Nossa Capa


Publicidade





REGIϿ�O

Voltar | imprimir

12/12/2013

MÃE DE JOAQUIM PRESTA O PRIMEIRO DEPOIMENTO APÓS SAIR DA CADEIA

Natália Ponte presta primeiro depoimento nesta quinta-feira após obter habeas corpus (Foto: Reprodução/EPTV)

A mãe do menino Joaquim Ponte Marques, Natália Ponte, chegou à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto (SP), por volta das 14h desta quinta-feira (12), para prestar o primeiro depoimento, após ter sido libertada da cadeia na tarde de quarta-feira (11). A psicóloga entrou pelos fundos do prédio e estava acompanhada do pai, Vicente Ponte.

O delegado que chefia as investigações, Paulo Henrique Martins de Castro, afirmou que desta vez Natália não foi intimada, mas sim convidada a falar à polícia. Em depoimentos anteriores, a psicóloga, segundo Castro, apontou fatos relevantes que vão ajudar a polícia a indiciar o companheiro dela e padrasto de Joaquim, Guilherme Longo, como responsável pela morte da criança. Longo é considerado pela polícia o principal suspeito do crime. Ele segue preso temporariamente em uma cela da Delegacia Seccional de Barretos. Natália e Longo negam as acusações.

Natália Ponte deixou a Cadeia Feminina de Franca (SP) na tarde da última quarta-feira em um carro escoltado pela polícia. Moradores que esperavam do lado de fora da prisão chegaram a dar socos no veículo em que ela estava e outros a chamavam de assassina. A psicóloga não deu declarações e o local para onde foi levada não foi informado pela família. A mãe de Joaquim conseguiu a liberdade depois que o TJ-SP concedeu, na terça-feira (10), o habeas corpus, impetrado por um advogado de São Paulo, que não participa do caso.

A mãe do menino Joaquim prestará o seu primeiro depoimento após ser solta, nesta quinta-feira. O delegado que investiga o caso disse que não enviou uma intimação à Natália, mas apenas a convidou a prestar novos esclarecimentos, antes da conclusão do inquérito. O pedido de soltura foi feito pelo criminalista Francisco Ângelo Carbone Sobrinho, de São Paulo (SP), que não é o advogado instituído pela família de Natália para cuidar do caso, mas que decidiu interferir por acreditar na inocência da mãe da criança. Carbone Sobrinho chegou a defender o goleiro Bruno, envolvido na morte de Elisa Samúdio.

O pedido de liberdade foi deferido pelo desembargador Péricles Piza, da 1ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, julgando que a soltura de Natália não prejudicaria o andamento das investigações. A mãe do garoto cumpria prisão temporária desde o dia 10 de novembro, quando o corpo de Joaquim foi encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos (SP).

Defesa de Longo
O padrasto do menino, o técnico em TI Guilherme Longo, segue detido na Delegacia Seccional de Barretos. O casal é considerado pela polícia suspeito de envolvimento na morte e no desaparecimento do garoto, e teve a prisão temporária prorrogada, na segunda-feira (9), por mais 30 dias. Ambos alegam inocência. O advogado de defesa, Antônio Carlos de Oliveira, pediu ao TJ-SP, na última quarta-feira, que estenda ao seu cliente o habeas corpus concedido à mãe do garoto.“Se o desembargador não levou em conta a preservação da integridade física de Natália e a fundamentação foi genérica, os mesmos motivos também servem para o meu cliente”, disse.

Oliveira anexou a decisão do habeas corpus concedido à Natália junto ao agravo regimental de Longo, protocolado no dia 2 de dezembro. É aguardado um parecer do desembargador em até 30 dias. O recurso será utilizado após o TJ-SP ter negado o pedido de liminar de habeas corpus a Longo, no dia 29 de novembro. O defensor também já havia entrado com um pedido de revogação da prisão temporária, mas a ação foi negada pela juíza Isabel Cristina Alonso dos Santos, da 2ª Vara do Júri e de Execuções Criminais de Ribeirão Preto (SP).

O caso
Desde o início da investigação, a Polícia Civil aponta para o fato de que Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, que fazia tratamento contra diabetes – doença recém-descoberta pela família – possa ter morrido por uma alta dosagem de insulina. A hipótese surgiu, segundo a polícia, com os primeiros depoimentos de Natália e de Longo após a prisão. O padrasto afirmou ter tentado se matar, dois dias antes do desaparecimento de Joaquim, aplicando em si mesmo 30 unidades de insulina.

Antes, porém, havia afirmado à companheira que teria autoaplicado apenas duas unidades. As informações divergentes foram relatadas por Natália à polícia, contando que também encontrou uma pesquisa feita por Longo na internet, sobre os riscos do uso de insulina. A psicóloga ainda descreve Longo como uma pessoa agressiva e ciumenta.

Na semana passada, Nicolino afirmou que, dias antes do sumiço de Joaquim, o padrasto havia comprado cinco ampolas de insulina, além de uma caneta aplicadora. Uma das ampolas teria sido usada no garoto e outras três foram apreendidas pela polícia na casa da família. “Uma desapareceu”, disse.

Na segunda-feira (9), o delegado afirmou que os exames feitos nas vísceras e no sangue de Joaquim e que poderiam apontar a insulina em excesso no organismo do menino não detectaram a substância. Segundo Castro, o resultado não altera a linha de investigação, uma vez que especialistas confirmaram que a insulina é metabolizada rapidamente pelo organismo.

Apesar de a Polícia Civil e o Ministério Público de Ribeirão Preto (SP) afirmarem categoricamente que o padrasto é o principal suspeito de cometer o crime – e que tinha motivações para isso –, ainda não está claro como, de fato, a criança foi morta.

Voltar | Indique para um amigo | imprimir