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AGRICULTURA

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03/06/2014

MANDIOCA TEM IMPORTANTE PAPEL ECONÔMICO PARA O PAÍS

A professora da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Dra. Silvelena Vanzolini Segato

Em 2013, somente a indústria da fécula de mandioca atingiu a marca de R$ 1,007 bilhão

Em uma região em que a cana-de-açúcar predomina, outras culturas poderiam ser muito bem aproveitadas, para dar mais renda ao produtor rural, sobretudo, aos pequenos. Uma destas opções é a mandioca, cultura de fácil plantio, baixo investimento e boa rentabilidade.

Só para se ter idéia do seu impacto em outras regiões do país, o Valor Bruto da Produção da indústria brasileira de fécula de mandioca – um dos principais derivados da raiz – chegou a R$ 1,007 bilhão em 2013, acréscimo de 58% em relação a 2012.

A informação foi divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no mês passado. De acordo com um levantamento feito em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), o crescimento foi registrado mesmo com uma queda de 7,6% no volume moído pelas fecularias e de 0,8% no rendimento médio em relação a 2012.

Neste ano, a oferta de mandioca no Brasil pode aumentar cerca de 10% em relação a 2013, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do Cepea mostram que no primeiro semestre deste ano o volume processado pela indústria de fécula supera em 11% o de igual período no ano passado.

Importância econômica
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a professora da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Dra. Silvelena Vanzolini Segato, da disciplina de Cultura de Plantas Nativas, explicou que a mandioca tem grande importância econômica e pode, inclusive, ser mais bem aproveitada na região. “Na verdade, esse número R$ 1 bilhão, é somente referente à indústria de fécula (amido de mandioca). Estima-se que a produção de mandioca, ao todo, deve render R$ 7 bilhões em 2014, valor R$ 1 bilhão maior que 2013”, afirma.

“Estes números são bastante representativos. Só para se ter uma idéia, o setor sucro-energético, que engloba cana-de-açúcar, etanol e bio-eletricidade, movimentou R$ 60 bilhões na safra 2010/2011, tendo 9,5 milhões de hectares de cana-de-açúcar plantados, contra 1,8 milhões de hectares de mandioca”, ressalta.

Professora diz que existe potencial para plantio de mandioca na região
Segundo a Dra. Silvelena Vanzolini Segato, hoje não há plantação de mandioca na região de Ituverava, mas existe espaço para que esta cultura cresça.

“No entanto, é importante lembrar que não há grandes indústrias que demandam maiores áreas de plantio na região. Assim, a principal aptidão é o cultivo de mandioca para mesa”, destaca.

“A região de Ituverava não é focada na produção dessa raiz, contudo, existem pequenos produtores que inclusive entregam a raiz já limpa para ser usada em restaurantes e bares, e aqueles que cultivam cana-de-açúcar e plantam o mandiocal, por exemplo, embaixo da rede de tensão elétrica”, ressalta.

Para ela, existem benefícios que podem ser trazidos com o plantio de mandioca. “Trata-se de uma cultura interessante que exige baixo investimento e boa rentabilidade, tendo boa aptidão para agricultura familiar”, diz.

Cuidados
Silvelena alerta, no entanto, que existem alguns cuidados que devem ser tomados antes de iniciar o plantio de mandioca. “É importante sempre pensar em onde colocar o produto, como apresentá-lo e se é viável produzi-lo. Portanto, além de conhecimento técnico sobre a produção da cultura, a troca de experiência entre produtores e um estudo de mercado é fundamental”, destaca.

“Produzir essa raiz é geralmente fácil e Ituverava e região têm aptidão edafoclimática (relação planta/solo/clima) para o cultivo. Resta saber se há opção para comercialização. Também é fundamental pensar em agregar valor com produto diferenciado, limpando, descascando a raiz, higienizando e embalando o produto, por exemplo”, complementa.

O que é que a mandioca tem: as vantagens do consumo da raiz
Barata, resistente, nutritiva e com muitos carboidratos especiais, a mandioca foi eleita pela Organização das Nações Unidas o alimento do século 21. Na mesa do jamaicano Usain Bolt, o homem mais veloz do mundo, não falta mandioca. Ela é a principal fonte de energia atleta, segundo revelou seu pai nas Olimpíadas de Pequim em 2008.

E faz sentido: essa raiz tem dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose, que, juntos, liberam a glicose mais lentamente para o corpo. Isso facilita a digestão, evita picos de açúcar no sangue e dá gás de sobra para o dia a dia. Mas não é preciso ser medalhista para tirar proveito do alimento que já foi batizado de a "rainha do Brasil". Tanto é que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) vem endossando sua produção e seu consumo mundo afora. A entidade quer acabar com o status de "comida de pobre" e utilizá-la inclusive para combater a fome.

Fonte de fibras e isenta de glúten
A qualidade que a faz não pesar tanto na digestão, a raiz carrega versatilidade no nome, nas condições de plantio e nas formas de preparo. Dependendo da região, é chamada de aipim, macaxeira, maniva, uaipi ou xagala. Não há tempo ou terra ruim para ela. "A mandioca é um camelo vegetal", brinca o engenheiro agrônomo Joselito Motta, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, fazendo referência ao fato de que a planta cresce em solos pobres e resiste a períodos de seca. Ah, ela ainda é barata: custa em média 2 reais o quilo, 30% a menos que a batata.

Mandioca X batata
Por falar na sua rival, a mandioca leva certas vantagens. "Ela possui maior quantidade de vitaminas A, B1, B2 e C", diz a nutricionista Maria Carolina von Atzingen, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Fazendo justiça, porém, precisamos avisar que a abundância em energia traz um efeito colateral: 100 gramas de mandioca têm quase três vezes mais calorias que a mesma porção de batata - são 160 calorias contra 58.

Só que isso não deve assustar quem se preocupa com o peso. "A composição de carboidratos da raiz faz com que ela prolongue a saciedade", conta Rafaella Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San Paolo, na capital paulista. Não por menos, a mandioca costuma ter passe livre em dietas e é indicada a diabéticos. "Ao contrário de outras fontes de carboidrato, ela não gera picos de glicemia", diz Rafaella. Agora, note bem: justamente por ser um reduto desse nutriente, é prudente que ela não seja misturada nas refeições com outros depósitos de carboidrato, como arroz, macarrão.

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