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29/09/2014

EDIÇÃO 3098- ENQUETE - PESQUISAS ELEITORAIS PODEM INFLUENCIAR VOTO DO ELEITOR?

Eleitores escolhem representantes no dia 5 de outubro

No Brasil, elas são feitas por inúmeros institutos, sendo os principais Datafolha, Ibope,Vox Populi e Sensus

No Brasil, as pesquisas surgiram há mais de meio século. Mais duradouras que a própria democracia, elas buscam captar e aferir tendências e reproduzir, com base em entrevistas e projeções matemáticas e estatísticas, cenários reais, seja para averiguar a penetração de determinado produto, seja para verificar o nome mais adequado para uma nova marca.

Os institutos de pesquisa, porém, ganham importância e destaque quando o assunto é eleição. Nos anos em que há pleito, os nomes dos quatro maiores e mais tradicionais institutos brasileiros de pesquisa – Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus – ganham notoriedade.

Nas últimas semanas, dezenas de pesquisas eleitorais incendiaram o cenário político, expondo uma acirrada disputa entre a candidata Marina Silva (PSB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), e até mesmo uma recente reação de Aécio Neves (PSDB), cuja preferência de voto havia caído por conta da ascendente e fulminante chegada da ambientalista à corrida presidencial, após a trágica morte de Eduardo Campos em meados de agosto.

Os estudos serviram de termômetro para o cenário eleitoral e foram amplamente repercutidos na imprensa, nas campanhas políticas, entre analistas, professores e, claro, por parte dos mais de 140 milhões de eleitores brasileiros.

Complexidade
O tema é polêmico principalmente por dois motivos: um é a complexidade técnica do assunto, e outro diz respeito às discordâncias sobre a metodologia entre alguns estatísticos independentes e acadêmicos, de um lado, e estatísticos dos institutos e sociólogos, do outro.

Muitos estudiosos ainda defendem que os estudos ajudam a moldar a decisão do eleitor. Por exemplo, uma pessoa que não quer a reeleição de Dilma pode escolher votar em Marina por julgar que ela tem mais chances do que Aécio, que seria sua escolha inicial.

“As pesquisas eleitorais tendem a favorecer os candidatos que estão na dianteira, que também vão atrair patrocinadores. As doações serão maiores para aqueles com mais pontos nas pesquisas”, afirma o analista de comunicação política Gaudêncio Torquato, da GT Consultoria.

Com o argumento nessa direção, nas eleições presidenciais de 2014, alguns candidatos presidenciais de certa popularidade, mas pior colocados nas pesquisas, como Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) têm repetidamente solicitado aos eleitores para que votem por convicção no primeiro turno, ou seja, que escolham o candidato com o qual mais se identificarem, para depois, se for o caso, escolherem outra opção em um iminente segundo turno.

Pesquisas eleitorais
Primeiramente, todas as pesquisas publicadas devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral, obedecendo a uma série de normas.

Grosso modo, os institutos de pesquisa (Datafolha, Ibope, Vox Populi etc.) consultam poucos milhares de eleitores (o montante varia de pesquisa a pesquisa), levando em conta a diversidade de gênero, idade, escolaridade, cor, entre outros dados básicos, a fim de estabelecer comparações e relações mais amplas com o eleitorado.

Resultados
Mesmo com todas estas questões, a confusão nunca foi a marca dos institutos brasileiros. As suspeitas de manipulação de números, que sempre surgem contra um ou outro instituto em praticamente todas as eleições, nunca foram comprovadas. O índice de acerto das pesquisas é de 98%.

Diferenças
Embora as pesquisas sejam realizadas de forma bastante parecida entre os principais institutos do país, elas põem apresentar realidades distintas e permitem interpretações variadas e contraditórias.

Os números são ainda menos definidores do quadro político por duas razões principais. O primeiro deles é que o eleitor pode ter um candidato a princípio, mas votar em outro no dia da eleição. Já o segundo é a margem de erro. Ela é um desvio estatístico inerente à pesquisa – que não existe no voto, que é contado um a um. De modo geral, os institutos de pesquisa assumem que seus resultados são corretos apenas quando considerados dentro de uma faixa que varia 2 pontos para cima ou para baixo. Ou seja, o candidato que aparece com 30 pontos em uma pesquisa pode ter, na margem superior, 32 pontos ou, na margem inferior, 28 pontos.

Quando se imagina que um concorrente mais próximo tem sua pontuação submetida ao mesmo sistema, quem aparece em primeiro pode estar em segundo, ou ambos podem estar empatados.



