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01/11/2012
Cemitério “Ariró Procópio dos Santos” (Centro) Cemitérios “Ariró Procópio dos Santos” (Centro) e “Bom Pastor” (Cohab/Cecap) passam por pequenas reformas para receber público
A humanidade dedica o dia 2 de novembro ao “culto de seus mortos”. O Dia de Finados – também chamado de “Dia dos Mortos” – é lembrado nesta data, em vários países.
Em Ituverava, cerca de 19 mil pessoas deverão visitar os cemitérios “Ariró Procópio dos Santos” (Centro) e “Bom Pastor”, na Cohab/Cecap. São 4,5 mil pessoas a mais do que no ano passado.
“Este número varia muito a cada ano”, explica o administrador dos cemitérios, João Miguel Marques. “Infelizmente, muitos fatores podem impedir ituveravenses que residem fora visitarem seus mortos na cidade, entre eles, questões e o clima”, observa.
Segundo ele, os locais já passam por pequenas obras para o feriado. “Para receber os visitantes, foram feitas pintura das ruas e dos túmulos antigos e pode de árvores e da grama, além da limpeza nos locais”, afirmou Marques, que administra os cemitérios há quase três décadas.
Segundo ele, o Cemitério Municipal “Ariró Procópio dos Santos” deverá receber um número maior de visitantes, aproximadamente 14 mil são esperadas, já que é o mais antigo de Ituverava.
“Aqui, estão enterrados cerca de 30 mil pessoas, desde o final da década de 20, quando há os primeiros registros de funerais”, afirmou o administrador.
“No Cemitério Bom Pastor, são quase 2,4 mil pessoas enterradas. Cerca de 5 mil visitantes deverão passar pelo local”, complementou Marques.
Cemitério Municipal
Historicamente sabemos que “Cemitério, do latim Doemitérium, que por sua vez em grego Koimetriou, quer dizer “Eu descanso”. Acreditavam os gregos que os mortos, libertos do corpo dormiam nas catacumbas.
Cemitério, terreno onde se enterram os mortos. Cemitério dos pagãos, no nordeste brasileiro, o lugar onde são enterradas crianças natimortas ou as que tenham morrido sem receber o batismo romano”.
Como não podia deixar de ser, também temos nosso Campo Santo, onde repousam os nossos entes queridos. Assim é que, conforme nos contou o prof. José Geraldo Evangelista, no 1º livro de óbitos da Matriz da Franca, em 1811 encontram-se anotações sobre sepultamento nos “Cemitério dos Córregos”, do Carmo da Franca. O local presume-se seja nas proximidades do atual Matadouro Municipal, acima do Córrego “Lava Pés”.
No enterro daquela época usava-se mortalha para envolver a pessoa falecida, pois ainda não se usava aqui, o caixão, que só apareceu a partir de 1830. A mortalha pela sua cor identificava: vermelha – adultos, homens ou mulheres solteiros. Preta – casados. Roxa – viúvos e branca – virgens e crianças.
