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27/01/2014
Embalagens genéricas de cigarro da Austrália: Brasil também poderá adotá-las Com a medida, Anvisa quer reduzir a atratividades das pessoas pelos cigarros
Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que defenderá embalagens genéricas para cigarros. Caso a medida realmente passe a vigorar, os maços de cigarros não terão mais cores, símbolos ou marcas que diferenciem um produto do outro. As embalagens serão em formato padrão e carregarão apenas os nomes do fabricante e do grupo, além de grandes imagens de advertência, informando os prejuízos do cigarro à saúde.
O objetivo é reduzir a atratividade pelo cigarro e eliminar os efeitos causados pela publicidade das marcas A medida já foi adotada na Austrália há anos, e contribuiu para diminuir o número de fumantes. A ação foi elogiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e já é estudada por muitos outros países, especialmente os europeus.
De acordo com o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, a idéia é defender a proposta em fóruns nacionais e internacionais, além de promover estudos que mostrem a eficácia dos maços genéricos e mobilizar forças no Congresso Nacional, onde a mudança da lei para instituir as novas embalagens deve ser aprovada. "Esse é o próximo passo que o Brasil precisa dar. A Anvisa vai mover esforços técnicos para demonstrar o benefício de uma medida como essa e esforços políticos para que o país faça a discussão", diz.
Ainda segundo ele, como o país teve uma queda significativa no percentual de fumantes – quase 50% em 20 anos –, as próximas medidas no combate ao tabagismo precisam ser mais ousadas.
Exemplo
Uma pesquisa feita na Austrália, poucos meses após a implementação dos maços genéricos, apontou redução na atratividade do cigarro e o aumento no desejo de deixar o vício.
A indústria do tabaco, que tentou barrar as embalagens genéricas australianas na Justiça e em fóruns internacionais, sustenta que a medida não terá os impactos esperados, mas pode ampliar a presença de cigarros do mercado negro no país.
No Brasil, a proposta vinha sendo discutida só entre especialistas. Um Projeto de Lei a favor das embalagens genéricas chegou a ser proposto no Congresso em 2012, mas não avançou e foi retirado.
Apoio
A diretora-executiva da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), Paula Johns, elogiou a posição da Anvisa. "É excelente que eles estejam defendendo os maços padronizados", ressalta.
Porém, ela lembrou que já existem políticas contra o tabagismo instituídas no Brasil, mas carentes de implementação, como o veto aos aditivos de sabor do cigarro, medida suspensa pela Justiça. "O governo tem que partir para o caminho das embalagens genéricas, mas tem muita coisa que está pronta e ainda não foi feita", completa.
Médica Pneumologista elogia medida da Anvisa
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a médica pneumologista Renata Tristão Rodrigues Lima é favorável à medida da Anvisa. “Ela merece apoio, para que as embalagens dos maços de cigarros não tenham espaço para cores ou outros elementos gráficos que possam caracterizar como mensagem publicitária, porque desta maneira, não estimulará o consumo do produto”, afirma a médica.
“Não sei se a iniciativa pode combater o consumo, mas é papel do Estado assegurar que as pessoas tenham acesso à informações relevantes para tomar sua decisão quanto ao tabagismo, desta maneira as embalagens terão um apelo emocional que auxiliará no combate ao cigarro”, diz.
Ainda de acordo com a Dra, Renata, o preço do cigarro também deveria ser mais alto, com o propósito de inibir o fumo. “Fumar é um hábito muito prejudicial, pois além do câncer de pulmão, causa DPOC, bronquite, enfisema pulmonar e piora quadros alérgicos”, observa a médica.
Números
A médica também falou sobre o crescimento do número de fumantes no Brasil. “Subiu porque a população também cresceu, no entanto, as estatísticas mostram que as mulheres estão fumando mais e as pessoas com maior escolaridade, fumando menos”, destaca.
“Já em relação à população adulta, ativa economicamente, eu tenho dados que apontam diminuição da porcentagem de fumantes, principalmente pela restrição de áreas de fumantes e proibição em locais públicos”, conclui.
Fumar provoca
Vaso constrição e redução do fluxo de sangue nos tecidos
Lesão da camada celular interna dos vasos (endotélio)
Redução do colesterol bom (HDL)
Redução da liberação de oxigênio para os tecidos
Aumento da acidez do estômago
Irritação e inflamação de olhos, garganta e vias aéreas
Aumento da produção de radicais livres que lesam as células
Aceleração da arteriosclerose
Complicações
Fumar ainda prejudica o tratamento de doenças, como gastrite, úlcera péptica, esofagite de refluxo, angina, insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema e asma; aumenta complicações pós–operatórias, especialmente em idosos, obesos e pacientes em tratamento de doenças cardíacas ou respiratórias; inflama gengivas, escurece os dentes e causa mau hálito e aumenta o risco de catarata.
Doenças respiratórias
As substâncias presentes na fumaça do cigarro agridem os cílios das vias aéreas, dificultando a eliminação de muco e catarro, essencial para o bom funcionamento dessas vias. Além disso, com a idade, o fumo contribui para a queda da capacidade respiratória e para o aparecimento de outros problemas, como: tosse, chiado e falta de ar; bronquite crônica e enfisema (DPOC) – o fumo é responsável por 90% dos casos e aumenta o risco de incidência em dez vezes; distúrbios da voz e rouquidão e infecções das vias respiratórias e crise de asma.
Câncer
O cigarro contém mais de 40 substâncias cancerígenas que aumentam o risco de câncer de boca, faringe, laringe, traquéia, de pulmões, de esôfago, estômago, rins, bexiga e colo de útero, entre outros
Pele
Fumar aumenta o risco de rugas prematuras e de celulite e interfere na cicatrização de feridas cirúrgicas.
Doenças cerebrovasculares
Fumar triplica o risco de derrame cerebral (acidente vascular cerebral), sendo responsável por 25% das ocorrências da doença
Para as mulheres, fumar
Aumenta o risco de osteoporose, especialmente após a menopausa
Aumenta o risco de infertilidade
Aumenta em 39% as chances de desenvolver doenças coronarianas e 22% o risco de acidentes vasculares cerebrais quando associado ao uso de contraceptivos orais