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03/08/2014

ESPECIALISTA FALA SOBRE TRATAMENTO DE AUTISMO

O doutorando Paulo Augusto Costa Chereguini

Doutorando Paulo Augusto Costa Chereguini integra corpo docente de curso de Análise do Comportamento Aplicado ao Autismo

Caracterizado pela apresentação de uma multiplicidade de sinais relacionados ao transtorno do desenvolvimento, o autismo envolve três áreas amplas e relacionadas: linguagem, envolvimento social e excesso de comportamentos repetitivos, não-funcionais e estereotipados.

A incidência do autismo é de aproximadamente uma em cada 88 crianças, conforme dados recentes do Center for Desease Control, dos Estados Unidos. Em alguns casos o diagnóstico do autismo pode durar meses ou até anos e este atraso impossibilita que as famílias das crianças com essa disfunção comecem o tratamento.

Em grande parte dos casos, além do atendimento especializado, também deve ser acompanhado de intervenção precoce e intensiva.

Especialidade
É exatamente esta a grande dificuldade no tratamento com os autistas, segundo o ituveravense Paulo Augusto Costa Chereguini, especialista no assunto. Ele, que é graduado em Educação Física e mestre em Educação Especial, cursa doutorado em Análise do Comportamento Aplicado ao Autismo.

Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, ele fala sobre o tema. “Considerando a realidade brasileira, as chances de acesso a serviços disponíveis de qualidade são baixíssimas e muitas vezes o indivíduo com autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), pode chegar à vida adulta sem aprender a se comunicar, a se relacionar com outras pessoas ou mesmo a realizar atividades simples de vida diária”, explica.

“Um agravante neste contexto brasileiro tem a ver com a quase inexistência de profissionais com formação de qualidade em Análise do Comportamento Aplicada, a única abordagem reconhecida mundialmente como eficaz no tratamento e ensino de pessoas com TEA”, ressalta.

Para mudar essa realidade, Chereguini se uniu a um grupo de especialistas no assunto, e desenvolveram o primeiro curso de pós-graduação Lato Sensu em Análise do Comportamento Aplicado ao Autismo do Brasil, que funciona no Instituto LAHMIEI (Laboratório de Aprendizagem Humana, Multimídia Interativa e Ensino Informatizado), na UFSCar, na cidade de São Carlos, do qual o ituveravense é membro organizador e docente.

Ituveravense fala sobre pesquisa na área de Educação Especial
Paulo Augusto Costa Chereguini também falou sobre os motivos que o levaram a atuar na área de Educação Especial. “Minha graduação é em Educação Física, bacharelado e licenciatura, e sou especialista em atendimento personalizado desde 2003. Morei em Ituverava até 2005, onde trabalhei como personal trainer e professor de Judô e Jiu-Jitsu, na Soteijum, academia do meu pai, Pulo Augusto Chereguini. Em 2006 fui aprovado em concurso público para professor de Educação Física e me mudei para Ribeirão Preto. Nessa época ampliei minha atuação profissional, ministrando aulas em academias de grande porte, e comecei a estabelecer contatos e interesses acadêmicos para fazer mestrado”, lembra.

“A idéia de fazer mestrado tem a ver com o meu perfil pessoal e profissional e com o interesse em me aprofundar nos conhecimentos sobre os fundamentos científicos acerca da adesão à prática de atividade física por pessoas com necessidades especiais de atendimento”, diz.

Conhecimento
Em 2007, determinado a ampliar seu conhecimento na área, Chereguini ingressou no mestrado em Educação Especial na UFSCar. “Imediatamente me tornei membro-pesquisador do LAHMIEI (Laboratório de Aprendizagem Humana, Multimídia Interativa e Ensino Informatizado), onde comecei a estudar e desenvolver pesquisas na área da Análise do Comportamento, voltadas ao atendimento de pessoas com deficiência”, conta.

“Minhas primeiras pesquisas foram na área de ensino de habilidades motoras para pessoas portadoras de Síndrome de Down e adesão à atividade física para idosos. Como bolsista CNPq, defendi minha dissertação de mestrado na área de ensino de prática encoberta, que poderia ser entendida como ‘imaginação’ para crianças com atraso no desenvolvimento intelectual”, destaca.

Carreira
Logo após o mestrado, o ituveravense foi convidado a fazer parte do corpo docente universitário em quatro Centros Universitários da região (Uniseb - COC de Ribeirão Preto, Claretiano de Batatais, Unifeb de Barretos e Unifafibe de Bebedouro). “Em 2010 ingressei no doutorado e dei continuidade às pesquisas na área de ensino de linguagem para pessoas com deficiência, sob a perspectiva da Análise do Comportamento. Ao longo dos quatro anos de doutorado, fui bolsista CAPES, e me deparei com as dificuldades de ensinar habilidades verbais e motoras para pessoas com autismo”, destaca.

