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CIDADE

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03/02/2014

ABRAPA LANÇOU LIVRO SOBRE SAFRA DE ALGODÃO 2012/2013

Livro lançado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)

Obra traz dados históricos e importantes estatísticas sobre a cultura do algodão no Brasil

No início do ano, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) lançou o livro “A Cadeia do Algodão Brasileiro: Safra 2012/2013 – Desafios e Estratégias”. A obra, com 196 páginas, divulga importantes estatísticas sobre a produção do algodão no Brasil em 2013 e no ano anterior, além de trazer dados sobre a história da cotonicultura no país.

Em entrevista à Tribuna de Ituverava, o conselheiro da Abrapa e do IBA (Instituto Brasileiro de Algodão), Ronaldo Spiraldenlli de Oliveira, que também é presidente da APPA (Associação Paulista dos Produtores de Algodão) e da Câmara Setorial do Algodão da Secretaria Estadual de Agricultura, falou sobre o livro.

“A Abrapa contratou a Markestrat para realizar um estudo da cadeia do algodão, desde a fazenda até a tecelagem, mostrando a importância do setor, através de números representativos”, afirma.

Atual produção
Oliveira ainda falou sobre a atual produção de algodão no Brasil. “Produzir esta cultura na modelagem atual exige dedicação o ano todo e não somente nos meses entre o plantio e a colheita. Isto porque quando a colheita se inicia já é momento de planejar a próxima safra, iniciar a aquisição de insumos, prever as áreas a serem dedicadas ao plantio do algodão e iniciar as vendas futuras”, afirma.


“Os investimentos em funcionalismo, máquinas, preparação de solo, beneficiamento, transportes e administrativo são vultosos e, com certeza, têm peso importante na chamada ‘tomada de decisão’. A grande maioria dos investimentos no plantio de algodão não serve para produção de outra cultura e o produtor trabalha de modo a ter uma área mínima em que toda a sua estrutura é utilizada, não ficando com o parque de produção subutilizado ou parado”, diz.

Atualidade
Oliveira ressalta que hoje o algodão vive uma nova realidade, está sendo trabalhado como administração empresarial. “Inclusive, a cultura conta, atualmente, com grupos que produzem em áreas enormes, algumas chegando ao tamanho de municípios. Esta nova realidade do algodão ganha destaque nos Estados do Mato Grosso e Bahia, que juntas cultivam 85% da safra brasileira, nas áreas de cerrado”, diz.

“A explicação para isso é o clima destas regiões, que se assemelham ao clima da Austrália e dos Estados Unidos, países de origem das variedades mais cultivas atualmente”, destaca.

A postura do produtor de algodão também mudou muito, segundo Oliveira. “Ela evoluiu e os instrumentos modernos da administração estão presentes nas propriedades, auxiliando o ‘empresário’ na tomada de decisão e planejamento. São inúmeros os produtores que realizam vendas para exportação e que seguem a Bolsa de Nova Iorque, principal palco mundial do comércio de algodão, onde se tem informações atualizadas diariamente sobre o desenvolvimento da lavoura e tantas outras ferramentas disponíveis”, enfatiza.

Presidente enumera principais dificuldades enfrentadas no setor
Ronaldo Spirlandelli de Oliveira também falou sobre as principais dificuldades enfrentadas pelo produtor de algodão. “Elas são as mesmas do agro brasileiro. Começa pela imagem que se tem do produtor rural, passa pelas dificuldades de clima, legislação, incertezas jurídicas, carga tributaria, inexistência de logística, entre outros, terminando com a herculana dificuldade de se embarcar mercadorias nos portos brasileiros”, destaca.

“A imagem do produtor rural é extremamente distorcida, pois carregamos a pecha de escravagistas e inimigos do meio ambiente, sendo que todo produtor defende, sem que a grande maioria das pessoas se dê conta, cada nascente de água que tem dentro da propriedade. Isto é do produtor, pois ele aprende desde quando começa a ter contato com a terra de que toda água que passa pela fazenda é de extrema importância. É necessário que se valorize o produtor rural, pois é ele quem produz o que está nas refeições diárias, é ele quem produz matéria-prima para a tão consumida cerveja, uma das paixões nacionais, além de muitos outros exemplos”, diz.

