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15/04/2013
Consumidora compra tomates, em mercado: valor do fruto aumenta 150% Maior produtor do país, Goiás perdeu metade das terras cultivadas e aumento do custo do fruto foi de até 150%
Ele esta mais caro! “Queridinho” das mesas brasileiras, o tomate é responsável hoje por um dos mais preocupantes cenários econômicos do Brasil, pois registrou aumento de até 150%, no mês de abril.
O Estado de Goiás – que é atualmente o maior produtor do fruto no país – registrou um aumento de 150% no preço no mês de abril, recorde histórico do Centro de Estudos Avançado em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo a Federação de Agricultura de Goiás (FAEG), a elevação ocorre por causa da drástica redução da área plantada, que caiu mais da metade nos últimos três anos.
De acordo com dados da FAEG, a estimativa de diminuição da área agrícola do tomate no Brasil é 16%. Mas em Goiás, esse índice foi de 41,85%, entre 2011 e 2012. Em 2010, as plantações de tomate ocuparam 2.511 hectares no estado; em 2011, foram 1.890 hectares; e em 2012, apenas 1.099 hectares.
O encolhimento da área plantada, aliado ao período de entressafra, resultou na falta de produto no mercado, o que fez o preço disparar. O quilo da fruto nesta semana variou entre R$ 8 e R$ 9 nos principais supermercados de Goiânia.
Segundo a Faeg, o preço médio da caixa com 22 kg – que até o mês passado estava em R$ 40 no Ceasa de Goiânia – está sendo negociada a R$ 110 nesse início de abril. Em 2012, Goiás produziu 67 mil toneladas de tomate.
Tomate é apenas um entre os itens que aumentaram de preço
A alta de preços ocorrida no setor alimentício fez o brasileiro se lembrar de um triste período da economia nacional, quando a população convivia com a vertiginosa e medonha inflação.
O índice de preços ao consumidor ultrapassou a meta estabelecida pelo Governo Federal. São os alimentos que tiveram as maiores altas. O tomate – cujo preço aumentou mais de 122% em 12 meses (em Ituverava o preço atingiu mais de R$ 8 o quilo) – está nas alturas, mas tem outros produtos. “O brasileiro percebe que o dinheiro acaba mais rápido, o que é assustador”, diz a pedagoga Evania Lins.
A inflação medida pelo IPCA, índice oficial do governo, chegou a 6,59% nos últimos 12 meses encerrados em março, e ficou acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%.
“Os alimentos vêm sofrendo aumentos em função do clima e isso provoca menor oferta ou prejudica as lavouras. Os preços vêm subindo significativamente”, ressalta Eulina Nunes, do IBGE.
De acordo com a pesquisa do IBGE, o preço de sete em cada dez itens pesquisados no IPCA está subindo. Cebola, cenoura e farinha de mandioca são exemplos de produtos que vêm subindo bastante.
Professor da Fafram fala sobre a alta nos preços
A Olericultura é a área da horticultura que abrange a exploração de hortaliças e que engloba culturas folhosas, raízes, bulbos, tubérculos, frutos diversos e partes comestíveis de plantas.
O professor desta área da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Antônio Luís de Oliveira (“Toca”), disse que a situação do tomate é preocupante, mas que ela tende a se reverter.
“Alguns fatores foram primordiais para que ocorresse alta nos preços destes alimentos, em especial, do tomate. O principal deles é que estes ‘frutos’ não germinaram como deve-riam, devido às chuvas fora de hora e às temperaturas diferenciadas. O resultado disso foi uma produção menor, fazendo com que o produto final encareça. Isso pode se reverter”, explicou.
“Toca” disse que o valor alto pode ser reduzido. “Tão logo as condições se estabilizem e a produção volte a seu andamento natural, com certeza, o tomate deverá voltar ao preço normal. Esta mesma situação ocorreu, por exemplo, com a batata: ela teve alta nos preços, mas, agora, já se estabilizou”, completou o professor da Fafram.
Depoimentos
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava entrevistou alguns consumidores sobre a alta de preços do tomate.
Veja, abaixo, as opiniões:
“Realmente, o preço do tomate está muito caro. Para driblar essa situação, procuro fazer saladas de folhas, ou introduzir legumes, como abobrinha verde, por exemplo”.
Ângela Maria Andrade Moreira, 42 anos, funcionária pública
“Acho que está muito alto. Eu simplesmente não tenho comprado tomates, preferindo levar para casa outras produtos para substituir, como verduras e legumes ‘mais em conta’”.
Agnaldo Silva Borges, 41 anos, operador de máquina
“Os preços estão muito elevados, mas substituir o tomate é difícil. Então, eu procuro comprar e consumir em menos quantidade, para dar um fôlego para o bolso”.
Olavo Barbosa, 44 anos, comerciante
“Com o tomate custando tudo isso, prefiro aumentar o consumo de certas carnes. A solução está sendo comprar menos tomate”.
Cristiane dos Santos Paulo Pereira, auxiliar de produção