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09/08/2014

MOSQUITOS TRANSGÊNICOS SERÃO UTILIZADOS NO COMBATE À DENGUE

Foram criados exemplares do Aedes aegypti que tiveram seu DNA alterado para não deixar descendentes, estratégia que reduz a população do mosquito na natureza e diminui a incidência da doença

Empresa britânica Oxitec, responsável pela tecnologia, inaugurou sua primeira fábrica no Brasil

Utilizando um método revolucionário, as prefeituras de Piracicaba e Campinas estudam utilizar um mosquito geneticamente modificado como arma adicional no combate à dengue.

A empresa britânica Oxitec, responsável pela tecnologia, inaugurou, no dia 29 de julho, sua primeira fábrica no Brasil. Instalada em Campinas, a unidade produz exemplares do Aedes aegypti que tiveram seu DNA alterado para não deixar descendentes, estratégia que reduz a população do mosquito na natureza e diminui a incidência da doença.

A estratégia consiste em soltar os machos transgênicos no meio ambiente para que copulem com as fêmeas selvagens, sem que haja descendentes. Só machos são soltos porque eles não picam e não transmitem a doença.

A empresa inaugurada no Brasil terá a capacidade de produzir 2 milhões de mosquitos transgênicos machos por semana. Na fase inicial, a produção chega a 500 mil. A tecnologia foi criada pela empresa em 2002. Por intermédio do Consulado Britânico, a Oxitec realizou os primeiros testes no Brasil em cidades da Bahia, onde foi constatada uma redução de 90% da população de Aedes aegypti selvagens nos locais em que os mosquitos transgênicos foram utilizados.

Eficácia do projeto tem sido questionada por autoridades
O mosquito transgênico para combater a dengue está longe de voar pelos municípios da região. Para o coordenador do Departamento de Vigilância Ambiental de Rio Preto, Abner Henrique Alves, a tecnologia tem que ser melhor desenvolvida. “Até podem não nascer filhotes, mas as fêmeas selvagens, que picam e transmitem a doença, vão continuar no meio ambiente”, diz ele, desconsiderando que, sem novas reproduções, as fêmeas vão desaparecer.

“As prefeituras podem até comprar os mosquitos transgênicos, mas eles serão mortos juntos com os selvagens durante a ação de nebulização”, acrescenta Alves, que aponta também inviabilidade econômica. “O valor do investimento é muito alto.

É um trabalho que tem que durar mais anos. A vacina para imunizar contra a doença e o trabalho de prevenção, acabando com os criadouros, são os melhores métodos para combater a dengue”, defende.

Questionamentos
Embora já tenha sido liberado pela CTNBio, o mosquito é questionado por organizações da sociedade civil que dizem que os testes não são conclusivos. Um dos argumentos usados pelas entidades, entre elas a associação AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, é que o município baiano de Jacobina, onde o mosquito foi testado no ano passado, vive epidemia de dengue neste ano.

Segundo a Oxitec, Jacobina teve só 5% do território tratado com o mosquito. A empresa diz que apresentou à CTNBio dossiê de 900 páginas com as conclusões das pesquisas.

Liberação
Em abril deste ano, o método foi liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mas a comercialização dos insetos transgênicos ainda precisa ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Enquanto a liberação para a venda não sai, a Oxitec busca parceiros governamentais para o uso dos mosquitos em novas pesquisas.

“Apresentamos a tecnologia para representantes de alguns municípios. É bem possível que fechemos alguns contratos, em caráter de pesquisa, com algumas cidades do Estado de São Paulo”, afirma o diretor global de desenvolvimento e negócios da empresa no Brasil, Glen Slade.

Vacina é aposta para reduzir números de casos da doença
A revista científica britânica The Lancet publicou, no último mês, o resultado de testes com uma vacina que mostrou a redução de 88,5% no número de casos de dengue hemorrágica e em 56,5% a contaminação comum da doença entre crianças em cinco países asiáticos. Foi a primeira vez que uma vacina contra a dengue chegou à fase três de estudo clínico, que envolve testes em grande número de voluntários.

A vacina, chamada CYD-TDV e desenvolvida pela empresa farmacêutica francesa Sanofi Pasteur, foi submetida a 10.275 crianças de 2 a 14 anos em 12 áreas endêmicas da Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietnã. Foram aplicadas, no total, três doses da vacina com intervalo de seis meses para cada uma.

Testes
A vacina também está sendo testada em países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil, em cerca de 20 mil voluntários. Do total, 3550 são brasileiros, e os resultados devem ser divulgados no segundo semestre. Os voluntários são de Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Natal e Vitória. Dependendo dos dados obtidos, a Sanofi poderá submeter o registro da vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que possa ser comercializada no Brasil.

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