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30/09/2012

VENEZUELA TEM ÚLTIMO FIM DE SEMANA DE CAMPANHA ANTES DAS ELEIÇÕES

Hugo Chávez, candidato à reeleição na Venezuela, cumprimenta seus apoiadores durante comício em Cabimas, no estado de Zulia, neste domingo, último fim de semana da campanha (Foto: Jorge Silva/Reuters)

A Venezuela teve neste domingo (30) seu último fim de semana de campanha presidencial antes das eleições, marcadas para o próximo domingo (7). O atual presidente Hugo Chávez, que busca a reeleição, vai enfrentar nas urnas o líder da oposição, Henrique Capriles. A campanha eleitoral termina nesta quinta-feira (4).

Chávez, de 58 anos, está há 14 no poder e tenta um novo mandato de seis anos, após ser diagnosticado com um câncer em junho do ano passado – cuja natureza foi tratada em absoluto sigilo e do qual ele diz já estar curado.

A maioria das pesquisas de opinião apontam o presidente como favorito, e a última sondagem do instituto Datanálisis indicou esta semana 49,9% das intenções de voto para Chávez e 39% para seu adversário. Apesar disso, Capriles tem avançado nas pesquisas, e esta também é a primeira vez em que o presidente não lidera a disputa com uma enorme vantagem.

Para não ficar para trás, Chávez disse neste domingo, em caravana pelo estado de Zulia, que está pronto para governar pelo menos até 2019. Ele também acusou a burguesia de tentar "desestabilizar" a Venezuela.

Anteriormente, Chávez declarou que sua vitória tornará irreversível seu regime socialista, em um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, que permitiram financiar programas milionários de assistência aos pobres, sua base eleitoral.

O presidente insiste que sua vitória é certa, ao mesmo tempo em que diminuiu o ritmo de campanha e o tempo de seus discursos, antes "intermináveis".

Nas últimas semanas, Chávez visitou casas, assinou importantes acordos energéticos com a Rússia, lançou um serviço de ônibus em Caracas e no sábado (29) o segundo satélite venezuelano, o Miranda, de uma base da China.

Já o seu principal rival, de 40 anos, e ex-governador do populoso estado de Miranda, no norte do país, pediu ao governo esclarecimentos sobre o incidente em que três de seus partidários foram mortos a tiros por homens armados no sábado (29), no estado de Barinas.

"Ontem, infelizmente, a violência tomou três vidas. Algo assim nunca deve acontecer. Quero dizer a suas famílias, e aos anjos no céu, que estamos caminhando para vencer a violência no dia 7 de outubro”, disse Capriles neste domingo em comício na capital Caracas, do qual participaram milhares de pessoas na Praça Venezuela.

O candidato do jovem partido social-cristão Primeira Justiça também prometeu mais democracia e liberdade à população, e garantiu que vai reabrir a emissora RCTV – que fazia duras críticas ao governo de Chávez e não teve sua concessão renovada, há cinco anos. Atualmente, o canal é exibido apenas em sinal fechado.

Além disso, Capriles tentou convencer os eleitores a votarem nele ao prometer que vai patrocinar, com quase R$ 2 milhões, um desfile no carnaval do Rio de Janeiro. O candidato explorou, ainda, um dos principais problemas do país: a violência. Ele disse que no dia 7 vai derrotar nas urnas esse mal, que se manifestou em 2011 com 50 homicídios para cada 100 mil habitantes. Além disso, o candidato promete reforçar os programas sociais do atual governo.


Capriles tem viajado por toda a Venezuela, oferecendo uma imagem revitalizada da oposição, que nos últimos anos esteve associada a um desgastado sistema de partidos que se revezaram no poder durante 40 anos, antes da chegada de Chávez.

O oposicionista tem sido acusado pelo partido atualmente no poder de agir seguindo o roteiro de "marketing americano", sem um discurso de fundo.


Segundo o analista político Farith Fraija, Chávez continua contando com "os votos impertubáveis do chavismo, que dão uma diferença de mais de 10 pontos" para ele em muitas pesquisas eleitorais, enquanto o líder da oposição depende dos indecisos para ter alguma chance de vitória.

