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27/06/2014
Frederico Guilherme Queiroz Mantovani, 33 anos, também avaliou setores do Comércio e Agronegócio
Dando continuidade à série de reportagens sobre as áreas economicamente ativas do município, a Tribuna de Ituverava traz entrevista com Frederico Guilherme Queiroz Mantovani, 33 anos, sócio-proprietário da Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda.
Ele, que é formado em Direito e pós-graduado em Administração, analisou a atual conjuntura econômica do município. Confira a entrevista na íntegra:
Indústria
“Desconheço algum país que se desenvolveu sem uma indústria forte. Isso porque é o setor que mais intensiva investimentos, sendo responsável pela maior parte da inovação tecnológica e proporciona maior movimentação na economia. É o setor com maior valor de riqueza gerado por empregado, em torno de R$ 28 mil, praticamente o dobro do gerado pelos setores do comércio e serviços, que estão no patamar de R$ 13 mil”.
Investimentos
“Uma indústria demanda uma série de fatores para sua implantação e manutenção. Enquanto para gerar um emprego no comércio ou no setor de serviços o investimento é pequeno (cerca de R$ 1 mil), já a indústria demanda um investimento altíssimo (acima de R$ 5 mil). Também é preciso citar a necessidade de aquisição de máquinas e insumos de produção, estrutura específica, serviços agregados, carga tributária mais alta, salários mais elevados, etc. A qualificação da mão-de-obra é mais cara e demorada. Por isso, o comércio e serviços respondem mais rapidamente na geração de novos empregos”.
Tendências
“No cenário nacional, pode-se observar algumas tendências da indústria. Desde 2005 a FIESP tem alertado para o processo de desindustrialização ocorrido no Brasil. Enquanto na década de 80 a indústria manufatureira respondia por mais de 25% do PIB, atualmente está em 13%, refletindo a perda de competitividade em decorrência do ‘custo Brasil’ e da sobrevalorização do real. Na busca da redução de custos, a indústria iniciou um processo de interiorização, transferindo-se dos grandes centros para o interior. Contudo, esse movimento concentrou-se nas regiões com ampla oferta de mão-de-obra qualificada, infra-estrutura adequada, rede de fornecedores e serviços desenvolvidos, centros tecnológicos e incentivos do Poder Público”.
Cenário local
“Ituverava possui indústrias importantes em vários setores, com empresas com mais de 40 anos de existência. Destacam-se indústrias de bens de consumo, moveleiro, rotomoldagem, implementos agrícolas, defensivos e fertilizantes, entre outras. Acredito que, antes de se pensar em atrair novas empresas, seja importante trabalhar para a expansão e fortalecimento delas”.
Perfil
“A cidade não possui cultura e perfil industrial. Está localizada em um importante centro de produção sucroenergético, rodeado por mais de quatro usinas e nenhuma estabelecida no município, assim como outras dezenas de indústrias ligadas a este setor, como calderaria, manutenção, usinagem etc. Também há importantes indústrias alimentícias na região sediadas nas cidades vizinhas, aproveitando o potencial agrícola da região. Por exemplo, em Guaíra, produz, em meio aos canaviais, áreas irrigadas de milho verde, tomate e ervilha, demonstrando oportunidades perdidas pela cidade”.
Comércio
“Sob a ótica industrial, o comércio e serviços de Ituverava são deficitários. É preciso recorrer às outras cidades da região para adquirir produtos e serviços, principalmente Franca, Batatais, Jardinópolis, Sertãozinho e Ribeirão Preto. É importante destacar que é essencial ao desenvolvimento industrial ter proximidade e facilidade com fornecedores”.
Mão-de-obra
“A oferta de mão-de-obra qualificada é outro problema sério na cidade, que tem excelentes cursos técnicos, porém apenas nas áreas administrativas e de serviços. Falta formação industrial, nos moldes do Senai (Serviço Nacional da Indústria)”.
Poder Público
“Nesse contexto, o papel do Poder Público é essencial para fortalecer e ampliar o parque industrial. Criar um Distrito Industrial é um primeiro e importante passo, e é preciso atentar que além do terreno, arruamento, energia, deve também haver a preocupação com o tratamento de efluentes, destinação de resíduos, acessibilidade ao distrito, transporte coletivo e segurança”.
Distrito Industrial
“Havia na cidade um distrito industrial que hoje é uma área mista, com residências entre fábricas e oficinas. O descaso do Poder Público sempre foi preocupante, pois os investimentos de um parque fabril são de longo prazo e necessitam de comprometimento, um Plano Diretor sério e dentro de uma estratégia que vise ganhos futuros e não oportunidades políticas de curto prazo”.
Melhorias
“Entre oportunidades e melhorias para Ituverava, é possível destacar: fomentar a formação e consolidação de centro tecnológico local, não apenas formar profissionais, mas criar programas para inovar e atender a iniciativa privada, tal qual São Carlos, Rio Claro, São José dos Campos, etc; criar uma incubadora de micro e pequenas empresas, com oferta de crédito, apoio na gestão e inovação, em parceira com associações de classe e instituições de ensino; fomentar o processamento e industrialização da produção agropecuária regional, pois embora a cana-de-açúcar predomine na cidade, Ituverava tem amplo potencial irrigável para produção de outras culturas; e participar ativamente na produção sucro-energética regional, com oferta de produtos e serviços”.
Ferrovia
“Outra possível melhoria seria uma ferrovia, pois Ituverava faz parte de importante malha ferroviária para escoamento de açúcar e grãos para Santos, com planos de receber investimentos para aumentar a capacidade”.