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14/01/2013
Polícia Militar não poderá mais socorrer vítimas com ferimentos gravesAgora, policiais devem aguardar pela ambulância ou por uma unidade do SAMU
A Polícia Militar não poderá mais socorrer vítimas com ferimentos graves. Ao invés disso, deve comunicar o serviço de Saúde, e aguardar pela ambulância ou por uma unidade do SAMU.
A decisão do novo secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, abriu uma crise entre os PMs. Uma das intenções da resolução é evitar que policiais alterem a cena de um crime, de modo a facilitar investigações.
Em entrevista à imprensa paulistana, o major reformado Olímpio Gomes, que é deputado estadual, e a associação dos PMs portadores de deficiência dizem que vão tentar revogar a norma. “A mensagem que o governo dá é a de que não confia na polícia”, diz o major, deputado estadual pelo PDT.
Segundo ele, o governo Geraldo Alckmin (PSDB), para combater maus policiais, põe sob suspeita toda a PM – há casos de mortes de vítimas socorridos por policiais em que os PMs são investigados.
Olímpio irá propor um projeto que anule a norma. Alckmin, porém, tem maioria na Casa. Já a associação ameaça ir à Justiça. “A decisão é absurda, parece que foi tomada por quem desconhece a atividade policial”, diz a entidade.
PMs, sob a condição de anonimato, disseram ser treinados para prestar socorro e que a medida prejudica a imagem deles junto à população.
Policiais devem comunicar órgão responsável pela ambulância
Agora, o policial passa a ser obrigado a informar ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Isso vale para crimes como homicídio, tentativa de homicídio e lesão corporal grave.
“Em Ituverava, já há algum tempo que a PM não socorre vítimas. Em caso de necessidade, a população pode solicitar o serviço direto pelo telefone 192”, disse um funcionário público do setor da Saúde, que não quis se identificar.
“Por ser uma cidade pequena, acredito que Ituverava não terá tantos problemas no atendimento. Entretanto, em São Paulo e Ribeirão Preto, por exemplo, o serviço de ambulâncias deverá ser melhorado e muito para atender a demanda”, completou o funcionário.
O comandante da PM em Ituverava, tenente Luciano Pereira, concorda com a medida “em gênero, número e grau”. “Nossas viaturas não são as melhores opções para prestar socorro. As ambulâncias, além de melhor equipadas, já possuem profissionais capacitados para tratamento de mau súbitos e atendimentos de urgência, por exemplo”, afirmou.
Segundo ele, a PM ainda não está totalmente impedida de prestar socorro. “Vale lembrar que, se não houver outro jeito, a PM pode ainda socorrer pessoas em estado grave. Entretanto, se houver como solicitar a ambulância, vamos preferir, se bem que, em Ituverava, por ser uma cidade pequena, o socorro geralmente chega junto com a Polícia. Então, para nós, não há tanto problema”, concluiu tenente Pereira.
Medida polêmica divide opiniões entre autoridades
Além de preservar a cena do crime, a iniciativa pretende assegurar o atendimento às vítimas por profissionais habilitados, como médicos e socorristas. A medida é elogiada por especialistas.
Para o comandante da PM na capital, coronel Marcos Chaves a medida dará maior transparência à ação policial. “Hoje, quando há confronto, o policial já é visto com suspeita. Não se sabe se ele socorreu mesmo, se alterou a cena do crime. Com a proibição, a suspeita contra o PM vai cair”.
Nas grandes cidades
Sob a condição de anonimato, dois comandantes de batalhões da PM disseram temer que o número de vítimas aumente porque o socorro poderá demorar mais do que hoje. Um deles disse que em cidades menores o Samu não é tão eficiente e os PMs serão obrigados a descumprir a regra.
Ex-comandante da PM entre 2009 e 2012 e vereador do PSD, Álvaro Camillo revelou o mesmo temor, embora apóie o atendimento por especialistas. “O que preocupa é um policial deixar de socorrer, ficar em dúvida, e uma vida se perder”, completou.
Perguntas e respostas
O que acontece se o policial encontrar um homem baleado ou fere um suspeito em um bairro distante?
Ele deverá acionar o Samu ou a equipe de emergência médica local, mesmo que o socorro demore a chegar e haja risco de morte
A medida não prejudica o socorro da vítima?
Não. Segundo especialistas em atendimento de emergência, o Samu pode dar orientações para o socorro antes de chegar ao local. Além disso, é capacitado para fazer a remoção correta do ferido
O policial não pode ser responsabilizado por omissão de socorro?
Segundo o governo, se o policial avisar o Samu, não há omissão de socorro
Casos em que o procedimento deve ser adotado
Nas ocorrências policiais relativas a:
Lesões corporais graves
Homicídio
Tentativa de homicídio
Latrocínio
Extorsão mediante seqüestro com resultado morte