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ECONOMIA

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05/12/2013

BC MUDA DISCURSO E SINALIZA QUE JUROS PODEM SUBIR MENOS

Após elevar seis vezes a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode diminuir o ritmo de alta da Selic, ou mesmo parar de subir a taxa em sua próxima reunião. A sinalização veio na ata do último encontro do colegiado, divulgada nesta quinta-feira (5).

No documento, o Copom mudou o discurso em relação a outubro: não consta mais a frase que afirmava ser “apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso” – ou seja, indicava que as reuniões seguintes determinariam novas elevações de 0,5 ponto percentual, como ocorreu na semana passada, quando a Selic passou de 9,5% para 10% ao ano.

A taxa básica da economia vem subindo desde abril, quando estava em 7,25% ao ano (mínima histórica). Até o momento, foram seis elevações seguidas que, ao todo, somaram 2,75 pontos percentuais – visto que a taxa está, atualmente, em 10% ao ano.

Mercado prevê alta menor em janeiro
O mercado financeiro acredita, até o momento, em duas novas altas de juros em 2014, sendo a primeira delas justamente em janeiro do ano que vem. Entretanto, os próprios analistas já preveem uma redução do ritmo de crescimento do juro básico.

A expectativa é de que o Copom suba a taxa Selic, em janeiro, de 10% para 10,25% ao ano – uma elevação de 0,25 ponto percentual (metade do ritmo implementado nos últimos meses). A outra elevação aconteceria, na estimativa dos analistas do mercado, somente em dezembro do ano que vem – quando a taxa subiria para 10,50% ao ano, patamar no qual encerraria 2014.

Política de juros `especialmente vigilante´
Apesar de retirar a avaliação, em novembro, de que seria apropriada a continuidade do ritmo de alta dos juros que vinha sendo implementado, o Copom manteve a afirmação de a política monetária [de juros para conter a inflação] "deve se manter especialmente vigilante" de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.Porém, acrescentou a seguinte observação: "Ao mesmo tempo, o Comitê pondera que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens".

Comunicado do Copom
No comunicado divulgado após a reunião do Copom, na semana passada, a autoridade monetária também já havia alterado o discurso ao retirar a avaliação de que a alta de juros contribuiria para "colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano". Essa frase constava nos últimos quatro comunicados (reuniões entre maio e outubro deste ano).

Repasse da alta do dólar
O Copom manteve a avaliação, porém, de que a alta do dólar e a volatilidade (sobe e desce) da taxa de câmbio, verificadas nos últimos trimestres "ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos" (alta da inflação)."Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária", repetiu o BC.

Metas de inflação
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem afirmado, porém, que a inflação teria queda neste ano frente ao patamar registrado em 2012 (5,84%) e novo recuo no ano de 2014.

Previsões do Banco Central
Na ata do Copom de novembro, divulgada nesta quinta, o Banco Central diz que, para 2014, momento no qual a autoridade monetária já está olhando no momento de fixar os juros básicos da economia, a sua projeção de inflação se manteve estável no cenário de referência (câmbio e juros estáveis) e "recuou" no cenário de mercado (que considera as estimativas dos analistas para câmbio e juros nos proximos meses), em relação aos valores considerados em outubro, posicionando-se, em ambos os casos, acima da meta de 4,5%. "Para o terceiro trimestre de 2015, nos dois cenários, a inflação se posiciona acima da meta".

Fonte: g1.globo.com

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