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ECONOMIA

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18/05/2014

DIRETOR DE EMPRESAS AVALIA SETOR INDUSTRIAL DE ITUVERAVA

O diretor da Indústria e Comércio Santa Maria e da Indústria de Escovas Corpus, Luiz Eduardo de Branco

Luiz Eduardo de Branco diz que são necessários investimentos em infra-estrutura para que o município receba indústrias

Na última semana, a Tribuna de Ituverava iniciou uma série de reportagens especiais, abordando, uma área importante na economia do município e região. Nesta semana, dando continuidade ao trabalho, o semanário entrevistou o engenheiro e diretor da Indústria e Comércio Santa Maria e da Indústria de Escovas Corpus, Luiz Eduardo de Branco, 59 anos.

Com ampla experiência, ele abordou diversos assuntos importantes, como dificuldades de industrias se instalem. “É óbvio de que um Distrito Industrial em Ituverava só poderia trazer benefícios, porém não consigo mensurar os benefícios em curto e médio prazo”, afirma.



Confira a entrevista na íntegra:




Indústrias
“O setor industrial de Ituverava é muito pequeno. Durante todos estes anos não foram realizados investimentos em infra-estrutura para que o município recebesse indústrias.

Hoje, tanto a Santa Maria quanto a Corpus, estabelecidas na via Anhanguera há 10 e 3 anos, respectivamente, não possuem um sistema de esgoto canalizado, não recebem o transporte público, não possuem iluminação pública, dentre outros entraves que dificultam o cotidiano e o funcionamento das empresas. Desta maneira, percebo que não existem atrativos básicos para uma indústria possa se estabelecer na cidade.

Os outros municípios da região, diferentemente, se mobilizaram e criaram um ambiente propício para receber as empresas, enquanto Ituverava nada fez. Isso justifica a maior concentração de empresas em cidades como São Joaquim da Barra e Orlândia, por exemplo.

Minha esperança é de que esta nova administração inicie este trabalho, melhorando as condições para recebermos novas empresas, para captarmos mais empregos para a população, e para promovermos um maior desenvolvimento do município”.

Crescimento
“Sem dúvida o município tem potencial para crescer em segmentos industriais. Se não acreditássemos nisso, não estaríamos estabelecidos aqui. Temos uma localização estratégica e privilegiada, porém só isto não basta. A infra-estrutura é o fator que pode garantir o sucesso e desenvolvimento destas indústrias e do setor. Hoje, somos uma cidade focada em agronegócios, mas nada impede o desenvolvimento de outras atividades, inclusive acredito que este ponto é fundamental para o enriquecimento e desenvolvimento do município.

Quando comparamos nossa cidade com outras de maior porte, como São Carlos e Araraquara, fica praticamente impossível estabelecer uma lista que priorize a escolha de Ituverava. Ressalto que não estou me referindo a benefícios fiscais, mas à infra-estrutura”.

Distrito Industrial
“É óbvio de que um Distrito Industrial em Ituverava só poderia trazer benefícios, porém não consigo mensurar os benefícios em curto e médio prazo.

Às margens da Anhanguera praticamente todas as cidades da região possuem um distrito industrial. Ituverava é uma das únicas que ainda não possui, e espero que não seja tarde, pois a implantação de empresas de médio porte vem diminuindo em nosso país, o que é uma pena”.

Ensino Técnico
“O crescimento do Ensino Técnico é, sem dúvida, um dos principais passos a serem dados pelo nosso município. Historicamente, a produtividade do trabalhador brasileiro é muito ruim. Segundo a consultoria Ceplan, do economista Jorge Jatobá, um trabalhador norte-americano tem uma produtividade cinco vezes superior a de um brasileiro, e dez vezes a de um trabalhador da região Nordeste do nosso país. Este dado foi publicado na revista Exame, em 30 de abril de 2014.

Precisamos investir e criar diferenciais que melhorem nossa competitividade no mercado em que estamos inseridos. O único caminho está na preparação de técnicos com qualificação para atuar em todas as áreas, não só na Indústria.

Um ponto bastante relevante é o grande desenvolvimento das Faculdades em Ituverava, pois a diversidade e qualidade dos cursos garantem cada vez mais uma mão-de-obra especializada. No entanto, infelizmente, perdemos estes talentos que após se formarem acabam buscando o mercado de trabalho em outras regiões e município, devido a pouca oferta de Ituverava. Vislumbro parcerias fantásticas entre a indústria e a Fundação Educacional de Ituverava, mas para isso deve existir o suporte governamental”.

Poder Público e ACII
“O papel da ACII é do Poder Público para a implantação de indústrias no município é fundamental. Muito precisa ser feito, infelizmente estamos atrás de outros municípios que trabalham para atrair indústrias porque sabem dos benefícios que são gerados para a população. Em contrapartida, as indústrias possuem expectativas sobre os municípios já que buscam viabilizar de forma competitiva seus trabalhos. Aqui em Ituverava infelizmente não existe nenhum diferencial sobre as demais cidades”.

Talentos perdidos
“Conforme já citado, perdemos talentos, o mercado para recém-formados é inexistente em nosso município. Programas de estágios que poderiam melhorar a qualificação destes profissionais ainda durante o processo de aprendizagem não se viabilizam pela falta de oferta de empregos. Sinceramente, baseado em minhas experiências tanto na indústria quanto como ex-professor do curso de Administração na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), desperdiçamos o bem mais precioso e competitivo hoje que são os Recursos Humanos de qualidade”.

Setores
“Ituverava não possui uma perfil de cidade industrial. Nossa maior força está no serviço de Educação e Saúde, sendo os pontos de destaque representados pela Fundação Educacional de Ituverava e pela Santa Casa de Misericórdia. O comércio é relativamente forte, porém vem perdendo força, em minha opinião, nos últimos tempos”.

Falta de investimentos e reforma tributaria são entraves no Brasil
“O Brasil vem crescendo a taxas baixas nos últimos anos e sem previsão de melhora. A balança comercial demonstra que importar e revender é mais lucrativo que fabricar, ocasionando a diminuição dos investimentos da indústria.

A reforma tributária cantada em versos e prosa por várias décadas, não acontece e o governo vai aumentando seu apetite voraz em receber mais e mais impostos, criando um ambiente estressante e pouco positivo para novas empresas e para o desenvolvimento de investimentos das já existentes.

A falta de investimentos estatais em infra-estrutura, como nos portos, ferrovias e hidrovias é uma piada. O resultado de tudo isso são custos proibitivos e falta de competitividade no mercado global.

Sou uma pessoa otimista por natureza, porém crítica. Vejo este momento brasileiro muito delicado. O que resta é a criatividade e a força do trabalho do povo brasileiro para atravessar os próximos anos de ‘vacas magras’”.

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