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26/05/2013
Atriz Angelina Jolie, que na semana passada, anunciou que passou por mastectomia radial para se prevenir contra o câncerProcedimento reduziu de 87% para 5% o risco de Angelina Jolie ter a doença
Rica, bonita e talentosa! Certamente, estas são características que toda mulher queria ter, mas poucas conseguem. A atriz norte-americana Angelina Jolie reúne todos estes predicados.
Uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood, ela é conhecida por “se entregar” a encarar papéis desafiadores, com a agente secreta Salt ou à personagem Lara Croft, da série Tommy Rider.
Não bastasse tudo isso, Angelina é casada com o também ator Brad Pitt – considerado um dos homens mais bonitos do cinema norte-americano – com quem constituiu uma numerosa família formada por dois filhos biológicos e outros três adotados. Adepta a causas humanitárias, a atriz é embaixadora da Unesco e auxilia no trabalho contra fome em todo mundo.
Sim, esta mulher existe de verdade e é Angelina! Entretanto, engana-se quem pensa que é a mulher perfeita. Na semana passada, Angelina surpreendeu o mundo dizendo que realizou uma mastectomia radical – retirou as duas mamas – para evitar que futuros tumores se desenvolvam – ela tinha 87% de chance disso ocorrer.
Necessidade?
Na semana passada, o caso de Angelina Jolie ganhou destaque em todo mundo. Ela diz que se submeteu à cirurgia após ter feito um seqüenciamento de exames genéticos que identificaram um “defeito” no gene BRCA1.
Assim como a mãe, que morreu de câncer aos 56 anos, a atriz tem uma mutação nesse gene que aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário.
Angelina foi vista em público nesta semana ao lado dos filhos, já com próteses de silicone implantadas.
Eficácia da mastectomia radical como método de prevenção é discutível.
A atitude de Angelina Jolie trouxe à tona uma importante questão: até que ponto uma mulher pode ir para manter sua saúde? Será que ações como estas são prudentes e saudáveis ou apenas mutilações?
O Ministério da Saúde alerta que ainda não há consenso científico sobre a eficácia da cirurgia de retirada das mamas (mastectomia) como forma de prevenção do câncer.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não faz nem mastectomia nem o exame de seqüenciamento genético como forma de prevenir a doença.
Segundo o Ministério da Saúde, a cirurgia para retirada das mamas só é feita depois da descoberta de um tumor. Alguns hospitais e clínicas particulares fazem o seqüenciamento, que pode custar até R$ 7 mil.
"O maior problema que nós enfrentamos não é com relação à cirurgia, mas em se fazer o diagnóstico da mutação. O exame é caro, não está disponível na rede pública ", disse a médica Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em entrevista à Agência Brasil.
A biomédica Maria da Glória Rodrigues Monteiro de Barros, responsável pelos exames de mamografia da Santa Casa de Ituverava, tem ressalvas quanto ao procedimento.
“Eu até concordo com a mastectomia radical, como forma de prevenção, desde que ela seja realmente recomendada por médicos profissionais que tratam destas doenças. No caso de Angelina, ela passou pelo procedimento sem a real necessidade de retirar as mamas. Desse jeito, não concordo”, relatou.
A biomédica cita o caso de uma amiga sua, de São Paulo, que tomou a mesma medida preventiva. “Dez anos atrás, ela corria risco iminente de ter câncer de mama, pois seu histórico familiar já apontava isso: o pai, a mãe e outros familiares haviam morrido decorrentes da doença. Ela, portanto, tinha grande chance de desenvolver a doença. Então, retirou as mamas e colocou próteses”, concluiu.