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24/02/2014
O médico Dr. Ricardo José Sandoval GarciaMédico explica porque as temperaturas elevadas contribuem para a formação do cálculo renal
O forte calor que tem se intensificado pelo Brasil, além do desconforto, esconde uma série de riscos à saúde que vão desde problemas de pele até a maior incidência no número de casos de dengue. Outro problema grave causado pelo calor é a formação dos cálculos renais, mais conhecidos como pedras nos rins.
Nos períodos mais quentes do ano, os casos de cálculo renal aumentam, em média, 30%. O principal fator que leva a isso é o aumento na transpiração.
O médico urologista do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Ituverava, Dr. Ricardo José Sandoval Garcia, explicou porque as pedras nos rins são mais freqüentes quando o clima está mais quente. “Existem quatro principais maneiras em que o corpo humano perde líquido: suor, fala, urina e fezes. Uma das funções básicas dos rins é filtrar todo o sangue, variando de 4 a 5 litros por pessoa, fazendo com que substancias essenciais voltem para a corrente sanguínea e os excessos sejam excretados pela urina, inclusive líquidos, por onde são eliminadas pequenas partículas que poderão vir a formar cálculos renais”, explica.
“Portanto, é indicado que as pessoas aumentem a ingestão de líquidos, para que os rins ‘lavem’ os cálices renais, onde é feita a filtração do sangue pelos rins, e os canais de excreção renal”, ressalta.
Alimentos
Ainda de acordo com ele, a alimentação inadequada também pode contribuir para que surjam pedras nos rins. “É importante, que além da ingestão de maior volume de líquidos, a pessoa tenha uma alimentação adequada, evitando ingerir o que contribui para a formação dos cálculos renais”, destaca.
“No entanto, é importante lembrar que a boa alimentação sempre deve ser acompanhada pelo aumento da ingestão de líquidos, como água, suco de frutas e diversos chás. Só uma boa alimentação não é capaz de evitar a formação das pedras nos rins”, enfatiza.
Pedras nos rins
A litíase, conhecida popularmente como pedra no rim ou cálculo renal, é um acúmulo de matéria mineral ou orgânica (cálcio, ácido úrico, amônia, magnésio) que se cristaliza e forma uma pedra dentro dos rins, a qual pode se locomover pela urina. Mais de 15% da população mundial apresenta cálculos renais, sendo que a maioria dos casos consegue expelir as pedras naturalmente, pela urina.
Sintomas
Os sintomas dos cálculos renais podem variar, passando pelo aumento da freqüência para ir ao banheiro, pequenos desconfortos para urinar e até dores localizadas. É importante também ficar atento a outros sintomas. Se a urina está escura e com sangue, se há dor, ânsia, vômito, febre ou fraqueza é recomendado procurar um médico para investigar o caso.
O médico pode solicitar exames de sangue e urina para diagnosticar. Já entre os exames de imagens, os mais indicados para descobrir o cálculo são a ultrassonografia e tomografia. Se o paciente sentir cólica renal deve procurar um hospital, onde os médicos aplicam soro e medicamentos para aliviar a dor. Em 90% as pedras são liberadas de forma espontânea. Em casos mais graves, quando há dor e infecção urinária, mas o cálculo não sai de forma natural, é necessário retirá-lo por meio de cirurgia.
Causas
Volume insuficiente de urina, ou urina supersaturada de sais;
Grande quantidade de cálcio, fosfatos, oxalatos, cistina, ou falta de citrato;
Distúrbios metabólicos do ácido úrico ou da glândula paratireóide;
Alterações anatômicas;
Obstrução das vias urinárias.
Diagnóstico
Além das evidências clínicas (dor intensa e sinais de sangue na urina), cálculos renais podem ser diagnosticados por Raios-X de abdômen, ultrassom ou pela urografia excretora, um exame mais específico das vias urinárias.
Tratamento
Ao contrário do que se recomendava no passado, durante as crises deve ser evitada a ingestão exagerada de líquidos, pois isso pode aumentar a pressão da urina no rim e, conseqüentemente, as dores. Os tratamentos podem ser de vários tipos:
Medicamentos podem ser indicados apenas pelo médico levando em conta a causa da formação dos cálculos. Durante as crises, é indicado o uso de analgésicos e anti-inflamatórios potentes para aliviar a dor, que é extremamente forte, quase insuportável.
Litotripsia, ou seja, bombardeamento das pedras por ondas de choque visando à fragmentação do cálculo o que torna sua eliminação pela urina mais fácil.
Cirurgia percutânea ou endoscópica: por meio do endoscópio e através de pequenos orifícios, o cálculo pode ser retirado dos rins após sua fragmentação.
Ureteroscopia: por via endoscópica, permite retirar os cálculos localizados no ureter.
Recomendações
Beber muita água regularmente. De dois a três litros por dia. Essa é a medida mais importante para prevenir cálculos renais;
Utilizar um filtro de papel quando houver a possibilidade de estar eliminando um cálculo. A análise de sua composição pode orientar o médico na escolha do tratamento mais adequado;
O uso de medicamentos contra dor deve ser prescrito pelo médico. Alguns deles são desaconselháveis para pessoas com problemas estomacais ou para gestantes;
Controlar a ingestão de alimentos ricos em proteínas e cálcio, se os cálculos forem formados por excesso de ácido úrico ou cálcio;
Não se automedicar nem faça o próprio diagnóstico. Procure atendimento médico, especialmente se tiver dores intensas nas costas ou no abdômen e sinais de sangue na urina.
Saiba o que é verdade e o que é mito sobre o cálculo renal
As pedras nos rins, como muitos problemas de saúde, geram muitos comentários e, nem sempre é verdade o que muitas pessoas dizem o que faz bem ou que faz mal para evitar o cálculo renal. Por isso, a Tribuna de Ituverava separou o que é a verdade e o que é mito a respeito do problema de saúde.
Comer feijão faz mal
Mito: O feijão tem oxalato, substância das pedras, mas quando ele fica de molho na água antes de ser cozido, boa parte do oxalato é perdida.
Cerveja evita a formação de pedras nos rins
Verdade: Assim como o café, ela estimula o fluxo urinário e pode auxiliar na prevenção.
Tomar leite ajuda a formar o cálculo renal
Mito: fala-se muito que o leite deve ser evitado porque tem cálcio na composição e pode provocar o surgimento de pedra nos rins. Na verdade, tirá-lo da dieta pode causar outro problemão: a osteoporose.
Quem já teve uma vez com certeza terá de novo
Mito: Nem todas as pessoas, pois de cada 100 que tiveram pedra nos rins, 50 terão novamente em dez anos. Para evitar o retorno do problema, é preciso cuidar da alimentação. A pessoa deve comer menos proteína (carnes, salsicha, bacon, mortadela, salame e lingüiça), usar menos sal na comida e beber muito mais água.
Beber água previne a
formação das pedras
Verdade: mas preste atenção no modo como você faz isso. Evite beber muita água apenas de manhã e se esquecer desse hábito pelo resto do dia. A dica é tomar um copo de água a cada duas horas.
O cálcio é o grande vilão dos rins
Mito: alguns especialistas tornaram-se defensores do cálcio nos últimos anos. A principal razão para essa mudança de opinião é que a ausência dele no corpo diminui a eliminação de oxalato, substância que compõe o cálculo renal.