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02/12/2013
Diálogo foi gravado, às escondidas, pelos policiais militares que atenderam a ocorrência. Segundo promotor, da forma como foi obtido, não possuí valor legal.
O Fantástico mostra uma gravação exclusiva: uma conversa entre a mãe e o padrasto do menino Joaquim, logo depois de a criança sumir, no interior de São Paulo.
O diálogo foi gravado, às escondidas, pelos policiais militares que atenderam a ocorrência. A reportagem é de Evandro Siqueira e João Carlos Borda.
"Amor, eu não sei o que aconteceu. Eu juro por deus" – Guilherme Longo.
A voz, segundo policiais militares, é de Guilherme Longo, padrasto do menino Joaquim.
A criança, de 3 anos, morava com ele e com a mãe, Natália Ponte, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Joaquim desapareceu no dia 5 de novembro. O corpo foi encontrado cinco dias depois, em um rio em Barretos - a 110 quilômetros da casa onde ele morava.
Os legistas não encontraram água no aparelho respiratório. Concluíram que a criança não morreu por afogamento. Também não acharam nenhum ferimento que pudesse ter sido fatal.
Assim, não conseguiram apontar a causa da morte. A Justiça decretou a prisão temporária da mãe e do padrasto.
“As suspeitas pesam sobre ele, a motivação do crime ela já deu - ela vem declarando sistematicamente que ele tinha ciúme do menino, que ele era uma pessoa agressiva, que ele era uma pessoa violenta, dizia que o menino era um pedacinho do ex-marido da Natália, que sempre estava presente na vida do casal”, declara Marcus Túlio Alves Nicolino, promotor.
Agora surge uma novidade no caso. Dois policiais que atenderam a ocorrência entregaram ao delegado que investiga a morte de Joaquim uma gravação. É uma conversa entre Guilherme e Natália, dentro da casa, logo depois da chegada da polícia. O diálogo foi gravado sem que nenhum dos dois soubesse. E sem autorização da Justiça.
Os policiais disseram que ficaram preocupados ao saber que Joaquim era diabético, e estava sem o medicamento, insulina, havia algumas horas.
“Ele podia tá escondido em algum lugar, precisava de medicamento, de remédio, foi o motivo pelo qual a gente, o estado de necessidade, urgência ali, a gente ter gravado a conversa dos dois”, explica sargento da PM João Augusto Brandão.
Também contaram como fizeram pra esconder um gravador na cama do casal.
“Enquanto Natalia e Guilherme conversavam comigo, sentado na cama, eu tava em pé na frente deles, o sargento foi e deixou lá no edredom. Saímos do quarto e eles ficaram conversando”, diz Ricardo Boutelet, policial.
A gravação foi entregue à polícia esta semana. Em vários momentos, há muito ruído ambiente. Mesmo assim, é possível entender diversos trechos com clareza. No início, Guilherme aparenta estar confuso com o desaparecimento de Joaquim.
“Tava deitado aqui. Não é possível, veio” – Guilherme.
Ele também fala das desconfianças da polícia.
“Não é possível o moleque ter sumido assim. O pior é que tá todo mundo desconfiando de mim, amor” – Guilherme.
A mãe de Joaquim tenta entender o sumiço do filho. Guilherme contou à polícia que saiu na noite do desaparecimento de Joaquim, para tentar comprar droga.
Natália pergunta: “Será que ele não saiu atrás de você de madrugada?”
Guilherme – “Amor, eu tranco tudo, o portão, amor, tranco tudo! Você acha que se o Joaquim tivesse saído atrás de mim, eu não ia ver? Não... pensa... faz sentido nenhum isso”.
Natália questiona Guilherme sobre drogas.
Natália - Ontem então você não conseguiu comprar?
Guilherme – Não.
Guilherme prossegue: “Você sabe o que acho que tem que fazer? Ver se tem digital, ver se tem alguma coisa. Como que alguém ia entrar aqui e não ia ter nada?”.
No final, Natália chora: “Eu quero ele”.
Guilherme – Ele vai aparecer, amor. Ele vai aparecer. A gente vai atrás dele, ele vai aparecer amor... A gente precisa ficar com a cabeça boa pra achar ele.
O promotor diz que os áudios não servirão como prova. “Se houvesse uma autorização judicial pra gravação daquela conversa e também se os interlocutores houvessem dado autorização, aí sim. Mas da forma como ela foi obtida, não tem valor legal”, explica.
O delegado mandou fazer a transcrição completa do diálogo. Mas acha que a gravação não desvenda o crime.
“Demonstra, na verdade, ali, a reação do casal. Apenas nesse sentido. Não traz nenhum dialogo interessante no que diz respeito à morte do menino”, aponta Paulo Henrique Martins de Castro, delegado.
E a conduta dos policiais?
“Acredito que eles agiram dessa forma na tentativa de localizar a criança apenas”, diz delegado.
“Entende-se que é uma prova ilícita. Mas ao ver da defesa, ainda que utilizada em sede de inquérito, em nada atrapalha a defesa porque não compromete em nada em relação ao Guilherme. Ele nega a autoria do crime”, afirma Antonio Carlos de Oliveira, advogado do Guilherme Longo.
Procurado, o advogado de Natália não quis comentar a gravação.
“Pesadelo! Eu tô tendo um pesadelo! Não é possível!”, diz Guilherme numa das gravações.
Fonte: g1.globo.com