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03/02/2014
A médica Elizabeth Maria Brites Barbosa GarciaComer de forma inadequada pode trazer sérios prejuízos à saúde da gestante e do bebê
Durante a gravidez, a mulher deve tomar todos os tipos de cuidados. Desde evitar esforços físicos exagerados até o uso de produtos químicos em tratamentos de beleza. A alimentação é algo que também merece atenção no período de gestação, pois isso pode refletir na saúde da mamãe e do bebê.
Ao contrário do que muita gente pensa e diz, a gestante não deve comer por dois, mas sim consumir nutrientes essenciais para a sua saúde e para a do seu bebê, portanto, o importante não é a quantidade, mas sim a qualidade. “Uma alimentação adequada contribui para a saúde materna, previne patologias que podem aparecer em longo prazo e garante o bom desenvolvimento do feto, auxiliando na aquisição de bons hábitos alimentares pela criança, o que reduz os riscos para doenças crônicas na idade adulta”, afirma a médica Elizabeth Maria Brites Barbosa Garcia, que é ginecologista, obstetra e homeopata, em entrevista à Tribuna de Ituverava.
Segundo ela, estudos mostram que a alimentação inadequada da gestante pode resultar em conseqüências tanto no organismo materno, como no recém-nascido. “Para as gestantes, pode resultar em anemias, hemorragias, ganho de peso inadequado, parto prematuro, pressão alta, diabetes gestacional, entre outros. Para o recém-nascido pode ocasionar redução de peso e estatura ao nascer, tendência à anemia e infecções, alterações no desenvolvimento motor, alterações visuais e, posteriormente, menor rendimento escolar”, diz.
Ainda de acordo com ela, durante os nove meses de gestação, são necessários alguns cuidados com a alimentação. “Deste modo, a gestante deve ter uma alimentação balanceada, preferencialmente sob a orientação de uma nutricionista, para seguir um plano nutricional que lhe permita levar uma gestação saudável, tanto para a mãe quanto para o bebê”, ressalta.
Alimentos
Dra. Beth, como a médica é chamada, também lembrou quais alimentos devem ser evitados durante a gravidez. “Eles devem ser deixados de lado devido ao seu potencial tóxico. Entre eles, estão o excesso de álcool, de cafeína, carnes cruas, frutas e vegetais não lavados, e produtos não pasteurizados. Isso porque podem atrapalhar o desenvolvimento do sistema nervoso central e intelectual e psicomotor do feto”, alerta.
“Os alimentos de origem animal são considerados mais completos e com quantidade protéica superior, pois eles contêm todos os nove aminoácidos essenciais de que o organismo necessita para crescer e regenerar os tecidos”, afirma.
Uma dieta balanceada, segundo ela, é importante tanto na gestação quanto no cotidiano de qualquer pessoa. “Os alimentos que contenham cálcio, vitamina D, proteínas, lipídios, vitamina A, vitamina B3 e tiamina são muito importantes para a mulher e para o bebê, pois estão diretamente ligados ao desenvolvimento do feto.
Garantir seu fornecimento ao bebê é garantir seu crescimento saudável”, destaca.
Saiba em quais alimentos encontrar cada nutriente
Ferro: encontrado em carnes, fígado, ovos, feijão e verduras (espinafre, por exemplo). Para melhor absorção do ferro pelo organismo, consuma na mesma refeição alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas e tomate, e evite alimentos ricos em cálcio, como leite e seus derivados, que diminuem a absorção.
Ácido fólico: encontrado em vegetais verde escuros (espinafre, couve, brócolis), cereais e frutas cítricas. O cozimento pelo microondas e altas temperaturas destroem o ácido fólico. Prefira cozinhar no vapor. Já a partir do segundo trimestre de gestação, é hora de se reforçar a ingestão de vitaminas C (age na formação do colágeno – pele, vasos sanguíneos, ossos e cartilagem, além de fortalecer o sistema imunológico da mamãe) e B6 (importante para o crescimento e o ganho de peso do feto e a prevenção da depressão pós-parto) e do mineral e magnésio (favorece a formação e o crescimento dos tecidos do corpo).
