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17/04/2014
Associação de fabricantes de veículos relatou dificuldade de exportação. Presidente da Anfavea se reuniu nesta sexta (17) com Dilma Rousseff.
O governo brasileiro se reunirá na próxima semana com o governo argentino para tentar destravar o comércio entre os dois países, relatou o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan. Ele reuniu-se nesta quinta-feira (17) com a presidente Dilma Rousseff e relatou perdas no setor por conta de dificuldades de exportação com o país vizinho.
De acordo com Moan, houve uma redução de 32% nas exportações do setor, que depende em grande parte da Argentina. O país enfrenta dificuldades como desvalorização do câmbio e inflação alta e impôs, desde o final de 2013, restrições aos produtos brasileiros.
Em 28 de março, relatou Moan, houve uma reunião e a assinatura de um memorando de acordo para destravar o comércio entre os dois países. Ficou estabelecida a criação de uma linha de crédito para financiar produtores e compradores. Falta, no entanto, definir como esse financiamento será feito.
"A principal preocupação que nós trouxemos é com relação às exportações, que nós tivemos uma queda de 32% nesse primeiro trimestre, especialmente em função das restrições da Argentina. Soubemos que na próxima semana deverá haver uma nova conversa entre o governo brasileiro e o governo argentino no sentido de operacionalizar o memorando de entendimento que foi assinado no dia 28 de março", relatou Moan.
Segundo o presidente da Anfavea, Dilma determinou que o ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, realizem "rapidamente" uma conversa com o governo argentino para restabelecer o comércio.
Ajuste de estoques
Moan relatou ter apresentado para a presidente um panorama geral do setor, incluindo o mercado interno. Segundo ele, há uma preocupação em evitar aumento de preços, porque houve aumento de custo. "Nós tivemos aumento de custo ligado a aço, ligado à logística, ligados à energia elétrica. Toda a cadeia automotiva impactou custos para o setor", detalhou.
O presidente da Anfavea disse ainda que o setor teve perdas também causada por um período de inatividade do Programa de Sustentação do Investimento (PIS), coordenado pelo BNDES, que foi paralisado em 27 de janeiro. Segundo ele, mesmo após a retomada, houve um acúmulo de processos e um atraso na concessão de financiamentos. Houve impacto principalmente no setor de máquinas agrícolas e caminhões, mas as montadoras já estão sentindo a recuperação de 10 dias para cá.
Está havendo também um "reajuste de estoques" devido a perda de mercados, com uma tentativa de evitar demissões. A General Motors, a Fiat e a Mercedes, por exemplo, já entraram com férias coletivas em algumas de suas fábricas.
"Se vocês olharem, algumas associadas praticaram PDV [programa de demissão voluntária], outras deram licença remunerada, porque todas as nossas associadas têm uma visão muito clara: o investimento em cada trabalhador do setor automotivo na sua qualificação é extremamente alto. O nosso pessoal qualificado e treinado é um grande investimento que nós fizemos e o tanto quanto possível, nós vamos preservá-lo", explicou.
Fonte: g1.globo.com