Tributos
Oliveira criticou os altos índices de tributação pagos pelos produtores. “A carga tributária também afeta o setor, pois é um mal generalizado e não poupa ninguém que consuma de alguma forma no território nacional, seja nas áreas agro, comércio, serviços ou indústria. A tributação no Brasil é avassaladora, fonte de corrupção, dando causa a inúmeros males que temos que conviver diariamente”, destaca.

“Outro problema é que a logística é inexistente no país. Não temos ferrovias, nem hidrovias, o que é inadmissível em um país continental. Já os meios de transportes, como o rodoviário, não tem a atenção e responsabilidade devida por parte dos governos, com exceção do Estado de São Paulo, onde os custos beiram a sandice econômica”, destaca.

Portos
Os portos também representam outro problema. “Nossos portos estão em situação caótica, pois são pessimamente administrados, com alta ingerência governista, legislação arcaica e toda mazela possível em um só setor”, se queixa.


“Assistimos incrédulos na safra passada, o que aconteceu no Porto de Santos, que refletiu nas estradas de acesso ao litoral: filas quilométricas, inviabilizando a utilização de duas rodovias importantes: Imigrantes e Anchieta. E as filas se estenderam desde início de março e perdurou até maio. Será que teremos que fazer campanha para que não tenhamos boas produtividades para não causar filas nos portos? Equivale o produtor raciocinar: não vou produzir muito, pois o frete da minha safra vai ficar muito caro. Mas estes assuntos passam também pela nossa cultura, pelo nosso ‘jeitinho brasileiro’”, conclui.

Importância econômica do algodão é destacada por presidente da APPA
O conselheiro da Abrapa e do IBA (Instituto Brasileiro de Algodão), Ronaldo Spiraldenlli de Oliveira, que também é presidente da APPA (Associação Paulista dos Produtores de Algodão) e da Câmara Setorial do Algodão da Secretaria Estadual de Agricultura, lembra que o algodão representa um importante papel econômico no país.

“Alguns dos fatores que levam a isso são: geração, melhoria e distribuição de renda; geração de empregos, geração de tributos, qualificação e capacitação de mão-de-obra, desenvolvimento de fronteiras agrícolas, entre outros. São todos critérios pulsantes e pujantes”, ressalta.

Importação e


exportação

Ele também lembrou que o Brasil já foi o maior importador de algodão do mundo, e ainda se mantém entre os quatro maiores exportadores do planeta. “Se não tivéssemos esta produção, a indústria têxtil teria falido na crise do dólar, em janeiro de 2012, pois aconteceu a combinação de câmbio explodindo e preços internacionais da pluma elevados, impossibilitando muitos países de realizar a importação. Mas já naquele ano, estávamos em ritmo de crescimento de área. Ou seja, estrategicamente o algodão brasileiro é uma ferramenta da qual não se pode abrir mão”, destaca.

“É só olhar os números da indústria têxtil nacional e ler sobre a indústria têxtil americana para se ter a real noção dos efeitos caso tivéssemos uma redução drástica da área. E a maior prova disto é que hoje, produtores, exportadores e indústria caminham lado a lado, respeitando os interesses antagônicos, pois sabemos que necessitamos do consumo caseiro de 1 milhão de toneladas e a indústria sabe que precisa da nossa produção. Existe uma parceria muito boa entre ABRAPA, ABIT e ANEA, cada qual defendendo seu elo e todos juntos defendendo a cadeia”, lembra.

Safra 2014/2015
Spirlandelli também falou sobre a expectativa para a safra 2014/2015. “Segundo estimativas feitas na ultima reunião da Câmara Setorial do Algodão do MAPA, em dezembro do ano passado, a área a ser plantada seria de 1,050 milhões de hectares com produção de 1,575 milhões de toneladas em pluma. Este mês de janeiro deve sair a ratificação destes números, pois já teremos definido a chamada ‘safrinha, que é plantada no Mato Grosso e pode alterar os números significativamente”, explica.

“Os preços, apesar de terem achatado as margens na venda futura da pluma, vão permitir pequena rentabilidade na exportação, e o que for destinado ao mercado interno vai ser o diferencial, que pode elevar ou reduzir novamente a safra 2014/2015. De modo geral, as expectativas são positivas, pois é esperada boa produtividade, cerca de 100 arrobas de pluma por hectare, bem como um mercado franco comprador. O diferencial vai ser o movimento do principal parceiro comercial do Brasil, a China, que sempre ‘mexe’ muito com o mercado, tanto para cima como para baixo”, destaca.


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