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31/03/2013

OBESIDADE ENTRE CRIANÇAS CRESCE NO BRASIL A CADA DIA

Ministério da Saúde lança campanha para combater a obesidade infantil

Mudança de hábitos alimentares e prática de exercícios podem coibir o problema

A obesidade infantil tem crescido muito no Brasil nas últimas duas décadas. Esse problema pode estar relacionado a fatores hereditários, mas também a maus hábitos alimentares e sedentarismo. Preocupado com o problema, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou campanha para combater a obesidade infantil.

A campanha faz parte da Semana de Mobilização Saúde na Escola 2013.

Equipes da Atenção Básica a Saúde visitarão cerca de 30 mil escolas públicas de todo o país.

Será feita uma avaliação sobre o peso e teste de visão para quase 14 milhões de estudantes.

Segundo Padilha, o país precisa orientar as crianças e evitar que o Brasil se torne uma nação com a população obesa. Atualmente, 15% dos brasileiros fazem parte deste índice e metade da população já está acima do peso.

“Se a gente construir uma geração de crianças e adolescentes que gostam de fazer atividade física, se alimentar direito, aprendem o que é alimentação, vamos ter geração de adultos mais saudáveis com menor risco de chegar a geração de obesos” explicou o ministro, em nota oficial divulgada pelo Ministério.

Este é o segundo ano da Semana Saúde na Escola. No ano passado, R$ 4,1 milhões haviam sido gastos para a realização exames em crianças e adolescentes de 16 mil escolas públicas. Já em 2013, além de escolas do Ensino Fundamental e Médio, a semana também irá atender aos estudantes de creches e pré-escolas.

O que fazer para se combater a obesidade
Uma alimentação mais saudável e a prática de atividades físicas podem ser favorecidas através de pequenas mudanças nos hábitos das crianças. Por enfrentarem várias complicações decorrentes da vida moderna, é essencial que os pais proporcionem aos filhos uma dieta equilibrada e atividades físicas.

Bons hábitos alimentares podem ser aprendidos desde cedo, permitindo que a criança conheça já aos seis meses a maior variedade de sabores possível.

“O fato é que, o combate à obesidade vai além de problemas meramente estéticos. Junto com a gordura, podem vir diabetes, problemas articulares, colesterol alto, falta de agilidade e dificuldades em se exercitar”, explicou a professora de Educação Física, Letícia Lacerda Cavalcanti Vianna, proprietária da Academia Competir Sport & Fitness.

Segundo ela, uma das melhores atividades físicas, que atua na prevenção e no tratamento, é a Natação. “Além de ser uma atividade aeróbica, os movimentos com o corpo na posição horizontal eliminam o peso das articulações, melhora a respiração, acelera o metabolismo ajudando na queima calórica. Ao fazer atividade física, o organismo libera alguns neorotranmissores, tais como seretonina e endorfina, que diminui a ansiedade e inibe o apetite. Por ser uma atividade individual, não existe cobrança psicológica como nos esportes coletivos”, completou a professora.

Modelo
A criança aprende pelo modelo dos pais, por isso, quando os vê se exercitando, tal atitude serve de estímulo para que ela aprenda desde cedo a adquirir hábitos saudáveis. Quando os pais são sedentários, os filhos provavelmente o serão, e futuramente podem desenvolver doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos.


Fugir da atração da TV e dos computadores e adotar brincadeiras que requerem movimentação, como esconde-esconde, pega-pega e amarelinha é um hábito saudável que também deve ser estimulado.


Quanto à prática de alguma atividade física, essa precisa ser bem orientada, para que o exercício seja adequado à faixa etária. Outro aspecto importante é considerar a preferência da criança, assim ela desfruta mais dos benefícios do exercício, que, além de físicos, propicia também o convívio com o outro e o aprendizado de regras.

Bebidas açucaradas são principais responsáveis por ganho de peso
Um estudo publicado no dia 12 de março, no American Journal of Preventive Medicine, aponta que bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos de caixinha, isotônicos e quaisquer outros líquidos com alta concentração de açúcar, podem ser os principais responsáveis por dietas hipercalóricas na infância.

Além disso, crianças que consomem esse tipo de bebida são mais propensas a consumir alimentos pouco saudáveis. A descoberta foi feita por pesquisadores do Departamento de Nutrição da University of North Carolina, nos Estados Unidos.

