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07/07/2014

EDIÇÃO 3087- ENQUETE - VÁRIOS ESPECIALISTAS DIZEM QUE ELEIÇÃO DE 2014 É IMPREVISÍVEL

Os principais candidatos à presidência da República: Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos

Para eles, Copa do Mundo, protestos e problemas econômicos são fatores que podem mudar o rumo das eleições

Em outubro próximo, os eleitores brasileiros voltam às urnas para escolher quem comandará o país pelos próximos anos. Tendo como principais candidatos ao cargo máximo do país, Aécio Neves, Dilma Rousseff e Eduardo Campos, a eleição tem sido apontada por vários especialistas como uma das mais imprevisíveis das últimas décadas.

O cientista político da Universidade Federal da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Figueira Leal, considera este pleito como o “mais competitivo e imprevisível dos últimos anos”.

A opinião é compartilhada por outros especialistas. “Ainda que todas as eleições sejam marcadas pela imprevisibilidade, esta parece que terá isto como sua marca principal, até mesmo pela razão de termos em jogo uma variável central, as manifestações de rua, que não estavam presentes nas outras eleições, pelo menos, não com esta dramaticidade”, afirma Fernando Perlatto, sociólogo e cientista político ligado à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

Escândalos
Apesar de não se tratar de fator novo nos meses que antecedem as eleições, escândalos políticos envolvendo nomes ligados aos principais candidatos repercutem na mídia nacional de forma recorrente. Entretanto, sua utilização como arma política de efeito prático é minimizada, segundo cientista político da Universidade Federal da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Figueira Leal.

“A ter como parâmetro eleições anteriores, essas variáveis podem ter pouco impacto. O início da crise do mensalão não impediu a reeleição de Lula. Da mesma forma, o auge da visibilidade de seu julgamento, em 2012, teve efeitos ínfimos, tanto que o PT venceu a Prefeitura de São Paulo, elegendo o ex-ministro Fernando Haddad”, avalia.

Para o professor de Filosofia Política da Universidade Federal de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, os pontos negativos dos principais candidatos são bastante parecidos. “Temos um Governo Federal que possui erros políticos, econômicos e de comunicação, que acabam não sendo tão prejudiciais à sua imagem, já que os nomes de oposição seguem essa mesma lógica de prática política”,ressalta.

Copa do Mundo
O fator genuinamente novo que pode influenciar o cenário eleitoral é a Copa do Mundo no Brasil após um período de 64 anos.

“As manifestações que foram realizadas em torno do evento tendem a criar um clima de denúncia e crítica aos governantes, impactando a rejeição aos mesmos e levando a um menor comparecimento às urnas. As mobilizações não são suficientes para a derrota dos atuais governantes, mas o clima de desconfiança e descrédito que elas provocam pode contribuir para a mudança de cenários”, destaca Fernando Perlatto, sociólogo e cientista político ligado à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

“Por outro lado, ainda que não haja uma correlação histórica entre resultados da seleção e resultados eleitorais, um desempenho positivo ou negativo pode contribuir para amenizar ou potencializar as críticas aos governantes, levando a alterações significativas do quadro eleitoral”, lembra.

Protestos
Embora não estejam ocorrendo muitas manifestações contra a Copa do Mundo, existiram muitos movimentos e ações que podem mudar os rumos das eleições. Os protestos demonstraram, pela primeira vez em muitos anos, que o povo brasileiro está cansado com a corrupção na política, e busca mudanças. “Assim os protestos tendem a afetar as eleições, na medida em que muitos dos que ocupam e ocuparam as ruas criticam a incapacidade dos representantes eleitos de darem respostas satisfatórias a problemas que ocorrem no país”, alerta.

Esqueletos no baú
Também levando em consideração este histórico, Roberto Romano não crê na utilização de casos de corrupção, como CPI da Petrobras e cartel do metrô de São Paulo, como ferramenta de ataque entre as candidaturas. “A tendência é a discrição, até porque a oposição no país dificilmente merece receber esse rótulo de oposição. Todos os partidos têm a preocupação de se perpetuar no poder, seja na presidência ou em governos estaduais. Lidam muito mal com a sucessão, em uma herança do absolutismo imperial. Não há quem queira acabar com esse Executivo centrista, que acaba se caracterizando como gigante de pés de barro, pois utiliza o Legislativo conforme seus interesses e acaba atingido por erros daqueles que ocupam cargos nos parlamentos. Por essa característica, podem até existir ensaios de agressões valendo-se de escândalos, mas no fundo todos os candidatos têm esqueletos apodrecendo em seus baús”, critica.