O atual cemitério tem quase um século. Não nos foi possível até o momento achar a data de sua construção, entretanto, em “Palestra com o Cap. Cesar”, publicada na Revista da Comarca, de 15/11/46, pg. 48, ele diz o seguinte: “O cemitério era cercado por tabuas de aroeira, fincadas a oito palmos de profundidade, para evitar que os tatus entrassem e se instalassem nas sepulturas. Os cadáveres eram trazidos em carros de bois, de dezenas de quilômetros, para serem enterrados nesse cemitério”. O atual foi construído naquele tempo mais para o alto da Vila que crescia, num local onde havia mato por todos os lados. Não foi muito bem observada essa localização, pois o mesmo, ficou fora de alinhamento, ante as vias públicas. Em 1893, pelo contrato firmado em 28 de janeiro daquele ano, o Conselho de Intendência contratou o Sr. Herculano Ignácio da Silva, para as funções de zelador do Cemitério Municipal, vencendo o ordenado anual de 360 mil réis, pagos mensalmente. Ocupou o referido cargo o Sr. Abelardo Antônio Xavier que mais tarde passou a ser o carcereiro da Cadeia Pública. Conforme melhorava o município, que em 1902 já era Comarca, a Intendência Municipal firmou contrato com o (italiano) Marcos Agnelo, em data de 09/06/1902, conforme registrou no Livro de Contratos da Prefeitura Municipal, para a construção do Muro do Cemitério e do Matadouro, pela quantia total de (sete contos, oitocentos e cincoenta e dois mil réis). Comprometeu-se ele a entregar as obras no prazo de 90 dias. O serviço não foi completo, talvez pelo preço, tanto assim que por novo contrato, firmado com outros construtor, Sr. Pedro Jorge, o Intendente Municipal Tenente José Barbosa Nunes, em 13/11/1905, autorizou a construção da parte restante do muro e o aumento do mesmo em 18 metros. Muro e alicerce de pedras, com um metro de profundidade e de tijolos (para evitar a entrada de tatus), caiado e rebocado por fora pelo preço de cinco contos de réis, pagos em duas vezes: o primeiro pagamento da quantia de 3:000$000, a Câmara efetuaria no fim do mês de fevereiro de 1906; o segundo pagamento seria depois de concluída a obra.
Murado e caiado, o Cemitério apresentava-se naquela época em melhore condições para receber os mortos.
A cidade crescia e se desenvolveu a tal ponto que naquele local, nas décadas de 40 a 60 passou a reclamar melhoramentos. A imprensa não se cansava de reclamar. O terreno ficou totalmente ocupado. Foi preciso que a prefeitura adquirisse mais área para sal ampliação. Melhoramentos parciais eram ali introduzidos, mas não de solução. Aguardavam-se melhoramentos profundos e embelezamento, pois a cidade se desdobrava e mantinha um cemitério que não estava a altura, considerado o mais feio da região. Tanto assim que o vereador Ary Barbosa em março de 1969, apresentou indicação ao Sr. prefeito, dr. Archibaldo Moreira Coimbra, de modo muito convincente...” é preciso que a administração transforme o cemitério municipal, dotando-o de instalações sanitárias (que não existem nem mesmo para os funcionários que lá trabalham), ligação de água, de galerias pluviais, de pavimentação asfáltica, sem falar é claro, no arruamento mais racional. Não podemos ficar neste particular, em situação de inferioridade perante os municípios vizinhos”...
1979 – Cemitério Municipal de Ituverava
Com verbas especiais e boa vontade o Sr. prefeito, dr. Archibaldo Moreira Coimbra, modernizou o nosso cemitério, construindo ali o que era necessário: capela, velório, sala para assepsia médica de óbitos, WC para público e funcionários, escritório, nova fachada de entrada, calçamento da rua principal, melhor alinhamento, gramado ao redor dos túmulos etc.
O prefeito Orlando Seixas Rego, em seu período de administração e os demais srs. Administradores, não descuidaram daquele local até hoje, que está melhor preparado para receber os restos mortais das pessoas que aqui terminam os seus dias.
Em visita feita àquele local, verificamos que o túmulo mais antigo data de 24/11/1898, possuindo tão somente as iniciais R.P.
No livro mais antigo de registro de óbitos da Prefeitura Municipal, encontramos o registro do sepultamento do menor Manoel, filho de José Cherubim de Barros, tendo como causa da morte, febre. Datado de 02/01/1906. Em sepultamentos verificados durante o mês de janeiro de 1906, 11 foram menores e a causa da morte era ignorada e febre.
Tivemos como funcionários encarregados de zelar pelos serviços internos do cemitério: em 1893: Herculano Ignácio da Silva; 1902, Abelardo Antônio Xavier; 1907, Jeronimo Sebastião dos Santos; 1908, Antônio Francisco dos Santos; 1914, José Pereira da Silva; 1938, Joronimo Bueno de Moraes; 1947, Sebastião Tobias de Ananias; 1948, Ariró Procópio dos Santos e 1980, João Liporace que está no cargo
(Publicado na “Tribuna de Ituverava”,
em 04/04/1981).
Extraído do livro Subsídios para a História de Ituverava – II, escrito pelo historiador Moacir França