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01/02/2014

EDIÇÃO 3065 ENQUETE - ESTUDO DIZ QUE PESSOAS OUVEM CERCA DE 100 MENTIRAS POR DIA

Pessoas que mentem no cotidiano têm tendência a mentir em situações mais sérias

Várias pesquisas recentes, em diversas áreas, estudam como e porque as pessoas mentem

Desde as desculpas esfarrapadas para faltar a um compromisso chato até um elaborado esquema de corrupção, todas as pessoas mentem. Algumas mais, outras menos, mas nenhuma consegue evitar a mentira uma vez ou outra. Este não é um comportamento atual do homem, mas sim algo que ele carrega desde períodos muito distantes.

A mentira nada mais é que um recurso para evitar determinada situação. O problema é quando mentir se torna um hábito, ou pior: um vício. É o que tem acontecido com a sociedade atualmente. Prova disso é uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Jerald Jellison, da Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos. Segundo o trabalho, cada pessoa ouve, em média, 100 mentiras por dia.

Neste ano, que é eleitoral, ao menos no Brasil esse índice ainda deve subir, já que não faltam políticos cheios de promessas que são esquecidas logo depois das eleições.

De acordo com a mesma pesquisa, as pessoas que mentem muito em situações do cotidiano também têm tendência a mentir em situações mais sérias.

Uma situação repleta de mentirosos muitas vezes é a entrevista de emprego. Segundo o estudo, 83% dos recém-formados mentem para tentar conseguir um emprego, e não se sentem culpados por isso.

Cara a cara
Outra pesquisa recente demonstra que é muito mais fácil mentir pelo telefone do que em um conversa presencial. Quase 40% das mentiras são contadas pelo telefone, enquanto 27% em conversas presenciais. Em seguida, vêm as mentiras por mensagens instantâneas do celular e redes sociais (21%) e por e-mail (14%).

Pesquisas apontam formas para identificar as mentiras
Mas todas essas mentiras, das mais bobas às mais sérias, podem ser, teoricamente, percebidas. É o que mostram algumas pesquisas recentes, dos mais diversos ramos científicos, como psicobiologia, neurociência, linguística e psiquiatria.

De acordo com todas essas pesquisas, as mentiras são divididas em dois grupos: as defensivas e as ofensivas. As do primeiro grupo são aquelas ditas para se proteger de uma situação desagradável.

Essas mentiras podem ir desde o pai que diz ao filho pequeno que o cachorro fugiu, quando na verdade ele morreu, até o assassino que diz que não esteve com a vítima no dia de sua morte.


Já as mentiras ofensivas são aquelas ditas para afastar uma pessoa ou grupo de algo valioso, para que o mentiroso possa usufruir. Neste grupo, se encaixam os falsificadores, os golpistas e até os políticos corruptos.

Com os avanços científicos, hoje especialistas já têm condições de identificar um mentiroso em 90% dos casos. Em situações em que ele é suspeito de um crime e com outros indícios que o apontem como culpado, esse índice pode chegar a 95%.

O interessante é que mesmo uma pessoa comum pode conseguir identificar a grande maioria das mentiras que escuta, desde que se prepare adequadamente. Isso porque várias pesquisas, sendo a pioneira realizada no início dos anos 60, demonstram que existem mudanças de expressão e corporais na pessoa que está mentindo.


O psicólogo Paul Ekman foi o primeiro a abordar o assunto, estudando a contração ou relaxamento de 43 músculos do rosto no momento em que uma pessoa mentia. As sete emoções básicas (medo, tristeza, nojo, alegria, desprezo, surpresa e raiva) podem ser lidas nas expressões faciais dos seres humanos. Os olhos também “falam” bastante. Através dele, o humano demonstra sinais de amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, confiança ou desespero.


Após testar a sua tese nos Estados Unidos, Paul Ekman fez o mesmo no Brasil, no Chile, na Argentina, no Japão e com indivíduos das tribos de Papua--Nova Guiné. Em todas as culturas as microexpressões básicas podiam ser facilmente associadas às mesmas emoções.

Na TV
Entre 2009 e 2011, Paul Ekman acompanhou as filmagens do seriado americano Lie to Me, que em português significa Minta para Mim. A história gira em torno de um interrogador profissional que tenta descobrir se possíveis envolvidos em crimes estão mentindo ou dizendo a verdade. O protagonista do seriado, o ator Tim Roth, recebeu treinamento especial do próprio Ekman, para que conseguisse imitar as expressões faciais que remetem às sete emoções clássicas.

Quem acompanha o seriado aprende muito sobre os sinais presentes quando uma pessoa mente. A série explica, por exemplo, que um criminoso tende a fingir surpresa e depois tristeza quando é interrogada sobre o destino da vítima.

Com isso, já fica mais fácil identificar a mentira, já que a surpresa pode ser encenada, mas parecer triste quando não se está é perceptível.

Facebook
Mesmo o site Facebook, que hoje já possui mais de 1 bilhão de usuários, consegue identificar mentirosos. O site consegue encontrar perfis falsos e removê-los. Isso porque mesmo no mundo virtual, existem sinais padrões para mentiras. Ao contrário dos perfis reais, os falsos tendem a dar explicações copiosas sobre por que eles são quem dizem que são. Eles precisam convencer e, ao se esforçarem muito, acabam se entregando.

Os chats na internet também permitem que as mentiras sejam identificas. Quando a pessoa diminui a velocidade normal com que tecla, por exemplo, ela pode estar mentindo. Isso pode ser interpretado como alguém que precisa ganhar tempo, pois está fabricando uma história. A verdade não precisa ser fabricada, mas a mentira, sim.

Enquete
Para saber se o ituveravense consegue perceber uma mentira, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Todos os entrevistados afirmaram identificar os sinais quando escutam uma mentira. Confira:


Confira as respostas:

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