Economia
Para Paulo Roberto Figueira Leal, de todos os temas discutidos, o que deve ter impacto real no processo eleitoral são os debates em torno da situação econômica do país. “São temas caros para certos nichos do eleitorado, o que pode ser muito importante se a eleição for parelha e muito competitiva”, diz.

Neste contexto, temas como a manutenção do ganho real do salário mínimo, a política de juros, a empregabilidade e as metas de inflação são pautas certas nos discursos de campanha das três candidaturas apresentadas.

Sociólogo do Datafolha diz que é difícil prever resultado
O sociólogo Mauro Paulino, que está desde 1986 no Datafolha, o único instituto do país que não faz pesquisas para partidos políticos, já acompanhou todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, e acertou a grande maioria dos resultados.

Com base nessa experiência, ele diz que a eleição presidencial deste ano reúne elementos que fazem dela um desafio inédito para os pesquisadores. Segundo ele, embora a economia continue a ser o fator mais influente, ela já teve peso mais antes. Hoje, o brasileiro está muito mais crítico em relação aos políticos e mais exigente quanto ao que espera deles. Para o pesquisador, o ex-governador Eduardo Campos é o candidato de oposição com mais chance de conquistar esses descontentes.

De acordo com Paulino, a principal característica desta eleição é a imprevisibilidade. Qualquer eleição neste período é imprevisível, mas tem alguma lógica.

Em 2010, por exemplo, Dilma era desconhecida de boa parte da população, mas tinha um cabo eleitoral com grande potencial. Então, havia como fazer simulações, dez meses antes, mostrando como Lula poderia transferir votos para elegê-la. Mas agora isso não é possível. Surgiu um fato na eleição deste ano que é completamente novo: a Copa do Mundo no Brasil, bem no meio do período da campanha.

Copa do Mundo
Para Paulino, a Copa do Mundo normalmente não influencia nos resultados eleitorais, tanto que, em 2002, o Brasil foi campeão e o partido do governo perdeu, e em 2006 e 2010, o Brasil perdeu e o partido do governo ganhou. O que importa agora, no entanto, não é só o desempenho da seleção, mas a organização do evento.

Ainda de acordo com o sociólogo, o clima de hoje, em que o brasileiro está mais crítico em relação ao governo do que estava em junho passado, pode-se criar um ambiente que influencie diretamente a eleição.

Revista The Economist também considera eleição imprevisível
A revista The Economist, na primeira edição deste ano, trouxe uma reportagem em que afirma que o resultado das eleições presidenciais de 2014 no Brasil é imprevisível. Ao comentar que estudos mostram que o eleitorado brasileiro quer mudanças, a publicação diz que “o espírito dos protestos de junho ainda está vivo e uma parte do apoio a Dilma Rousseff poderia derreter se uma alternativa forte emergir”. A revista britânica diz que a economia será um ponto frágil na campanha à reeleição da atual presidente da República.

“A economia oferece uma linha de ataque para concorrentes. Desde que Rousseff tomou posse em 2011, o crescimento tem sido anêmico. O desemprego é baixo e, até recentemente, a renda subia mais rápido que a inflação”, observa a Economist. “Mas a criação de empregos e o aumento de renda agora estão esfriando, enquanto os preços continuam subindo. As finanças públicas se deterioraram e isso não será consertado em um ano eleitoral”.

Popularidade
Apesar disso, a publicação nota que Dilma retomou parte da popularidade após os protestos de junho. Além disso, os demais candidatos ao Planalto não começaram efetivamente a fazer campanha.

No final do ano passado, a revista publicou reportagem sobre o cenário econômico brasileiro e os efeitos do baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na campanha à reeleição de Dilma.

Para saber se os ituveravenses consideram a eleição de 2014 imprevisível, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

A maior parte dos entrevistados diz que sim. Confira:


Confira as respostas:

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