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17/09/2012
Médico examinando paciente: no primeiro semestre de 2012, Secretaria de Estado registrou 61.830 internações causadas pela pneumonia Dados também mostram que do total de internações pela doença no Estado, cerca de 20% foram de crianças menores de um ano
Ela ainda é muito freqüente, e perigosa. A pneumonia é talvez uma das principais vilãs da saúde respiratória, com a agravante que, se não for tratada a tempo ou da maneira correta, pode levar à morte.
De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, realizado de janeiro a junho deste ano, em média 35 pessoas morreram por dia decorrente de complicações da doença. Foi uma morte a cada 41 minutos em todo o Estado de São Paulo.
O balanço – com base nas notificações das unidades públicas – também revela que, do total de internações notificadas pela doença, cerca de 20% foram de crianças menores de um ano.
Somente no primeiro semestre deste ano, foram notificadas 61.830 internações em razão de complicações da doença no Estado, das quais 6.360 evoluíram a óbito. No mesmo período de 2011, o número total de internações foi de 69.766, com 6.841 óbitos. Na comparação, o número de internações caiu 11,4% no período.
Do total de internações notificadas neste ano, 11.853 foram de crianças menores de um ano. Em relação aos óbitos, a faixa etária com o maior número de notificação foi a dos idosos, com 4.971 mortes.
“As crianças menores de dois anos são um grupo etário particularmente suscetível a pneumonias porque seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Portanto, algumas medidas preventivas, como alimentação saudável, visitas regulares ao médico, e a vacinação, são fundamentais para evitar a doença”, diz Fábio Pereira Muchão, pneumologista do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) "Dr. Luiz Roberto Barradas Barata", unidade da Secretaria no bairro de Heliópolis, zona sul da capital.
Vacina é aplicada na rede pública gratuitamente
Desde 2010, a vacina pneumocócica 10-valente faz parte do calendário de imunização do SUS (Sistema Único de Saúde) e está disponível, gratuitamente, nos postos de saúde para crianças de dois meses a um ano e 11 meses de idade.
Além de imunizar as crianças contra determinados sorotipos de pneumocos, causadores de alguns tipos de pneumonias, a vacina pneumocócica 10-valente também protege contra otites agudas e outras infecções respiratórias, como meningites.
Outra proteção oferecida no calendário de imunização e que também auxilia na prevenção à pneumonia é a vacina contra a gripe, oferecida por meio de campanhas anuais de imunização em massa.
“Voltada para idosos, gestantes, crianças menores de dois anos e portadores de doenças crônicas, a vacina contra a influenza diminui a incidência de gripes, que são as portas de entrada para pneumonias, e também contribuem para diminuir a ocorrência de pneumonias bacterianas”, diz Muchão.
Doença pode evoluir a partir de simples gripe
A pneumonia é uma inflamação dos alvéolos pulmonares, com ou sem infecção. Vírus, fungos, protozoários e bactérias são capazes de provocá-la, sendo mais comuns as pneumonias causadas por pneumococos. Afeta pessoas de todas as idades, desde que estejam com baixa imunidade. Por isso, é comum ouvir casos de pessoas que desenvolveram a pneumonia a partir de uma gripe.
“O clima seco e a baixa umidade relativa do ar contribuem para agravar a situação. Até o final de agosto, a incidência de pacientes com pneumonia estava muito alta, sendo que vários tiveram de ser internados, tanto idosos quanto crianças atendidos em nossa clínica”, diz a pneumologista ituveravense Renata Tristão Rodrigues Lima, proprietária da Clínica Santa Lúcia e que também atende na rede pública.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a médica explica que a pneumonia pode se instalar quando há a inalação ou aspiração de bactérias, visto que no idoso, a defesa da via aérea alta é mais deficiente. “Locais com aglomeração de pessoas são ambientes propícios para proliferação de patologias que afetam o sistema respiratório e a pneumonia está entre elas. Por isso, o inverno é a época do ano em que elas aparecem com mais freqüentes”, explica Renata.
Tosse com secreção, dores torácicas, febre alta, calafrios, dores de ouvido e respiração curta e ofegante são alguns de seus sintomas. Em idosos, pode haver confusão mental.
Diagnóstico
Geralmente, antibióticos são receitados e, em alguns casos – como os de pacientes idosos, manifestação de febre alta e alterações clínicas – é necessária internação. “Uma dieta apropriada visando a recuperação do sistema imune da pessoa comprometida. Ficar em repouso é primordial”, recomenda Renata.
“Gripes que duram mais de uma semana e febre persistente devem ser motivo de atenção. Não fumar nem beber exageradamente, alimentar-se bem, ter bons hábitos de higiene, sempre fazer a manutenção dos ares-condicionados e evitar a exposição a mudanças bruscas de temperatura são medidas preventivas”, concluiu a pneumologista.