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AGRICULTURA

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24/02/2013

TRANSGÊNICOS JÁ OCUPAM MAIS DA METADE DA ÁREA PLANTADA NO BRASIL

Transgênicos corresponderão a mais de 50% da área cultivada no país

Dados de consultoria e do IBGE sugerem que cultivos GM atingem 54% da safra total a ser colhida no país em 2013

Há muito tempo, a transgenia deixou de ser uma realidade distante dos países de Primeiro Mundo para “se alastrar” pelos campos dos países em Desenvolvimento. No Brasil, de acordo com dados da Consultoria Céleres, a área plantada com cultivos geneticamente modificadas neste ano chega a 37,1 milhões de hectares.

O número é 14% maior que o registrado no ano anterior – que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011). Na prática, são 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas, segundo a consultoria Céleres, que é especializada em Agronegócio.

Para este ano, a previsão de crescimento da transgenia no campo é ainda mais otimista. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê, para 2013, uma área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderão por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país.

No ano passado, as lavouras transgênicas cobriram 31,8 milhões de hectares (segundo a Céleres) e a safra total (incluindo transgênicos e não transgênicos) atingiu 63,7 milhões de hectares (segundo o IBGE), ou seja, as lavouras não transgênicas ainda ocupavam uma área maior que as transgênicas.

Esse avanço impressiona, ainda mais se considerando que há cinco anos, segundo a Céleres, o cultivo total com transgênicos no país era de apenas 1,2 milhão de hectares.

Problemas
Mas, afinal, existe algum problema se os transgênicos tomarem o espaço dos grãos naturais? O professor Antônio Luís de Oliveira (“Toca”), que é doutor em Agronomia e Produção Vegetal, diz que, por enquanto, não há qualquer afirmação que desabone a transgenia.

“É claro que e existem barreiras, mas são mais de natureza econômica. Há países, por exemplo, que não compram soja transgênica ou carne de animais que foram alimentados com produtos transgênicos. Porém, estudiosos não comprovam se há impacto ambiental e se ele é positivo ou negativo”, completa o professor, que utilizou grãos de soja para compor sua tese de doutorado.

Soja modificada é “Grande estrela”
Asoja é a grande estrela dos cultivos transgênicos. Isso se dá, pelo grão ser tolerante a herbicidas – uma das cinco variantes aprovadas no país também é resistente a insetos. Seu cultivo foi autorizado pela CTNBio em 1998, mas liberado apenas em 2004, quando já vinha sendo plantada ilegalmente havia anos. Já em 2012 ela respondia por 85% de toda a soja plantada no país, ocupando mais de 21 milhões de hectares.

A previsão para 2013 da Céleres é de que a proporção da soja transgênica suba para 88,8%, equivalente a uma área de 24,4 milhões de hectares, de longe, a maior dedicada a cultivares transgênicos no país.

Nos Estados Unidos, 94% dos feijões de soja colhidos nos EUA em 2011 eram transgênicos, o mesmo pode ser dito de 88% do algodão – modificado para resistir a insetos – plantado no mesmo ano na Índia.

A soja transgênica foi introduzida nos Estados Unidos – o grande pioneiro do cultivos de GMs – em 1996, e já em 2001 ela respondia por 68% de toda a soja plantada no país. O Brasil é hoje o segundo maior semeador de transgênicos do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos - onde, em 2011/2012, os transgênicos ocupavam 70 milhões de hectares.

Estatísticas
Nas suas estatísticas comparativas mais recentes - reunindo dados de 2010 - a FAO, a agência da ONU para Alimentos e Segurança Alimentar estima que quase 150 milhões de hectares no mundo são plantados com cultivares geneticamente modificados.

O grosso dessa área é dedicado a plantações de soja, milho, canola (usada em forragem/ração) e algodão nas Américas, e de algodão na Ásia e na África.

Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente mais importantes na Ásia e na África, diz a FAO. Na América Latina, são a soja resistente a herbicidas seguida pelo milho resistente a inseto.

A FAO reconhece que o cultivo de transgênicos cresceu principalmente por causa dos benefícios da redução de custos de trabalho e produção, da redução no uso de químicos e dos ganhos econômicos.

Produtos transgênicos
Transgênicos são organismos que, mediante técnicas de engenharia genética, contêm materiais genéticos de outros organismos. A geração de transgênicos visa organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original.

Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Por exemplo, podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.

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