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26/01/2014
O diretor da FFCL, Antônio Luis de Oliveira (“Toca”), e a formada Cássia Helena Barbosa Sousa Calabrezi. No destaque, ela exibe o diplomaCássia Helena venceu dificuldades e foi eleita a melhor aluna da turma de Ciências Biológicas
Formada na turma deste ano de Ciências Biológicas, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), Cássia Helena Barbosa Sousa Calabrezi, 26 anos, é um exemplo de superação.
Durante a sua graduação, a jovem, que é cadeirante, enfrentou muitas dificuldades e mesmo assim se superou e foi sido escolhida como a melhor aluna da turma. Como prêmio, ela poderá fazer pós-graduação gratuitamente na FFCL.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, ela falou sobre as principais dificuldades enfrentadas. “A principal dificuldade que um cadeirante enfrenta no seu dia-a-dia é falta de acessibilidade e, conseqüentemente, essa foi, em alguns momentos, um problema para mim. Quando entrei na Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram) campus 2, onde o curso funciona, as classes, a entrada para a Secretaria e Laboratório tinham degraus, o que me prejudicava, pois apesar de pessoas prontas para ajudar, em algumas ocasiões essa situação causava constrangimento”, lembra.
“Mas não demorou muito para o diretor Márcio Pereira providenciar rampas em todos os locais necessários e, hoje a Fafram é totalmente acessível. A instituição deu todo apoio necessário, e sou grata por isso”, ressalta.
Estágio
Cássia também lembrou os principais problemas enfrentados no trajeto para a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Humberto França”, onde fazia estágio. “Ao realizar os estágios enfrentei arduamente os paralelepípedos e ruas esburacadas até a escola Humberto França, pois eu ia e voltava de cadeira. Foi uma etapa muito difícil, o que seria diferente se as ruas de nossa cidade tivessem condições para um cadeirante circular livremente”, diz a jovem, que mora há dois quarteirões da Praça Dez de Março.
“Sobre à escola que fiz o estágio, ela é bem acessível na parte de dentro, não tive problemas. Porém, mais uma vez a falta de acessibilidade esteve presente na entrada, onde nunca consegui entrar e sair sozinha”, destaca.
Cássia ia de ônibus de Prefeitura na faculdade, o único que possui elevador especial para cadeirantes. “O ônibus me transportava da minha casa a escola e trazia de volta. Foi um pouco difícil me adaptar, mas contei com a paciência e dedicação do motorista sr. Expedito, a quem agradeço de coração por cada noite que sai e voltei para minha casa com segurança”, lembra.
Direito
Cássia encerrou a entrevista deixando um importante recado. “Todos têm o direito de ir e vir, onde e quando quiserem. Estejam atentos comerciantes de Ituverava, pois posso garantir que a maioria não está cumprindo a lei, e está violando o direito da liberdade. Rampas em estabelecimentos é obrigação, é lei e, além de tudo, é respeito”, afirma.
“Espero que as autoridades comecem a multar e impor lei para aqueles que param com os carros em frente às rampas, impedindo o acesso do cadeirante. Também espero que a Prefeitura construa rampas mais planejadas, para que realmente sejam úteis", completa.
A Ituveravense
Cássia Helena Barbosa Sousa Calabrezi, 26 anos, é casada com Paulo Gustavo de Almeida Calabrezi. Ela é filha de Sílvio Roberto de Sousa e Marilda Nilza Barbosa Sousa e tem as irmãs Sandra Valéria Barbosa Sousa Lima e Roberta Cristina Barbosa Sousa Silva.
A nova formanda é um exemplo de determinação e superação
Ela ainda falou sobre os motivos que a levaram a ser tão dedicada. “Minha vontade de vencer vem da intenção de ter um trabalho que seja fruto do meu esforço, e oferecer à minha mãe, Marilda Nilza Barbosa Sousa, o mínimo de tudo que ela já fez por mim, pois ela é minha maior motivação. Nada nessa vida se consegue facilmente, tudo é conquistado com esforço e, sou apenas mais uma pessoa querendo vencer profissionalmente, e realizar desejos pessoais”, observa. “Sou incentivada pelo meu marido Paulo Gustavo de Almeida Calabrezi, que tem me apoiado e cuidado de mim, o que me deixa mais forte, pois mostra que não estou sozinha. Aliás, essa força não vem de mim, vem de Deus que é maior que todos, que capacita e fortalece tudo, pois Ele sempre soube o que é melhor pra mim”, diz.
Futuro
A jovem ainda falou sobre os seus projetos para o futuro. “Quero me especializar em Educação Especial e aprender mais sobre esse universo e, pode parecer pretensão, mas quem sabe um dia ser docente de um curso de licenciatura, para ter a oportunidade de repassar os conhecimentos que aprendi”, afirma.