Candidatos à presidência da República


Marina Silva 40

Aécio Neves 45

Dilma Rousseff 13

Eduardo Jorge 43

Eymael 27

Levy Fidelix 28

Luciana Genro 50

Mauro Iasi 21

Pastor Everaldo 20

Rui Costa Pimenta 29

Zé Maria 16



Candidatos ao senado pelo Estado de São Paulo


Eduardo Suplicy 131

Gilberto Kassab 555

José Serra 456

Ana Luiza 161

Edmilson Costa 210

Fernando Lucas 441

Juraci Garcia 290

Kaka Wera 430

Marlene Campos Machado 140

Senador Fláquer 281



Candidatos ao governo do Estado de São Paulo


Geraldo Alckmin 45

Skaf 15

Padilha 13

Gilberto Natalini 43

Laércio Benko 31

Maringoni 50

Raimundo Sena 29

Wagner Farias 21



Consultor político diz que brasileiro não sabe votar
Votar conscientemente deveria ser comum para o brasileiro. Mas, infelizmente, o que se vê é uma infinidade de eleitores escolhendo candidatos por diversos motivos que deveriam ser secundários. Porque é amigo, para “dar uma força”, muitas vezes se elege para cargos públicos alguém cujo eleitor nem mesmo sabe quais são as propostas de governo.

Apesar da leviandade com que é tratada, a política é um assunto sério. Ela define as Leis, que organizam a vida em sociedade. São os representantes do povo, eleitos democraticamente, que administram o dinheiro público, dentre diversas outras atribuições a eles conferidas. Nas cidades menores, é estarrecedor o número de candidatos que aprece nesta época. Eles conseguem votos e nunca trouxeram, e nem vão trazes, benefícios para a cidade.

Generalizar
O consultor político Diego Pudo, da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), falou sobre a importância do voto consciente e os perigos que o “voto protesto” pode trazer para a sociedade. “Generalizar é um equívoco, mas, certamente, a grande massa brasileira ainda está longe de saber usar o voto de forma consciente. O primeiro ponto é o desinteresse por qualquer assunto que envolva políticos ou política. Muito se deve ao pensamento relacionado à corrupção, com a qual o país sofre há anos, gerando a sensação do todo político é igual”, defende.

“Esse conceito acaba influenciando em dois tipos de votos, muitas vezes. O primeiro deles é o voto ‘protesto’, no qual o eleitor vota em candidatos nos quais sabe que nada ou pouco farão pelo bem da coletividade. Já o segundo é o voto ‘egoísta’, que consiste votar no candidato mais próximo, que possa refletir em uma eventual benfeitoria a seu favor”, ressalta.

Escolha
Pudo lembra, no entanto, que saber votar não se resume apenas a ficar atento ao que ouve ou lê em época de campanha eleitoral. “Pesquisar notícias recentes e antigas sobre o candidato pelo qual se está propenso a votar é uma ação fundamental. Checar os dados públicos do candidato, procurar entender as propostas e, se possível, checar se as propostas das eleições passadas foram cumpridas, caso o candidato já tenha sido eleito em outras oportunidades”, destaca.

“Vale ressaltar que votar no parente, amigo, vizinho ou qualquer pessoa próxima, desde que seja confiável, que tenha boas propostas, que se sinta seguro do que almeja, é válido. O que não é aconselhável é votar em alguém próximo para ajudá-lo ou para se ajudar, individualmente. Parte-se do princípio de que devemos eleger um representante que esteja mais preparado intelectualmente, emocionalmente e ideologicamente do que nós mesmos ou, na pior das hipóteses, ao mesmo nível”, enfatiza.

Eleitores ainda estão indecisos para deputado federal e estadual
Pesquisa Datafolha divulgada no dia 19 de setembro, a pouco mais de duas semanas da eleição, mostra que 72% do eleitorado brasileiro ainda não decidiu em quem votar para deputado federal e 69% ainda não escolheram o deputado estadual.

Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 20% entre os mais jovens já escolheram em quem votar para deputado federal. A média é maior entre os com renda mensal familiar de 5 a 10 salários mínimos (36%) e acima de 10 salários (36%). Para deputado estadual, a média dos que escolheram seu candidato é maior entre os mais escolarizados (41%) e os mais ricos (45%).

Enquete
Para saber se o ituveravense acredita que as pesquisas eleitorais influenciam o voto, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. A maior parte dos entrevistados acredita na influência e diz que já decidiu em quem votar.

Confira as respostas:



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