por este nome). Logo que surge a hidrofobia, a morte já é certa.
Outros sintomas são episódios de hostilidade violenta (raiva), tentativas de morder e bater nos outros e gritos, alucinações, insônia, ansiedade extrema, provocados por estímulos aleatórios visuais ou acústicos. O doente está plenamente consciente durante toda a progressão.
A morte se segue na maioria dos casos depois de quatro dias. Numa minoria de casos, após esses quatro dias surge antes uma terceira fase de sintomas, com paralisia muscular, asfixia e morte mais arrastada.
A morte é certa em quase todos os casos. Em todo o mundo, somente 3 casos da doença tiveram um desfecho positivo, ou parcialmente positivo: um nos Estados Unidos, outro na Colômbia e o terceiro e mais recente no nordeste do Brasil, sendo que os pacientes eram adolescentes entre 8 e 16 anos
Tratamento
A raiva pode ser prevenida vacinando os animais domésticos com outro tipo de vacina. A vacina para humanos pode em casos raros resultar em meningoencefalite alérgica moderada, logo ela só é recomendada em ocupações de alto risco, como por exemplo para veterinários, ou em indivíduos que foram mordidos recentemente por animais possivelmente infectados.
Vacina é antídoto para não desenvolver raiva
Todos os anos 10 milhões de pessoas recebem vacina após terem sido mordidas por animais selvagens. Cerca de 40.000 a 70.000 não vacinadas morrem todos os anos.
É impossível saber se o animal apresentava comportamentos agressivos devido à doença ou se os manifestava por outra razão. Logo, é importante consultar o médico após o contato para receber a vacina, que neste caso previne o aparecimento da doença mesmo após a infecção, desde que administrada imediatamente.
O vírus está presente na saliva do animal e é introduzido nos tecidos após a integridade da pele ficar comprometida pela mordida. A progressão nos animais é semelhante à dos seres humanos (ver mais adiante).
Os animais selvagens perdem o medo e os mais dóceis animais de estimação tornam-se agressivos. Há casos comprovados, mas raros, de transmissão por aerossóis de dejetos de morcegos que se depositam em mucosas intactas (boca, olho, nariz). Alguns raros casos foram transmitidos após transplantes de órgãos infectados.
A raiva existe em animais selvagens em todo o mundo, exceto em algumas ilhas (como Grã-Bretanha, Irlanda e ilhas do Havaí). Nas áreas tropicais pode existir em animais de rua (cães abandonados). Um reservatório da doença de difícil eliminação são as colônias de morcegos.