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29/04/2013
Agente de saúde vistoria terreno no bairro Jardim GuanabaraEmbora o índice da doença tenha crescido na região, Ituverava manteve o mesmos números da semana passada
O número de casos de dengue na região de Ribeirão Preto voltou a subir nesta semana. Barretos, cidade que vive epidemia desde o início do ano, enfrenta a situação mais alarmante, com 3.472 casos confirmados neste ano. O município, com cerca de 112 mil habitantes, tem mais casos que Ribeirão Preto, cidade com mais de 600 mil habitantes e, hoje, com 3409 casos de dengue registrados.
Em contraponto, Ituverava não registrou aumento de notificações e casos confirmados semana. De acordo com o último balanço do Centro de Combate de Vetores, órgão ligado à Secretaria Municipal da Saúde, a cidade manteve as 1.712 notificações e os 824 casos que haviam sido registrados até a semana passada.
No início do ano, a cidade havia registrado um grande avanço de casos da doença. Só para se ter uma idéia, entre os dias 9 e 16 de março, havia ocorrido um aumento de 57 casos, e entre 16 e 23 de março, de 96. No entanto, desde então, o aumento tem sido muito menor, e nesta semana se estabilizou.
Segundo o secretário Municipal da Saúde, Wagner Benedetti, o fator desta queda é conseqüência do trabalho que tem sido desenvolvido pelo Poder Público com apoio da população. "A nebulização feita pela Sucen surtiu ótimos resultados, que somados a colaboração da população foi fundamental para conter o aumento no número de casos", afirma.
"Além disso, sempre que é registrada uma nova notificação, a Secretaria Municipal da Saúde faz o bloqueio nos arredores da casa da pessoa, nos bairros próximos e até em seu ambiente de trabalho. Os resultados têm sido excelentes, no entanto, é fundamental que a população continue fazendo a sua parte, pois somente assim a nossa cidade ficará livre da dengue", conclui.
Dengue chegou ao Brasil na época da Colonização
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o planeta. No mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.
A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de Colônia. O mosquito Aedes aegypti, que tem origem africana, chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.
O primeiro caso da doença foi registrado em 1685, no Recife (PE). Em 1692, a dengue provocou 2 mil mortes em Salvador (BA), reaparecendo em novo surto em 1792. Em 1846, o mosquito Aedes aegypti tornou-se conhecido quando uma epidemia de dengue atingiu o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Entre 1851 e 1853 e em 1916, São Paulo foi atingida por epidemias da doença. Em 1923, Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, lutou contra uma epidemia em sua região oceânica.
Em 1903, Oswaldo Cruz, então diretor-geral da Saúde Pública, implantou um programa de combate ao mosquito que alcançou seu auge em 1909. Em 1957, anunciou-se que a doença estava erradicada do Brasil, embora os casos continuassem ocorrendo até 1982, quando houve uma epidemia em Roraima.
Em 1986, foram registradas epidemias nos estados do Rio de Janeiro, de Alagoas e do Ceará. Nos anos seguintes, outros estados brasileiros foram afetados.
No Rio de Janeiro (Região Sudeste) ocorreram duas grandes epidemias. A primeira, em 1986/87, com cerca de 90 mil casos; e a segunda, em 1990/91, com aproximadamente 100 mil casos confirmados. A partir de 1995, a dengue passou a ser registrada em todas as regiões do país. Em 1998 ocorreram 570.148 casos de dengue no Brasil; em 1999 foram registrados 204.210 e, em 2000, até a primeira semana de março, 6.104.
Agravamento
Em 2006, o número de casos de dengue voltou a crescer no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e setembro de 2006 foram registrados 279.241 casos de dengue o equivalente a um caso para cada 30 km² do território do país.
Já em 2008, a doença volta com força total, principalmente no Rio de Janeiro, onde foram registrados quase 250 mil casos da doença e 174 mortes em todo o Estado, sendo 100 mortes e 125 mil casos somente na cidade do Rio de Janeiro. A epidemia de 2008 superou, em número de vítimas fatais, a epidemia de 2002, quando 91 pessoas morreram. Nos últimos anos, outros Estados do Brasil também registraram epidemias da doença.
Atualmente, a dengue hemorrágica está entre as dez principais causas de hospitalização e morte de crianças em países da Ásia Tropical. Nas Américas, a primeira epidemia de dengue hemorrágica que se tem notícia ocorreu em Cuba, em 1981.