A pesquisa foi baseada em dados colhidos entre os anos de 2003 a 2010 e foi feita pela What We Eat in America. O levantamento mostra que de 10.955 crianças e adolescentes com idades entre 2 e 18 anos, foi possível classificar os hábitos alimentícios em três faixas de idade: dos 2 aos 5 anos, dos 6 aos 11 anos e dos 12 aos 18 anos de idade.

Resultados
Os resultados mostraram que bebidas açucaradas eram as grandes responsáveis pelo consumo excessivo de calorias nas crianças com idades entre dois e 11 anos. Entre o grupo com idades entre 12 e 18 anos, isso também foi observado, mas somente quando o consumo de bebidas açucaradas ultrapassava 500 calorias por dia.

Para o autor, o estudo é um alerta para os pais, que são os principais responsáveis por ensinar bons hábitos alimentares para seus filhos.

Embora sejam gostosos, pizzas, bolos, biscoitos e batatas fritas devem ter o consumo limitado.

Bons hábitos alimentares previnem a obesidade infantil.

Que tal ensinar bons modos há mesa para seus filhos? Isso evita o ganho de peso na infância, prevenindo problemas como a obesidade infantil.

Veja algumas dicas a seguir:




Na hora certa
A criança deve comer cinco ou seis refeições (café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia) em locais apropriados e horários pré-estabelecidos.

Porções controladas
As guloseimas não devem ser proibidas, mas sim oferecidas em porções controladas, por exemplo, um pacotinho com três bolachas recheadas. Não deixe as guloseimas ao alcance da criança.

Evite frituras
Evitar consumo excessivo de salgadinhos, frituras, refrigerantes, doces e guloseimas em geral, limitando o uso destes a uma vez por semana no máximo.

Tenha em casa
Sempre tenha em casa legumes, verduras, salada, frutas, iogurtes, cereais matinais e sucos naturais.

Doce rotina
Ajude as refeições fracionadas a virar rotina do seu filho, diminuindo assim o volume dos alimentos ingeridos nas refeições principais.

Saladas
Estimule o uso de saladas cruas. Para torná-la mais atrativa acrescente complementos como kani kama, atum ou queijos magros. Uma boa dica é montar pratos de saladas bem coloridos e variados, ou seja, que sejam atrativos para as crianças.

Produtos integrais
Passe a usar mais produtos integrais, diminuindo a quantidade dos refinados.

Naturais
Substitua os refrigerantes por sucos naturais e não deixe que a ingestão de líquidos junto às refeições, seja maior que 250 ml.

Sem adoçar
Procure não adoçar sucos, deixe que a criança crie o hábito em não precisar deste complemento nada saudável ao suco.





Sem recompensas
Nunca use doces e guloseimas como recompensas.

Não comer com TV e computador
Evite que as refeições sejam feitas em frente à TV ou computador.

Sem raspar
Não insista que a criança raspe o prato, caso já esteja satisfeita e evite o hábito de repetir mais um pouquinho.

Nova conduta
Elogie seu filho ao perceber que ele está levando a sério sua nova maneira de se alimentar. Também ofereça prêmios a cada nova conquista! (Mas o prêmio não pode estar ligado a alimentos).

Diminuir
Diminua gradativamente a quantidade de alimentos, se esse for o motivo do ganho de peso.

Opções mais saudáveis
Se for comer em fast-foods (no máximo uma vez por semana), ajude seu filho a escolher opções saudáveis. Por exemplo, um suco de fruta no lugar do refrigerante. Ou comida japonesa em vez da pizza e do hambúrguer.

Leve as crianças
Leve a criança ao supermercado ou hortifruti para que desperte a vontade e escolha opções saudáveis de alimentos.

Pais devem dar exemplos, diz nutricionista
Mas, então, o que fazer para se evitar que a obesidade infantil chegue a seu filho? A Tribuna de Ituverava levou a questão à nutricionista Edvânia Romualdo, que falou sobre o problemas.

Entre as causas apontadas, ela adverte: “os principais personagens na alimentação das crianças são os pais”.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista:
Tribuna de Ituverava – Como evitar que uma criança chegue a este quadro?


