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27/01/2014
Inflação é apontada como uma das causas para menos contratações. Recuperação do setor sucroalcooleiro em Sertãozinho fez crescer 1.621%.
A geração de empregos no ano passado nas cinco maiores cidades da região de Ribeirão Preto (SP) teve o pior desempenho dos últimos três anos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Juntos, os municípios de Ribeirão, Franca (SP), Barretos (SP), Sertãozinho (SP) e Bebedouro (SP) criaram 13,9 mil postos de trabalho, 18% a menos que em 2012, quando foram 17,7 mil novas vagas.
Com exceção de Sertãozinho, a indústria foi a principal responsável pelo resultado negativo em todas as cidades. Em Ribeirão, por exemplo, o saldo de contratações nesse setor vem diminuindo nos últimos quatro anos: 1.159 (2010), 798 (2011), 687 (2012) e 279 (2013). Em Franca, a queda na indústria foi de 20%, passando de 1.384 contratações, em 2012, para 1.104, no ano passado.
“Num primeiro momento, a queda na indústria não rebateu no mercado porque a indústria se retraiu, mas a renda da população e o consumo estavam altos e isso fez com que comércio e serviços suprissem, gerando muitos empregos. A partir do ano passado, esse cenário mudou”, explica o economista Rudnei Toneto Junior, professor da Faculdade de Administração e Economia de Ribeirão (FEA/USP).
Segundo Toneto Junior, o cenário regional é um reflexo da crise que afeta a economia nacional: o aumento da inflação em 2013 prejudicou a renda e, consequentemente, diminuiu o poder de compra das pessoas. Com queda nas vendas, comerciantes contrataram menos. “Uma coisa puxa a outra. O esgotamento do consumo provocou a baixa geração de emprego no comércio e em serviços”, diz.
O economista afirma ainda que a capacidade de crescimento regional atingiu a capacidade máxima e, assim como em todo o país, está limitada pela falta de infraestrutura. Para a economia continuar crescendo, de acordo Toneto Junior, é preciso investimentos em setores como energia e saneamento, por exemplo. “Voltaremos a crescer quando o país voltar a investir. Só isso pode aumentar a nossa capacidade produtiva.”
Sertãozinho contrata mais
Diferente das outras quatro maiores cidades da região, Sertãozinho foi a única que registrou crescimento na criação de empregos com carteira assinada no último ano. Segundo o Caged, o aumento foi de 1.621% - o saldo de 152 demissões, em 2012, passou para 2.617 contratações, no ano passado. O resultado foi observado na maioria dos setores, com destaque para agropecuária, que criou 1.091 novas vagas - ante o saldo de 738 demissões, no ano retrasado.
O economista Rudnei Toneto Junior explica que a recuperação do setor sucroenergético e, consequentemente, das metalúrgicas que fornecem máquinas para usinas foi importante para o desempenho positivo. Ainda de acordo com o Caged, as inústrias sertanezinas abriram juntas 1.195 novas vagas no ano passado, contra 834 em 2012 - crescimento de 43% “Após a crise nos canaviais, devido ao período de seca, o setor sucroalcooleiro se recuperou e teve um bom desempenho ao longo do ano, apesar até das chuvas no meio da safra. As usinas em produção movimentam o setor metalúrgico, que contratou mais gente. Sertãozinho tem a economia bastante dependente desses dois setores: indústria e agricultura", explicou o economista.
Fonte: g1.globo.com(EPTV)