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29/12/2013

FOGOS DE ARTIFÍCIO PODEM CAUSAR DANOS IRREVERSÍVEIS À AUDIÇÃO

Explosão de fogos na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro

Barulho causado pelas explosões pode chegar a até 120 decibéis

Já começaram os preparativos para a contagem regressiva para a virada do ano, à meia-noite da próxima terça-feira, 31 de dezembro. Embora seja uma data de alegria, confraternização e união, o réveillon esconde um perigo causado pelos fogos de artifício. Como o barulho causado pode ser intenso, motivo pelo qual os podem provocar sérios danos auditivos, até mesmo a surdez.

Isso porque o barulho emitido pelos fogos pode chegar a até 120 decibéis, quantidade bem maior que o limite seguro de exposição aos sons, que é de 85 decibéis. Com isso, aquele simples rojão pode causar a perda irreversível da audição. Isso porque, quando o barulho chega a 115 decibéis uma pessoa pode ficar exposta a ele por até 7 minutos no máximo.

Estima-se que 10 % da população mundial têm algum grau de perda auditiva, sendo que grande parte devido a exposição excessiva a sons que poderiam ter sido evitados, como o de rojões.

Para se ter uma idéia do quão forte é o barulho gerado pelos fogos de artifício, um avião, durante a decolagem, produz um som de cerca de 130 decibéis, ou seja, apenas 10 decibéis a mais que os rojões.

Problemas causados
Outros problemas causados pela exposição ao barulho dos fogos de artifício, temporários são: sensação de pressão nos ouvidos, zumbido, dificuldade para ouvir, tontura, irritabilidade, sensação de ouvido tampado e estalos no ouvido.

Na explosão dos fogos, quanto mais a pessoa estiver próxima, mais prejuízos são causados à sua audição. Este é um importante alerta para as pessoas que soltam os fogos de artifício, pois são elas, geralmente, que ficam mais próximas no momento da explosão.

Mais barulho
O problema dos fogos de artifício se torna ainda mais grave porque nesta época do ano vem acompanhado por outras agressões à audição.

Na virada do ano, é comum as pessoas estarem em festas ou shows, onde há som alto e conversa em altura elevada. Todo esse barulho só prejudica ainda mais a audição, agravando os efeitos dos fogos de artifício.

Pessoas devem “fugir” do barulho excessivo em festas
Nesta data, é praticamente impossível conseguir fugir de todo o barulho. Mas existem alguns meios para amenizá-los. Em uma festa, por exemplo, é fundamental que a pessoa não fique muito próxima à caixa de som. Caso isso não seja possível, ela deve se distanciar do aparelho e ficar afastada por um bom tempo. A mesma medida deve ser tomada em relação aos fogos de artifício. O ideal é que as pessoas fiquem o mais longe possível do local onde ocorre a queima de fogos. Além de proteger a audição, ela poderá observar bem melhor a explosão dos fogos no céu.

Permanência
Se depois da festa os efeitos do barulho excessivo, como estalos e sensação de ouvido tampado, continuarem, é indicado que se procure um otorrinolaringologista imediatamente, pois existe a possibilidade das explosões terem comprometido as estruturas internas do ouvido.

Em muitos desses casos, é necessário constatar a perda auditiva através do audiométrico. Depois disso, muitas pessoas passam a ter que usar aparelhos auditivos.

outros vilões
Não são apenas os rojões os vilões da saúde auditiva. A exposição a ruídos intensos pode estar escondida em atos muito mais simples, como o uso incorreto de um simples equipamento como MP3 e MP4, que, no volume máximo, pode chegar a 120 decibéis.

Pesquisa revela danos provocados pelo som alto
Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Buenos Aires (UBA) revela que o som alto pode causar danos na memória e nos mecanismos de aprendizagem de animais em fase de desenvolvimento. O resultado da pesquisa foi publicado na revista Brain Research.

Os pesquisadores utilizaram camundongos entre 15 e 30 dias, que se iguala a faixa etária humana de 6 a 22 anos. Os ratos, que possuem sistema nervoso semelhante ao dos seres humanos, foram colocados em uma intensidade de ruído entre 95 e 97 decibéis (dB), mais do que o considerado patamar seguro, que varia entre 70-85 dB. O som usado para o experimento foi o ruído branco, que é um sinal que contém todas as freqüências de som e é semelhante ao de uma televisão mal sintonizada.

Depois de finalizado, os cientistas descobriram que com duas horas de exposição aos ruídos, os ratos apresentaram seqüelas irreversíveis nas células cerebrais. Foram observadas e identificadas anormalidades na área do hipocampo, região que associa processos de memória e aprendizado. A exposição ao som alto pode cometer danos na deficiência auditiva, cardiovascular e do sistema endócrino, como também estresse e irritabilidade.

Alerta
Segundo os cientistas, as evidências apontam que o mesmo poderia ocorrer com seres humanos em desenvolvimento, embora seja difícil comprovar, pois não podem expor crianças a este tipo de experiência. O estudo deve servir como um alerta para evitar a exposição de crianças e jovens a altos sons e ruídos.

A próxima etapa é saber e detectar qual o mecanismo molecular afetado pelo ruído nas células do hipocampo. Ainda não é possível saber se o dano é gerado pelas vibrações sonoras ou se o som ativa neurotransmissores que causam o problema.



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