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11/11/2013
Criança forma a palavra “Learn”, que em português significa aprenderSecretaria Estadual de Educação estuda implantar inglês na grade curricular das escolas
Um projeto-piloto lançado pela Secretaria Estadual de Educação em parceria com o Ministério da Educação e Cultura da Holanda tem causado polêmica. De acordo com o projeto, cerca de 1,5 crianças do 1°, 2° e 3° anos do Ensino Fundamental terão aulas de inglês em dez escolas da Rede Estadual de Ensino ainda neste ano. Caso o resultado seja considerado positivo, as aulas deverão ser implantadas futuramente em todas as escolas estaduais de São Paulo.
O projeto-piloto tem gerado polêmica porque muitos acreditam que entre 6 e 8 anos, ainda não é idade adequada para que a criança comece a aprender uma nova língua. Esta será a primeira vez que o idioma será oferecido para este público em escolas brasileiras. O método de ensino é chamado de Early Bird, que foca nessa faixa etária e trabalha a oralidade sem comprometer a alfabetização.
Primeira Fase
Nesta primeira fase de projeto-piloto, as aulas serão ministradas duas vezes por semana, em escolas de Assis, Diadema, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Jacareí, Lins, Ourinhos, Santos, São Paulo e Suzano.
Para preparar os professores, a Secretaria de Educação implantou na Escola de Formação e Aperfeiçoamento do Professor (Efap) um curso especializado com duração de uma semana.
Na segunda etapa, o curso será oferecido para outras 40 unidades de ensino no próximo ano, chegando a 8 mil crianças a partir dos 6 anos.
Projeto-piloto
De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, o projeto-piloto terá assessoria da Universidade de Ciências Aplicadas de Roterdã (RUA). O lançamento contou com a presença do secretário da Educação, do Estado, professor Herman Voorwald, e dos 60 educadores da Rede Estadual que serão os primeiros a ministrar as aulas de Inglês a partir deste mês.
A abertura do curso de formação dos professores teve a participação, por videoconferência, do professor Karel Philipsen, que mora na Holanda e é diretor do Centro Early Bird, que inspirou o projeto paulista.
Para a realização do projeto, o governo firmou parceria com a Holanda, que é um país considerado referência no ensino do segundo idioma durante a alfabetização.
Os dois lados
Quando o projeto foi anunciado, houve muita repercussão, tanto positiva quanto negativa. Há quem diga que o ensino de uma língua estrangeira geraria uma sobrecarga à criança, que está em momento de alfabetização e ampliando o seu conhecimento oral sobre a sua própria língua.
Há também os que defendem que algumas crianças podem estar preparadas para uma nova língua, mas outras não. Então, seria arriscado incluir a nova disciplina. Além disso, o período mais propício para que a criança aprenda se estende até a puberdade, então começar a aprender Inglês um pouco mais tarde, não traria prejuízo à criança.
Outro lado
No entanto, o Centro Early Bird, parceiro da Secretaria Estadual de Educação no projeto, é referência no ensino de uma segunda língua para crianças. Na Holanda, por exemplo, isso acontece desde os 6 anos, e o resultado sempre foi muito positivo. Isto porque com 6 anos, a criança já possui a capacidade de organizar, em sua cabeça, todos os conhecimentos que adquire. Se ela tivesse lições de Inglês antes desta idade, certamente poderia confundir os dois idiomas.
No entanto, especialistas da área da Educação e da Psicologia afirmam que, nesta idade, o ensino de uma segunda língua só traria benefícios às crianças, que poderiam, inclusive, aprender o Inglês mais rápido que um adulto, por estar em uma idade em que absorve novas informações com mais facilidade.
Livro de educadoras aborda ensino de segunda língua para crianças
Um livro recentemente lançado, intitulado Einstein Teve Tempo para Brincar, de autoria das educadoras norte-americanas Diane Eyer, Kathy Hirsh-Pasek e Roberta Michnick discutiu este tema. Segundo a obra, as crianças, inclusive as de 6 anos, têm muito mais facilidade para aprender uma segunda língua. Porém, para isso, é necessário que o idioma tenha um significado emocional para ela. O ideal para que isso ocorra é que os pais interajam com os filhos em casa através do inglês.
Ainda de acordo com o livro, 6 anos é a idade indicada porque o cérebro da criança funciona como uma biblioteca até os seus 4 anos. É como se chegassem os livros, mas a criança não conseguisse arrumá-los. A partir dos 6 anos, a criança consegue separar todas as informações em sua cabeça, o que permite que ela aprenda tudo com mais facilidade, inclusive um novo idioma.
Outra afirmação da obra que se uma pessoa aprende um segundo idioma, ela terá mais facilidade para aprender um terceiro. Isso porque o cérebro compreende que existem outras línguas e fica mais receptivo a elas.
Enquete
Para saber o que pensa o ituveravense, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana, perguntar aos entrevistados se eles concordam com o ensino da língua inglesa para crianças entre 6 e 8 anos. Confira: