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11/08/2014
Criança é vacinada contra hepatite AAnúncio foi feito pelo Ministério da Saúde e a vacina estará disponível no Estado a partir de setembro
O Ministério da Saúde deu um importante passo e incluiu a vacina contra “hepatite A” no calendário infantil de vacinação. Com isso, ela passará a ser oferecida gratuitamente nos postos de saúde.
Cada Estado e cidade definirão a data do início, e a meta é imunizar três milhões de crianças em todo o país, entre os 12 meses e os dois anos incompletos, contra a hepatite, que é uma doença infecciosa que afeta o fígado de forma severa.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, que afirmou que o plano é controlar a doença, comum especialmente nas regiões com saneamento precário, até imunizar totalmente a população. Nessa primeira etapa, o governo investiu R$ 111 milhões na compra de 5,6 milhões de doses.
Entre 1999 e 2013, o país registrou mais de 151 mil casos de “hepatite A”. “A partir do momento em que podemos reduzir cerca de 65% dos casos sintomáticos da doença e 59% dos óbitos, temos absoluta convicção de que o investimento vale a pena”, defendeu o ministro.
A iniciativa do Ministério da Saúde atende à recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), que já há algum tempo vinham reivindicando que postos proporcionassem gratuitamente a vacina contra a “hepatite A”.
Reações
A vacina contra a “hepatite A” não deve causar reações incômodos. Ela é eficaz e segura, tanto que pode ser tomada paralelamente a outras imunizações previstas no calendário básico infantil.
A vacina será aplicada gratuitamente nas crianças por meio de injeção, nos postos de saúde. A garantia de qualidade é do Ministério da Saúde, que se associou ao laboratório Merck Sharp & Dohme Farmacêutica, o qual irá transferir a tecnologia e a fórmula ao Instituto Butantan, de São Paulo.
A taxa de incidência da “hepatite A” vem caindo no país desde 2006, mas ainda atinge a média de 3,2 casos para cada 100 mil habitantes. Apesar da tendência de queda, o Ministério da Saúde vai promover a vacinação porque os números seguem alarmantes. De 1999 a 2013, foram registrados 151 mil casos da doença. Entre 2009 e 2012, morreram 761 pacientes no Brasil.
O Norte e Nordeste do país lideram o índice de casos e somam, juntos, 55,8% da incidência.
Idade
A faixa etária escolhida — crianças de 12 meses até dois anos incompletos — não foi aleatória. O Ministério elegeu o público alvo com maior impacto na incidência, além de ações futuras, a partir da experiência testada em outros países. Mas nada impede que outras pessoas, inclusive adultas, tomem a vacina em clínicas privadas, desde que consultem o médico antes.
Dose única
A vacina será em dose única, e segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, tem proteção permanente, ou seja, dura a vida toda. Com a inclusão, o Sistema Único de Saúde passa a disponibilizar catorze vacinas e todas as imunizações recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A vacina já está disponível nos Estados do Acre, Rondônia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Distrito Federal.
Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A partir deste mês, também passarão a oferecer as doses o Amazonas, Amapá, Tocantins, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. São Paulo, Paraná e Roraima vão incluir a vacina na rede pública a partir de setembro.
Coordenadora de campanhas em Ituverava fala sobre vacina
A coordenadora das campanhas de vacinação em Ituverava, Ione Márcia Mendonça de Castro, falou sobre importância de a vacina entrar no calendário.
“Com a inclusão da vacina no calendário, as crianças estarão imunizadas da doença pela vida toda. A faixa etária escolhida para receber a imunização foi selecionada porque nessa idade as crianças estão mais predispostas a contrair a doença, pois podem brincar em locais sujos ou mesmo não fazer a higiene das mãozinhas de forma adequada”, explica em entrevista à Tribuna de Ituverava.
Segundo Ione, a vacina estará disponível nos Postos de Saúde de Ituverava a partir de setembro. “É uma grande conquista para o país, pois o calendário brasileiro de vacinação tem se tornado cada vez mais completo, imunizando e protegendo a população contra os mais diversos tipos de doença”, finaliza.
Hepatite é causada pela ingestão de água e alimentos contaminados
A “hepatite A” é uma doença viral que ataca o fígado. Segundo a OMS, há cerca de 1,4 milhão de casos da doença no mundo. O vírus que causa a doença pode ser transmitido pela a ingestão de água e alimentos contaminados. Por isso, a ela é associada a ambientes com falta de água potável. A OMS considera o saneamento básico e a vacinação como as melhores formas de prevenir a infecção.
Cerca de 3,6 mil casos de “hepatite A” são relatados a cada ano nos Estados Unidos. Como nem todas as pessoas com a doença apresentam sintomas, o número de pessoas infectadas é bem maior do que mostram os registros ou diagnósticos.
Outras infecções comuns pelo vírus da hepatite incluem “hepatite B” e “hepatite C”. A tipo A, no entanto, é a forma menos grave e mais suave da doença, já que outras formas podem se tornar doenças crônicas, ao contrário da “hepatite A”.
Sintomas
Geralmente, os sintomas da hepatite A começam entre 2 e 6 semanas após a exposição ao vírus da hepatite A. Eles são geralmente leves, mas podem durar vários meses, especialmente em adultos.
Tratamento
Não há tratamento específico para “hepatite A”. É recomendado descanso quando os sintomas são mais graves. Pessoas com hepatite aguda devem evitar o álcool e substâncias que são tóxicas para o fígado, incluindo o medicamentos a base de paracetamol.
Alimentos gordurosos podem causar vômitos, pois as substâncias do fígado são necessárias para digerir gorduras. O melhor a fazer é evitar comidas gordurosas durante a fase aguda.