Até o final da campanha, marcada pelo "corpo a corpo" com o eleitorado, Fraija acredita que os candidatos vão "explorar algumas cartas escondidas na manga para ganhar votos em setores ainda não definidos". Capriles, por exemplo, poderia anunciar quem será seu vice-presidente, caso vença a eleição no domingo.

Mortes no sábado
O partido Primeiro Justiça, de Capriles, disse que assaltantes dispararam de dentro de uma van contra os três partidários mortos, e que testemunhas os identificaram como pertencentes a uma instituição do Estado, depois que pessoas pró-Chávez bloquearam uma carreata da oposição.

O governo não confirmou essa versão, mas prometeu uma investigação sobre o que chamou de um incidente isolado. "Qualquer coisa que prejudique a paz e a estabilidade devem ser condenados", disse o chefe de campanha de Chávez, Jorge Rodríguez.

Capriles tem criticado o presidente diariamente sobre os problemas como a criminalidade, blecautes e infraestrutura de má qualidade, e recebeu uma resposta franca do presidente. "Eficiência, que é uma das minhas promessas para o próximo período. Temos que corrigir as coisas," rebateu Chávez neste domingo.

Câncer e erros reconhecidos
Chávez acredita estar curado do câncer e declarou em Guarenas, cidade-dormitório ao leste de Caracas: "Se não me sentisse com forças, não estaria aqui. Inclusive, vamos trabalhar em um ritmo mais acelerado".


Mas o presidente também reconheceu que diminuiu o ritmo das atividades: "Nos primeiros anos de governo, não descansava nada, mas o corpo vai reclamando e você tem que ir reduzindo".

Chávez está confiante na derrota de Capriles e defendeu uma vitória mais ampla possível. "A coisa mais importante é aumentar a distância para consolidar a revolução [socialista]", disse.

Ele admitiu que não conseguiu acabar com a dependência das receitas do petróleo, que representam mais de 90% das divisas na Venezuela, por isso pediu mais um mandato à população.

"Esse é um modelo que tem 100 anos, temos avançado, mas é algo progressivo, é preciso tempo para colocar a economia no caminho certo", declarou.

O presidente também reconheceu "erros na implementação de planos que não deram certo como deveriam, especialmente nos serviços públicos", em um país com falhas graves de fornecimento de água e eletricidade e com uma infra-estrutura em estado precário.

"O poder nacional não pode lidar com tudo. Eu não posso me ocupar, por exemplo, da coleta de lixo", desculpou-se. "Precisamos de mais eficiência política, social, econômica. Temos massificado a educação, mas agora falta a qualidade", afirmou Chávez, lembrando que o analfabetismo diminuiu drasticamente desde que chegou ao poder – de 9,1% em 1999 para 4,9% em 2011, de acordo com números oficiais.

Revolução socialista
O presidente também defendeu as medidas radicais de sua "revolução socialista", descritas como um programa bem-sucedido da esquerda.

"Olha como está a Espanha. Realmente dói. Muitas coisas que eu falei com (o ex-primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez) Zapatero. Infelizmente, eles não avançaram em seus projetos de esquerda e perderam a eleição (em 2011) para os moderados", disse.

Ao ser questionado se a Venezuela avança para um Estado comunista, Chávez respondeu: "Vamos concentrar o poder do povo nos próximos anos, para que seja o povo que conduza sua própria vida, seu próprio trabalho".

Mas o presidente evitou comparações com Cuba, regime dos irmãos Castro com quem Chávez mantém relações estreitas, especialmente com Fidel, seu mentor: "Cuba é Cuba e Venezuela, Venezuela. Dois modelos, duas histórias diferentes".

Chávez declarou, ainda, que a oposição de Capriles personifica uma "extrema-direita" com planos "ocultos" para acabar com as missões sociais se conseguir chegar ao poder. Por outro lado, se vencer, ele mostrou disposição para acolher seus detratores após a eleição.

"Eu sempre faço isso, mas eles estão sempre confusos. Eu fiz após o golpe de Estado (realizado contra ele em 2002) e pensaram que era fraqueza, e então veio a greve do petróleo no ano seguinte que, também sem sucesso, tentou me derrubar", enfatizou.

Fonte: g1.globo.com

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