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24/03/2014
O agricultor Kenjiro MineEscassez de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro provocou frustrações profundas na colheita de grão
É incontestável que o verão de 2014, que terminou na última quinta-feira, 20 de março, foi um dos mais quentes das últimas décadas. Se o impacto deste calor já foi grande para as pessoas, causando desconforto e indisposição, para a agricultura as conseqüências são maiores e muito mais graves.
Para falar sobre o assunto, o agricultor enviou, nesta semana,um artigo à Tribuna de Ituverava, que o reproduz integralmente.
Confira:
O verão de 2014, que terminou nesta quinta feira, vai ficar na história do Brasil como sendo um dos mais catastróficos sob o aspecto de clima dos últimos 50/60 anos. Pelo menos, é essa retrospectiva que consegui levantar aqui em Ituverava após experimentar uma escassez de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro, que provocou frustrações profundas na colheita de grãos.
Acredito que o produtor rural, quer seja grande ou pequeno, é um dos primeiros a sentir os reflexos das adversidades do clima. Pois é aquele que dorme e acorda olhando para o céu. E por me enquadrar nesta fatia de brasileiros que experimentou uma quebra de safra, resolvi fazer umas “buscas” que conduziram a resultados interessantes.
Recorrendo aos dados coletados (desde 1943) pelo DAEE/SP – que atualmente, armazena informações fornecidas pelo SAEE do município – cheguei ao quadro resumo abaixo:
A safra de grãos, praticamente, já está concluída na região, mas não se deve esquecer que a cultura predominante é a cana-de-açúcar que, apesar de ser uma planta rústica que suporta alguns “desaforos”, vai responder com menos produção, principalmente, os de corte tardio (final de safra).
Nos registros que mantenho no canavial, o déficit chega a mais de 200 mm de chuvas se comparado com a média dos últimos 7 anos. Para quem está acostumado com o linguajar do homem do campo, nesta safra, praticamente, não houve “dias invernados” (aqueles em que a chuva vai e volta e a gente sente vontade de ficar mais um pouquinho na cama ouvindo o barulho dos pingos da chuva). E para caracterizar as chamadas “chuvas de manga”, basta ver as diferenças entre os registros de chuvas registradas no SAEE com as que as estações automáticas – do INMET e da CIIAGRO – instaladas na Fafram. Apesar da pequena distância entre os dois lugares, os registros são muito diferentes.
Enfim, de nada adianta chorar o leite derramado. Mas acredito que todos devemos refletir e pensar: o que está acontecendo com a natureza? O setor do agronegócio que sempre tem salvado o PIB brasileiro, ainda que seja um “Pibinho”, vai colher uma safra menor. Quais serão as conseqüências?
Estamos convivendo com as notícias de racionamento de água em vários municípios da região (e nós estamos em cima do aquífero Guarani) e o racionamento de energia no país, está eminente, em pleno ano de Copa.
E no dia de São José, não choveu... Péssimo sinal!O agricultor Kenjiro Mine