Edvânia Romualdo – É praticamente impossível uma criança fugir da obesidade quando os pais ingerem alimentos gordurosos, refrigerantes e esquecem das frutas, verduras e legumes.

Os principais personagens na alimentação das crianças são os pais e a melhor oportunidade para a criança aprender a ingerir alimentos saudáveis é durante as refeições em família, onde elas deverão ser elogiadas e encorajadas a provar novos alimentos.


Na hora de fazer as compras de alimentos, o ideal é que sejam evitados produtos industrializados como refrigerantes, salgadinhos, sorvetes e carnes processadas (hambúrgueres e etc.). Prefira alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, carnes frescas e magras; além de alimentos integrais. Desta forma a criança estará cercada de opções saudáveis e livre das ofertas de alimentos indevidos.

Tribuna de Ituverava – Quais são os fatores que influenciam?


Edvânia – Desde que nascemos temos um vínculo emocional muito forte com a alimentação, já que nos primeiros momentos de vida recebemos o leite materno, que além de ser rico em nutrientes é acompanhado do calor e afeto do colo de nossas mães.

Com o passar do tempo essa relação entre sentimentos e alimento vai acentuando-se, um exemplo disso, é que freqüentemente, alimentos ricos em açúcar, gordura e sal são utilizados em festas e celebrações, ou como recompensa para a criança comer toda a refeição, assim oferecidos em um contexto positivo, fazendo com que esses alimentos sejam preferidos pela criança.

Ao contrário, os alimentos com baixa palatabilidade, como os vegetais, são oferecidos em contexto negativo, normalmente envolvendo coação para a criança comer. Nesta situação a criança aprende a gostar menos dos alimentos consumidos por obrigação, mesmo na existência de uma recompensa, o que resulta em uma resposta de oposição, e a criança pode passar a detestar tal alimento.

Pensando nisso, percebemos que a alimentação, desde muito cedo, envolve diversos fatores. Sendo assim, apresentar de forma natural e sem punições os alimentos que são saudáveis é a melhor forma de ensinar às crianças a alimentarem – se de forma adequada.

Tribuna de Ituverava – A mudança de hábitos alimentares ajuda?


Edvânia – A mudança de hábitos alimentares é o principal meio de prevenir ou curar a obesidade infantil. Lembrar de que a criança precisa familiarizar-se com o gosto dos alimentos, e por isso a mudança de hábitos não acontecerá com uma simples e única apresentação de uma refeição saudável. Apenas a exposição repetida fará com que a criança aprenda a gostar de frutas, legumes e verduras.

Tribuna de Ituverava – Qual é a sua sugestão de alimentação para que as crianças não se alimentem de forma tão errada?


Edvânia – Em primeiro lugar, a criança precisa ter horários predeterminados para a ingestão de qualquer alimento. É comum dar mais importância para o café da manhã, almoço e jantar, deixando lanches, biscoitos e guloseimas sem padrão de horários. A criança deve aprender desde pequena a comer nos horários determinados pela família.


Oferecer refeições saudáveis de forma atraente.

Pique os vegetais e as frutas em formatos diferentes, como bichinhos, flores e estrelas. Dessa forma, comê-los passa a ser mais divertido.


Os pais devem ser o exemplo, não adianta estar com o prato cheio de “porcarias” e insistir para que a criança como salada.

Moderação nas guloseimas, refrigerantes, sorvetes e salgadinhos. Não significa que você deve abolir o consumo, a proibição leva a criança a procurar em outros lugares. Estipule os dias para comer certos alimentos, como refrigerantes, guloseimas e sorvetes.

Exemplo: Refrigerantes apenas nos finais de semana
Prefira mandar de casa a merenda do colégio, assim poderá oferecer alimentos mais saudáveis que os disponíveis nas cantinas. Opte por biscoitos integrais, frutas frescas ou barras de cereais. Sanduíches como o de pão integral e queijo branco também podem fazer parte do lanche escolar


Chame seu filho para ajudá-la na cozinha. Peça que lave algumas verduras ou frutas com você ou que o ajude a preparar um prato saudável (como uma salada de frutas). Além de incentivá-lo a fazer escolhas saudáveis, a companhia dos pais pode tornar aquele momento especial, proporcionando maiores chances de associação de bons momentos com práticas alimentares saudáveis.

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