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11/11/2013
O otorrinolaringologista João Bitar Júnior em atendimentoOtorrinolaringologista alerta sobre as formas de prevenir e identificar a surdez na infância
Muitas vezes não detectada na infância, a surdez causa inúmeros problemas, especialmente no que se refere ao aprendizado e ao desenvolvimento da fala. Em muitas caos, o problema é detectado tardiamente, o que faz com que a eficácia do tratamento se torne bem menor ou, mesmo até deixe de existir.
O ideal é que os pais fiquem atentos a possíveis sinais nas crianças, como desatenção, atraso no aprendizado e no desenvolvimento da linguagem, troca de letras no momento da fala, falta de vontade de participar nas aulas, dificuldade de adquirir vocabulário e desenvolver a linguagem quando começam a escrever. Se a criança tiver inflamações freqüentes no ouvido, chegando a quatro ou mais por ano, também pode ser um sinal de surdez.
Alerta
Para alertar sobre este problema, o otorrinolaringologista João Bitar Júnior concedeu entrevista à Tribuna de Ituverava. Segundo o médico, a surdez na infância é um tema relevante, especialmente porque se for diagnóstica tardiamente, ocasiona sérios prejuízos à criança. “A deficiência auditiva durante a infância sempre resulta em déficits na recepção e expressão da linguagem, que se torna comprometedora no desempenho das funções cognitivas, emocionais, sociais e comunicativas”, afirma.
“Este tipo de deficiência se não for diagnosticada precocemente a criança, perde a inadiável oportunidade de ser inserida em um programa médico-educacional de habilitação, que lhe proporcionará a oportunidade de se desenvolver e exercer plenamente sua cidadania”, ressalta Bitar.
Perigo invisível
Ainda segundo ele, pode ser difícil diagnosticar a deficiência em crianças. “Um bebê com deficiência auditiva normalmente demonstra uma aparência sadia e tem um desenvolvimento praticamente normal durante o primeiro ano de vida. Mas quando não é detectada no primeiro ano, irá interferir de modo trágico na habilidade da criança em aprender a falar, no desempenho escolar e na capacidade de contribuir produtivamente para a sociedade”, ressalta.
“Além do mais, habilidade reduzida para ouvir na juventude compromete adversamente o potencial vocacional do indivíduo. A somatória desses problemas conduz a uma atitude bilateral de segregação, pela qual o deficiente auditivo rejeita a sociedade e esta, por sua vez, rejeita o deficiente auditivo”, destaca.
A surdez ou a deficiência auditiva podem fazer com que a criança não fale ou que tenha grande dificuldade para fazê-lo, os especialistas afirmam que o ideal é que os pais verifiquem se a criança consegue escutar, porque este é muitas vezes o problema.
Teste da Orelhinha é fundamental para diagnóstico precoce da surdez
Ootorrinolaringologista João Bitar Júnior lembra que o diagnóstico das deficiências auditivas deve começar no berçário ou, no mais tardar, nos primeiros seis anos de vida do bebê. “Hoje, toda criança recém-nascida deve realizar o exame de otoemissões acústicas, popularmente conhecido como Teste da Orelhinha. Em alguns casos específicos também deve ser realizada pesquisa de potenciais evocados de tronco cerebral (BERA)”, alerta.
“Já em crianças maiores se for observado algum déficit auditivo, os pais devem encaminhá-las para avaliação audiológica com profissional atuante na área de Audiologia, para que ela possa ser submetida a alguns exames como otoscopia, testes comportamentais, exame audiométrico e exames eletrofisiológicos”, completa.
Tratamento
O Teste da Orelhinha é importante justamente porque quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil é o tratamento. O teste é feito logo que a criança nasce, ainda na maternidade. Através dele é possível identificar se ocorreu perda de audição no bebê.
Geralmente, após a surdez ser diagnosticada é implantado o coclear, equipamento eletrônico computadorizado que substitui totalmente o ouvido de quem tem surdez total ou quase total. Dependendo do grau de surdez, com este aparelho a criança pode ter um nível normal de audição.
Causas
As causas que podem levar à surdez na infância são várias. Entre elas, estão: histórico de surdez na família, infecções congênitas, como rubéola, sífilis, toxoplasmose e herpes; anomalias craniofaciais e uso de alguns medicamentos, especialmente antibióticos.
Faça o teste de audição e saiba como as crianças devem reagir aos sons
Até 3 meses: Assusta-se com ruído forte. Faz sons vogais como “ooh” e “aah”.
Dos três meses aos seis meses: Balbucia bastante.
Movimenta os olhos e vira a cabeça na direção de vozes.
Entre seis meses e nove meses: Responde ao seu próprio nome. Imita a fala com sons brinca com repetição da voz (la-la-la-la).
De nove a 12 meses: Responde diferentemente a conversa feliz ou raivosa. Usa duas ou três palavras corretamente
De um a dois anos: Identifica pessoas e partes do corpo. Pode nos dizer o que quer. Gesticula com fala apropriada. Repete algumas palavras ditas. Aumenta o vocabulário com aproximadamente 20 palavras.
Sintomas de perda auditiva nas crianças
Não se assusta com sons intensos
Falta de atenção
Isolamento ou agitação
Trocas na fala
Demora para falar
Dificuldade para entender o que as pessoas falam
Senta próximo à TV mesmo com o volume alto
Vira a face para um determinado lado (tendência a priorizar a orelha com melhor audição)
Baixo rendimento escolar
Dicas para a estimulação da linguagem e potencial auditivo das crianças
Converse com a criança desde cedo, não importa se ela não responde
Quando você fala com ela, está mostrando como usar os lábios e a língua
Não deixe de cantar para o bebê quando ele estiver acordado
Cante com voz suave, em tom amoroso
Leia em voz alta para o bebê, nada estimula mais a criança do que escutar você falar
Livros ilustrados com figuras e desenhos complementam esse estímulo e são ótimos para desenvolver as habilidades infantis