Vitamina C: encontrada nas frutas como kiwi, laranja, morango, melão, melancia, mamão, abacaxi e nas hortaliças (brócolis, pimentões, tomate, couve-flor).
g B6: encontrada no trigo, milho, fígado, frango, peixe, leite e derivados, leveduras
g Magnésio: encontrada nas nozes, soja, cacau, frutos do mar, cereais integrais, feijões e ervilhas.
Cálcio: encontrado em leites e derivados, bebidas de soja, tofu, gema de ovo e cereais integrais.
Vitamina D: encontrada em leite enriquecido, manteiga, ovos e fígado. O banho de sol é essencial para que essa vitamina auxilie na fixação do cálcio nos ossos. O cálcio e a vitamina D devem ser reforçados no terceiro trimestre, já que o bebê começa a esgotar a reserva da mamãe. O bebê precisa para a sua formação óssea (dentes e ossos). Além disso, auxilia na contração muscular e batimentos cardíacos. Já a mamãe precisa para manter as unhas fortes, os dentes sem cáries, evitar gengivite e câimbras, além de ajudar na produção de leite após o parto.
Carboidratos: fornecem energia para a mamãe e para o desenvolvimento do bebê. Os melhores são os integrais: arroz, pães, macarrão e cereais que são absorvidos mais lentamente e por isso saciam mais a mamãe.
Proteínas: encontradas em carnes, feijão, leite e derivados. São responsáveis por construir, manter e renovar os tecidos de mamãe e bebê.
Lipídeos: são as gorduras que auxiliam na formação do sistema nervoso central do feto. Encontrados mais em carnes, leite e derivados, abacate, azeite e salmão.
Vitamina A: ajuda no desenvolvimento celular e ósseo e a formação do broto dentário do feto e na imunidade da gestante. É encontrada no leite e derivados, gema de ovo, fígado, laranja, mamão, couve e vegetais amarelos.
Niacina (vitamina B3): transforma a glicose em energia, mantendo a vitalidade das células maternas e fetais e estimula o desenvolvimento cerebral do feto. É encontrada em verduras, legumes, gema de ovo, carne magra, leite e derivados.
Tiamina (B1): também estimula o metabolismo energético da mamãe. É encontrada em carnes, cereais integrais, frutas, ovos, legumes e leveduras.
Mulher não deve comer por duas pessoas durante gestação
Aquela antiga história de que a mulher deve comer por dois durante a gravidez não passa de um mito, que segundo a médica pode ser bastante perigoso. “Na gravidez, a mulher deve assegurar-se de que o que come é o suficiente para sustentar as transformações físicas e funcionais do seu corpo, mas também para proporcionar ao seu filho o ambiente que lhe permita desenvolver-se plenamente”, ressalta.
“Durante a gravidez, o corpo torna-se mais eficiente na absorção de nutrientes, por isso ao dobrar a quantidade de comida você não está aumentando as chances de ter um bebê saudável, e sim de ganhar peso excessivo e muitas vezes complicar desnecessariamente sua gravidez”, afirma.
Esse peso excessivo adquirido durante a gravidez pode acompanhar a mulher pelo resto de sua vida. “A alimentação da grávida deve ser vigiada, pois muitas mulheres desenvolvem excesso de peso para o resto da vida devido a erros alimentares durante esta fase ou durante a lactação”, informa.
“Quando bater aquela tentação de comer muito, lembre-se de que você está ingerindo a mais para um bebezinho bem pequeno, e não para outro adulto. Qualidade é muito mais importante do que quantidade”, destaca.
Acompanhamento
As gestantes também devem fazer acompanhamento médico, que é indispensável neste período. “Através dele, a gestante pode levar ao médico todas as suas dúvidas e preocupações, além das nutricionais. O médico a orientará de forma a garantir uma boa saúde a ela e ao seu bebê”, destaca.
“A atividade física, desde que bem feita, funciona como aliado frente a inúmeros problemas corriqueiros na gravidez. Com a realização de exercícios corretos, o corpo libera a endorfina, um hormônio que alivia os sintomas do estresse, equilibra o humor que sobe e desce com freqüência na gravidez e diminui significativamente as dores que, às vezes, a gestante sente”, completa.