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05/11/2012
Dona Aparecida sendo atendida pelas enfermeirasInovação beneficia pacientes com ferimentos de difícil cicatrização
A equipe de enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde inovou no tratamento de feridas, adotando novos procedimentos para curativos. Os maiores beneficiados são os pacientes portadores de ferimento de difícil cicatrização, que passam a ter uma melhor qualidade de vida.
O uso de novas técnicas foi motivado devido à demanda por tratamento, utilizando câmara hiperbárica – procedimento de alto custo para o sistema público de Saúde e pouca comprovação de eficácia. Os novos métodos já estão sendo implantados e tem trazido excelentes resultados.
O sistema de curativo foi totalmente remodelado, seguindo a sugestão da assessora Especial em Saúde, Cláudia Maria Carreira Frata, e da enfermeira Monique Alves Pires, que realizou o mesmo procedimento no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. O método consiste na utilização do gel hidratante com alginato de cálcio e sódio.
Novos produtos começaram a ser utilizados como o próprio gel hidratante com alginato de cálcio e sódio; curativo adesivo estéril hidrocolóide; curativo de hidrofibra antimicrobiano estéril com prata; bandagem com pasta de óxido de zinco; curativo de fibras de alginato de cálcio e sódio.
“Optamos por tentar esse novo procedimento, pois tínhamos pacientes que tratavam há anos de feridas e tinham que ser encaminhados para sessões de câmara hiperbárica, que além do alto custo, não se pode atestar a eficiência”, ressalta a enfermeira Monique, em release, enviado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Ituverava.
Para o procedimento, uma equipe para curativos foi formada. Fazem partem as enfermeiras Cláudia Maria Carreira Frata, Monique Alves Pires, e as técnicas de Enfermagem, Valéria Cristina Rezende da Silva e Taís Helena, sob avaliação do médico Luís Gustavo Campos da Silva. “A qualquer dia ou hora, mesmo que seja final de semana ou feriado, se for necessário visitar nossos pacientes nós vamos sem problemas”, afirma a técnica de enfermagem Valéria.
Procedimento
Além da limpeza, em que muitas vezes é necessário debridar, ou seja, retirar os tecidos mortos do ferimento, as enfermeiras orientam os pacientes sobre os cuidados necessários para a eficiência do tratamento. “Buscamos conhecer a realidade de cada paciente, vamos às suas casas, orientamos sobre noções de higiene, tudo para que o tratamento tenha o resultado esperado. Nós trabalhamos para solucionar o problema dessas pessoas”, descreve Monique.
Custo x Benefício
Antes, os curativos eram feitos utilizando apenas uma medicação tópica que é a sulfadiazina de prata. O medicamento era usado, até então, para todos os tipos de ferida, inclusive para queimaduras. Entretanto, a maioria dos pacientes assistidos possui algum tipo de doença ou distúrbios que agrava a circulação e a cicatrização.
Então, alguns médicos passaram a solicitar o tratamento com a câmara hiperbárica, porém, ele não era totalmente eficaz. Agora, o novo método começa a ser aplicado e mostra resultados melhores.
“Os curativos tiveram um êxito maior e mais rápido que o esperado. Com isso, fomos ganhando a confiança de médicos e pacientes. O Dr. Luís Gustavo também começou a fazer parte da equipe de avaliação”, ressalta o secretário da Saúde, Sérgio Renato Macedo Chicote.
O tratamento mais usual, com sulfa, apesar de ser um curativo de custo inferior, exige necessidade diária de troca, preferencialmente três vezes ao dia. Comparado a esse novo procedimento, cujo curativo pode ser trocado a cada três dias, a sulfa possui um resultado inferior e maior gasto de produtos.
O prefeito Mário Matsubara também fala sobre o novo método de curativo. “Se verificarmos globalmente a relação custo benefício esse novo procedimento é muito melhor, é bom para o paciente e para o sistema de saúde”, afirma.
Muitas vezes, os casos de curativos crônicos recebiam encaminhamento judicial para o uso de câmara hiperbárica, um método terapêutico no qual o paciente é submetido a uma pressão maior que a atmosférica no interior da câmara, respirando oxigênio à 100%. Porém esse método é apenas um coadjuvante, pois não há comprovação de eficiência.
“Cada sessão custa em média R$ 300. Já tivemos casos que o paciente deveria se submeter a 60 sessões, o que resultaria em custo de R$ 18 mil. Em outros casos, o valor poderia chegar a R$ 40 mil”,explica o secretário de Saúde, Sérgio Renato Macedo Chicote.
Segundo ele, ao buscar tratamento alternativo, a Secretaria resolveu casos de pacientes que conviviam há anos com feridas. “Temos uma paciente que convivia há 39 anos com a ferida. Ela se mudou de Franca para Ituverava, para dar continuidade ao tratamento com o Dr. Luís Gustavo. Hoje, sua ferida está cicatrizada”, completa Monique.
Atualmente, 45 pacientes são atendidos pela equipe de curativos da Secretaria. “Porém, este número oscila muito, pois assim como há altas, também surgem novos casos que necessitam de cuidados”, acrescenta a enfermeira.
Paciente diabético teve rápida cicatrização de ferimento no dedo
O caso do paciente Osvair Carmo Galdiano Pereira é típico. Diabético, um dia com o pé inchado fez um ferimento no dedo, desde abril ele tem cuidado da lesão, mas após o encaminhamento feito pelo cirurgião plástico à equipe de curativos da Secretaria da Saúde iniciou há dois meses o novo tratamento.
Como ele tinha condições de se locomover até o Posto de Saúde Central, ele trocava os curativos em dias alternados. Perguntado se ficou satisfeito com o tratamento, ele respondeu: “Se estou satisfeito? Claro que sim, sarou em pouco tempo”, afirma.
Resultados Positivos Motivam Equipes dos municípios vizinhos
Com resultados tão positivos houve o aumento da demanda do município e a equipe de curativos treinou as enfermeiras das unidades de saúde da família. Hoje, há intensa capacitação dessas profissionais para o aprimoramento das técnicas.
Pacientes dos municípios de Igarapava, Buritizal, Guará têm procurado informações e as enfermeiras recebem orientações para implantação dos novos procedimentos em suas respectivas cidades.
“Porém, como é muito recente, apenas Ituverava já tem os procedimentos sedimentados e inclusive médicos como o Dr. Gonçalves Dias, cirurgião plástico, que tem nos auxiliado e encaminhado pacientes para tratamento”, explica Monique.