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08/04/2013
Cães abandonados; no destaque, o vereador Roberto Inácio Barbosa Filho (“Betô”) Em indicação, vereador pede projeto para conter o crescimento do número de cães e gatos de ruas
Ocrescimento excessivo da população de cães e gatos de rua tem sido um grande problema para as cidades. Infelizmente, estes animais – que vivem abandonados e entregues à própria sorte, tendo de comer restos alimentares – podem trazer sérios riscos para os homens.
Por outro lado, eles trazem muito problemas, pois podem se tornar agentes transmissores de zoonoses, causar acidentes de trânsito e atacar transeuntes, sem falar nos danos a propriedades e ao patrimônio público.
Pensando nisso, o vereador Roberto Inácio Barbosa Filho (“Betô”) apresentou, em sessão ordinária da Câmara, realizada no início do mês, uma indicação solicitando à Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde, que desenvolva projeto para Controle e Proteção de Animais de Rua.
De acordo com o vereador, o projeto seria desenvolvido em parceria com o curso de Medicina Veterinária, mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).
“O Controle de zoonoses e de reprodução descontrolada dos animais de rua vem se tornando prioridade entre os municípios desenvolvidos, devido à necessidade de combater os mais diversos problemas de saúde pública, que acabam prejudicando a população”, disse o vereador.
Número de animais em situação de abandono cresce a cada dia
As famílias incorporaram os animais de companhia – cães e gatos – à sua realidade cotidiana.
Infelizmente, muitas delas, com o tempo, os abandonam por motivos diversos.
O resultado disso é o grande número de animais abandonados vagando pelos centros urbanos, criando uma situação que vem se agravando a cada dia e representando um sério risco à saúde e à segurança pública.
Animais abandonados transmitem doenças – no mínimo, 65 zoonoses são transmitidas ao ser humano –, atacam e mordem as pessoas. Além disso, em busca de alimento e abrigo, eles invadem propriedades e vasculham lixo, espalhando sujeira pelas ruas e calçadas.
Cães e gatos abandonados também podem atacar animais silvestres ou domiciliados – gatos adoram caçar passarinhos.
Animais perambulando pelas ruas podem ainda se envolver em acidentes e causar transtornos a população.
Por fim, também defecam e urinam em locais públicos, trazendo odor e transmitindo parasitas que provocam doenças.
É importante ressaltar também a responsabilidade que devemos ter para com estes animais. Por estarem doentes ou por não terem um tratamento digno, muitos deles são abandonados à própria sorte – quase morrendo – fazendo com que passem por fome, frio, sede, ou mesmo, seja acometido por inúmeras doenças.
Castração cirúrgica
Importante ser feita uma diferenciação. O método escolhido pela Fafram para conter o avanço de animais, e que deve ser desenvolvido em Ituverava – se houver acordo entre Prefeitura e FE – será a castração cirúrgica, onde as fêmeas – cadelas e gatas – têm o ovário retirado cirurgicamente. Os animais são devidamente sedados e, depois do procedimento cirúrgico, recebem cuidados pós-operatórios e medicamentos.
É um método diferente da castração química, que não é aprovado. “A castração química é totalmente discutível, pois pode levar seqüelas para o animal, podendo ocorrer tumores, sangramentos, feridas que não cicatrizam... Tudo isso causa sofrimento terrível para o cão”, disse a personal trainer Fabiana Wagner de Castro, presidente da ONG ituveravense “Muitas Patas”.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Fabiana concorda que o número de animais abandonados é muito grande e que alguma solução deve ser encontrada. “É catastrófico. Em toda esquina que passo, vejo dois ou três cães abandonados. E o problema vem aumentando a cada dia”, ressaltou.
Ela aprova a decisão. “Com a castração cirúrgica, os animais não sofrem posteriormente e, nem se reproduzirem, portanto, o número de cães e gatos certamente diminuirá. Entretanto, é importante lembrar que isso é o começo. Deve ser desenvolvida uma ação maior para que se reverta este quadro que é muito triste”, concluiu a presidente da ONG “Minhas Patas”
Quem quiser obter maiores informações sobre a ONG pode ligar nos telefones 9129-8139 ou 8142-5471.
Fafram tem pronto projeto para coibir o avanço do número de animais abandonados
Uma solução para o problema dos animais abandonados tem sido debatida há vários anos. A Fafram, inclusive, tem um projeto já formatado, para a castração cirúrgica de animais que estão nas ruas.
“Este procedimento im-pediria que eles se reproduzissem e, conseqüentemente, propagassem possíveis zoonoses”, explica o diretor da faculdade, Márcio Pereira.
Entretanto, Pereira diz que, há alguns anos, a faculdade tentou uma parceria com a Prefeitura. “A parte legislativa – que era a aprovação do projeto de Lei pela Câmara – até chegou a até ser discutida. Porém, não foi colocado em prática”, afirmou.
Para o diretor da Faculdade, é uma excelente iniciativa do vereador. “Acho que ele age de forma consciente, propondo providências. Entretanto, é necessário agora que representantes da Fundação Educacional de Ituverava [mantenedora da Fafram] e da Prefeitura – que são partes interessadas no assunto – sentem e conversem sobre as responsabilidades. Estamos totalmente abertos para discussão de alternativas que auxiliem a população”, complementou.
Método é o indicado
Pereira defendeu o método para contenção do crescimento populacional de animais de ruas. “O município precisa conter, de alguma forma, o avanço desta população de animais abandonados. Uma delas é impedir que eles se reproduzam. A castração cirúrgica é uma maneira de impedir a proliferação do principal transmissor de zoonoses, sem maltratá-lo ou confiná-lo”, concluiu o diretor da Fafram.
Situação é acompanhada pela Vigilância Sanitária
A situação dos animais abandonados está sendo acompanhada pela Vigilância Sanitária. De acordo com a diretora responsável, a veterinária Taís Sandoval Morandini, o órgão – que é ligado à Secretaria Municipal de Saúde – tem recebido reclamações da população sobre o grande número de animais abandonados.
“Tivemos, inclusive, uma notificação oficial sobre um cão abandonado, em frente ao Hipermercado Extra, que estava sangrando”, disse a veterinária, em entrevista à Tribuna de Ituverava, na última quarta-feira.
“A castração cirúrgica é a solução mais indicada. Entretanto, o projeto ainda está sendo discutido entre a Prefeitura, através da Secretaria da Saúde, pois ainda não houve um acordo sobre o custo dos procedimentos. Se a Secretaria e a instituição de ensino chegarem a um acordo, então, poderemos por o projeto em prática”, explicou a veterinária.