“Os conhecimentos aprendidos no LAHMIEI sobre análise do comportamento me possibilitaram entender estes fenômenos de forma bastante aprofundada e complexa. Além disso, estes conhecimentos enriqueceram meu repertório de análise e atendimento às pessoas com deficiência, em especial com autismo, e que sob a ótica de um profissional de Educação Física considero uma conquista pessoal e um destaque profissional”, enfatiza.

Estudos
“No doutorado, desenvolvi sete estudos que envolvem a análise de procedimentos de ensino de linguagem para indivíduos com atraso no desenvolvimento. Defenderei minha tese em 30 de setembro, em formato de artigos, com uma seqüência de pesquisas básicas, nas quais abordo a questão da necessidade do ensino de determinados pré-requisitos verbais pivotais para o desenvolvimento da linguagem. Tenho planos avançados de realizar o pós-doutorado no ano que vem nos EUA ou no Canadá com duração de dois anos”, finaliza.

Ituveravense
O doutorando Paulo Augusto Costa Chereguini, 33 anos, é filho do professor de Educação Física, Paulo Augusto Chereguini e Regina Helena Costa Chereguini.

Ele tem os irmãos Adriano Augusto Costa Chereguini, 37 anos, casado com Fabiana de Souza Oliveira, e Ana Lígia Costa Chereguini, 32 anos, casada com José Raphael da Silva, e a sobrinha Júlia de Oliveira Chereguini, 3 anos.

Projetos
Foi justamente por conta desse aprendizado, que Chereguini foi convidado a compor o corpo docente do primeiro curso de pós-graduação Lato Sensu em Análise do Comportamento Aplicado ao Autismo, realizado na UFSCar, campus de São Carlos, desde março deste ano.

“Nestes últimos anos tenho apresentado trabalhos científicos em vários lugares do Brasil e, recentemente, em Chicago, nos Estados Unidos, onde tive a oportunidade de discutir com pesquisadores do mundo todo sobre as mais atuais estratégias e procedimentos de ensino que envolvem a intersecção das áreas da Análise do Comportamento, Educação Física e Deficiência. Ainda nos EUA, na cidade de Eastvale, na Califórina, realizei um estágio fantástico em um centro de atendimento educacional a pessoas com autismo e outras desabilidades de linguagem, de comunicação e sociais”, ressalta.

Novo software identifica possíveis sinais de autismo
Um software criado por pesquisadores brasileiros e norte-americanos pode contribuir para o diagnóstico do autismo. O grupo desenvolveu um algoritmo para analisar imagens de crianças desenvolvendo atividades. Ele é capaz de medir a atenção visual de crianças, por exemplo. Estudos mostram que muitos autistas têm dificuldade de olhar nos olhos já no primeiro ano de vida.

Nos testes existentes, é o médico que conta quanto tempo leva para a atenção da criança em resposta a um estímulo mudar. De acordo com Guillermo Sapiro, da Universidade de Duke, nos EUA, a idéia não é substituir o trabalho de profissionais de saúde, mas dar uma ferramenta que possibilite que sintomas sejam identificados também em casas e nas escolas.

O software ainda precisa ser validado. “Como o diagnóstico demora em média quatro anos, devido em parte ao limitado acesso aos especialistas, a triagem precoce é muito importante”, explica Sapiro.

Apae de Ituverava atende
onze pessoas com autismo

Em Ituverava, a Escola de Educação Especial “Isabel Alves Borges de Oliveira”/Associação de Pais e Amigos de Excepcionais atende 11 pessoas com autismo.

Elas participam de atividades em salas de aula, onde é trabalhada uma rotina diária na área pedagógica e em atividades cotidianas.

As atividades realizadas pelos autistas, segundo a diretora da Apae, Lucymara Bertinatto de Carvalho Sanches fazem parte do Currículo Funcional Natural, em que é trabalhado o PEI (Plano de Ensino Individualizado), atividades físicas, com um educador físico, e de apoio.

“Os apoios são da equipe multidisciplinar que é composta por psicólogas, fonoaudióloga, fisioterapeutas, terapeuta ocupacional. Também contamos com um médico psiquiatra e serviço de enfermagem”, explica Lucymara, em entrevista à Tribuna de Ituverava.

“As atividades oferecidas funcionais, uso do computador, danças, vídeos, músicas e arte, tudo com supervisão dos educadores”, ressalta.

Ainda segundo ela, as mães recebem orientação e trocas de experiências no Projeto Aconchego. “Os alunos também participam de atividades extracurriculares nas datas comemorativas”, enfatiza.

Programa
Existe ainda, segundo Lucymara, o PATID, Programa de Atendimento às Pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). “O objetivo é trabalhar a necessidade individual, para desenvolver sua autonomia e para que possa ser aceito socialmente”, destaca.

São professores do PATID, Solange Maria M. S. Nascimento, Maria Aparecida G. de Paula e Sílvia Martins Oliveira. “Cada aluno é um ser único, com suas necessidades e peculiaridades, portanto o trabalho dos profissionais, com formação e especialização de 600 horas, é fazer do autista um cidadão”, finaliza.



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