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03/11/2012
Igtreja Evangélica em São Paulo: freqüentar religião ajuda na cura de doençasCrença em um Deus que se importa com as pessoas melhora resposta no tratamento contra doenças
ARevista Veja publicou entrevista sobre a relação clara entre diversas formas de religiosidade com a prevenção de doenças cardiovasculares, hipertensão e depressão.
O periódico levou aos leitores, nas tradicionais páginas amarelas, entrevista com o psiquiatra americano Harold Koenig, intitulada “Um poder invisível da fé”. Aos 60 anos, ele conta que nasceu em uma família católica, mas, por influência da mulher, hoje freqüenta uma igreja evangélica. Ele é professor da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e há 28 anos se dedica a estudos que relacionam religião com saúde.
O psiquiatra – que tem 40 livros publicados e mais de 300 artigos sobre o tema – defende que a fé religiosa ajuda as pessoas em diversos aspectos da vida cotidiana, reduzindo o estresse, fazendo-as adquirir hábitos saudáveis e dando-lhes conforto nos momentos difíceis, entre outros benefícios.
A prática da religião
Segundo o autor, há três fatores que influenciam a saúde de quem pratica uma religião. O primeiro seriam as crenças e o significado que elas atribuem à vida. Ao orientar as decisões diárias, contribuiriam para reduzir o stress.
O segundo fator é o apoio social. As pessoas mais devotadas participam de comunidades que acreditam nas mesmas coisas e oferecem suporte emocional e, por vezes, financeiro. O impacto que a religião tem na adoção de hábitos saudáveis seria o terceiro fator. Os mandamentos religiosos e a vida em comunidade estimulam a boa saúde.
Os religiosos geralmente ingerem menos álcool, ou não bebem, e também têm inclinação a não fumar. Além disso, não adotam um comportamento sexual de risco, tendo múltiplos parceiros. Todos esses elementos influenciam a saúde e faz com que vivam mais e sejam mais saudáveis.
Comprometimento
O doutor Koenig enfatiza que para gozar dos benefícios de uma religião, não adianta alguém dizer que é espiritualizado e não fazer nada. É preciso ser comprometido, ir aos cultos, fazer parte de uma comunidade, expressar sua fé em casa, orando e pelo estudo das escrituras. Sendo assim, as crenças religiosas influenciariam a vida do fiel e também sua saúde.
Aparentemente, algumas enfermidades respondem melhor à prática religiosa do que outras. Doenças relacionadas ao stress, como as disfunções cardiovasculares e a hipertensão, parecem ser mais reativas.
Estudos mostram que o estresse tem impacto em três sistemas ligados à defesa do organismo: imunológico, endócrino e cardiovascular. Sendo assim, a religiosidade põe o paciente “em outro patamar de tratamento”.
Koenig menciona que religiosos infartados, por exemplo, têm menos complicações após a cirurgia, ficam menos tempo internados e, claro, pagam contas hospitalares mais baixas.
Enquete
Na semana passada, a Tribuna de Ituverava realizou enquete e ouviu doze entrevistados. Todos concordam que a fé pode ajudar no tratamento da depressão.
“O crescimento do número de pessoas com depressão nos dias atuais é assustador. A medicina até oferece tratamento, mas há recaídas. Neste ponto, a religião ensina a ter fé, e quando ela é praticada, a pessoa passa a ter ‘intimidade’ com Deus, o Espírito Santo passa a habitá-la. Isso vai além da medicina e pode curar a depressão. A fé sincera praticada pode vencer tudo”, diz a gerente de vendas Alessandra de Castro.
Há também os que acreditam no poder da Medicina moderna, sem – é claro – dispensar uma ajudinha divina. “Acho que ajuda sim, mas, no caso da depressão, deve haver a intervenção de profissionais da Saúde, para identificar o grau de intensidade, medicar e ajudar o paciente”, ressalta a estudante de enfermagem Paula de Souza Gumieiro, 24 anos.
Veja, abaixo, a íntegra dos depoimentos:
Depressão
Pesquisas de saúde sempre sugeriram que a crença religiosa pode ajudar as pessoas contra os sintomas da depressão. Entretanto, um estudo, feito na Universidade Rush, nos Estados Unidos, vai um passo além.
Em pacientes já com o diagnóstico de depressão clínica, a crença em um Deus que se importa com as pessoas pode melhorar a resposta ao tratamento médico, conforme relata um artigo publicado no Journal of Clinical Psychology.
Participaram do estudo um total de 136 adultos diagnosticados com depressão grave ou depressão bipolar, atendidos tanto em ambiente hospitalar quanto ambulatorial, voltados para cuidados psiquiátricos.
Os pacientes foram examinados em dois momentos: o primeiro, logo após sua internação para o tratamento, e o segundo, oito semanas depois. Para isso, foram utilizados os métodos “Inventário Beck de Depressão”, “Escala de Desesperança de Beck”, e “Escala do Bem-Estar Religioso”.
Estes métodos são utilizados como instrumentos padrões para avaliar a intensidade, a profundidade e a gravidade da depressão e os sentimentos de desesperança e de satisfação espiritual.
Para as pessoas diagnosticadas com depressão clínica, a medicação certamente desempenha um papel importante na redução dos sintomas. Entretanto, quando se trata de pessoas diagnosticadas com depressão (mais branda), os médicos precisam estar cientes do papel da religião na vida de seus pacientes. É um recurso importante no planejamento do tratamento.