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30/09/2013

LÚPUS AFETA SISTEMA IMUNOLÓGICO DO PACIENTE

A cantora Lady Gaga declarou que tem Lupus

Doença causou 637 internações no ano passado, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde

Uma doença pouco mencionada, mas muito perigosa, tem sido abordada pela Rede Globo, em uma de suas novelas. A personagem Paulinha – vivida pela atriz-mirim Klara Castanho, em “Amor à Vida” – sofre de lúpus no fígado. Para sobreviver, Paulinha precisou de um transplante de fígado, que estava bastante lesionado pela doença.

A história é fictícia, mas, na realizada, o lúpus pode sede ser um cruel inimigo, causando dor e sofrimento. A doença – que ainda não tem causa conhecida e nem tem cura – motivou 637 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do Estado de São Paulo, no ano passado.

Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – com base nos dados de 2012, e que foi divulgado no mês de maio deste ano – mostra que, em média, os hospitais públicos do Estado internam duas pessoas a cada dia com diagnóstico de lúpus eritematoso.

A doença afeta o sis- tema imunológico do paciente, que passa a produzir anticorpos que atacam e provocam inflamação em células e tecidos saudáveis do corpo. Por isso, é chamado de doença auto-imune.

Segundo Lenise Brandão Pieruccetti, chefe de reumatologia do Hospital Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, a doença está ligada a uma predisposição genética, e os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer faixa etária.

Incidência maior é entre mulheres com idades entre 25 e 50 anos
É no adulto jovem do sexo feminino e na idade fértil, entre 25 e 50 anos, que ocorre a maior incidência do diagnóstico de lúpus. A explicação pode estar no estrogênio, hormônio feminino, que funciona como um fator desencadeante.

Pele, rins e o sistema nervoso central são as regiões mais afetadas pelo lúpus. A alta exposição aos raios ultravioletas torna o indivíduo mais suscetível à doença. O sintoma mais claro é o aparecimento de manchas no rosto, no formato de “asa de borboleta”.

Mas o paciente pode apresentar, também, sensibilidade ao sol, dor articular, queda de cabelo, febre persistente e fraqueza. Nos casos mais graves, chamados de lúpus eritematoso sistêmico, o paciente pode apresentar lesões crônicas que deixam cicatrizes na pele.

Foi o caso de uma dona de casa ituveravense, de 56 anos, que reside no Jardim Vale do Carmo. Ela foi diagnóstica com lúpus ainda nos anos 90, quando procurou por um médico para tratar dores lombares, seguida de febre moderada e que não passava. “Tive as primeiras manchas no rosto e no pescoço, o que começou a me preocupar, pensando que era alguma alergia. Então, procurei o médico e logo veio a surpresa: o lúpus”, disse a dona de casa, que prefere não se identificar.

Com o tempo, a doença foi controlada, mas não antes de deixar algumas seqüelas na dona de casa. “Eu tenho hoje problemas graves de cicatrização, tendo grandes aquelóides na orelha e onde me corto. É muito ruim, mas tenho consciência de que este foi um dos males menores”, complementou.

Tratamento
O tratamento, realizado por um reumatologista, inclui o uso de protetor solar, anti-inflamatórios, corticoides e imunossupressores, mas a conduta médica varia conforme o indivíduo. “Embora ainda sem cura, com a medicação correta, a doença pode ser tratada com sucesso. A sobrevida do paciente tem sido cada vez maior, chegando a 98% em alguns casos”, explica Lenise. A recomendação é procurar sempre orientação médica, caso algum dos sintomas se manifeste

Portador de lúpus poderá ter aposentadoria e isenção de IR
A Câmara dos Depu- tados está analisando o Projeto de Lei 4703/12, de autoria do Senado, que inclui o lúpus na lista de doenças graves para fins de isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou afastamento causada por acidente em serviço.

O lúpus é uma doença inflamatória crônica que afeta a pele, as articulações, os rins e o sistema nervoso, além de outros órgãos.

Autor da proposta, o senador licenciado Vicentinho Alves (PR-TO) ressalta que a doença faz muitas vítimas.

“Os estudos disponíveis mostram que tanto a sobrevida quanto a qualidade de vida dos doentes de lúpus dependem de seu status sócio econômico e da qualidade da atenção que recebem para sua doença, o que demonstra a necessidade de que políticas públicas específicas, voltadas para esse grupo de doentes, sejam formuladas”, diz.

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