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07/04/2014

PADRE JESUÍTA JOSÉ DE ANCHIETA É CANONIZADO PELO PAPA FRANCISCO

O monumento ao beato Padre José de Anchieta na Praça da Sé em São Paulo. Em destaque, o que seria a imagem do futuro santo brasileiro canonizado pela igreja

Beato vai virar santo mesmo sem os milagres geralmente necessários

O padre jesuíta José de Anchieta foi declarado santo, por decreto do papa Francisco, no dia 3 de abril, quinta-feira, que passou a ser denominado de São José de Anchieta. A canonização foi uma decisão do papa, que na mesma data, declarou santos dois missionários canadenses Maria da Encarnação Guyart e o bispo Francisco de Montmorency-Laval A assinatura do decreto ocorreu antes da canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, marcada para o dia 27 de abril, que deverá atrair mais de dois milhões de pessoas.

Evangelização
Segundo a agência católica, o papa explicou que os três “novos santos se apresentavam como modelos de evangelização”. O site Evangelho Quotidiano diz ainda que o padre José de Anchieta é canonizado sem os dois milagres geralmente necessários, um para a beatificação e outro para a canonização, tal procedimento é chamado canonização equipolente, pois equivale ao processo normal para declarar que "determinada pessoa morta se encontra junto de Deus, no céu, intercedendo pelos que ainda vivem na terra”.

Para o padre Vilmar Volpato, é o reconhecimento do trabalho missionário que José de Anchieta realizou no Brasil. “Para nós brasileiros e para a Igreja Católica do país é muito bom. É o sinal de reconhecimento de quem ajudou na catequização e levou a palavra e os ensinamentos de Deus para muitos que ainda não as conheciam. Devemos agradecer a Deus pelo trabalho missionário que São José de Anchieta realizou. O catolicismo no país não seria o mesmo sem os ensinamentos dele”, ressaltou o pároco.

O padre Antônio Marcos de Oliveira (“Marquinho”), da paróquia São João Batista, fala sobre a canonização do padre José de Anchieta. “É mais uma importante conquista para a Igreja Católica do Brasil. A canonização revigora, fortalece e renova a fé durante a nossa jornada. É importante para que passemos a levar a nossa vida na terra como santa, pois, somente assim é que seremos levados ao reino de Deus”, afirmou o pároco.

Celebração
Durante a 52ª Assembléia Geral da CNBB, que acontecerá em Aparecida (SP), será celebrada missa em ação de graças pela canonização do beato, dia 4 de maio, às 8h, no Santuário Nacional de Aparecida. Em Anchieta, cidade fundada pelo jesuíta no Espírito Santo em 1565, haverá missa solene e concerto musical. Também está marcada para domingo, dia 6, na cidade de São Paulo, procissão, seguida de missa de encerramento das festividades.

História
Padre José de Anchieta nasceu nas Ilhas Canárias. Entrou para a Companhia de Jesus em 1551 e, dois anos depois, desembarcou na Bahia. Participou, em 25 de janeiro de 1554, da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, berço da capital paulista. Morreu em 1597, no Espírito Santo, onde está sepultado.

A canonização do Padre Anchieta foi um processo longo, que começou em 1980 com a sua beatificação por João Paulo II, mas vinha desde o século XVI, quando foi feito o pedido. No entanto, ele não teve seus dois supostos milagres, que teriam acontecido há mais de 400 anos, reconhecidos pelo Vaticano. O longo tempo passado desde então impossibilitou a comprovação, e por isso ele será proclamado santo por decreto.

Santo sem milagres
Quando canonizado, Anchieta se tornará o terceiro santo a ter laços estreitos com o Brasil. A primeira foi Madre Paulina, santa desde 2002. Em seguida, Frei Galvão, brasileiro nascido em Guaratinguetá (SP), proclamado Santo Antônio de SantAna Galvão em 2007.

Entretanto, diferentemente de Paulina e Galvão, não houve milagres de Anchieta reconhecidos pelo Vaticano. Relatos de mais de 400 anos apontam que eles aconteceram, mas o longo tempo passado impossibilita sua comprovação, segundo historiadores.

A canonização de Anchieta se deu devido seu trabalho missionário desenvolvido no Brasil, principalmente pela catequização dos índios no período de colonização, além da fundação de missões jesuítas em diversas províncias do país.

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