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08/11/2014

DOENÇA DE ALZHEIMER AGRAVA GRADUALMENTE E NÃO TEM CURA

A psicóloga clínica, Marina Rodrigues Bernardini

Psicóloga clínica, Marina Rodrigues Bernardini, considera alguns cuidados essenciais para amenizar o problema

Em meio a tantas doenças, o mal de Alzheimer está entre as mais tristes, tanto para o doente quanto para os familiares, que às vezes não são mais reconhecidos pelo portadores da doença.

Buscando se especializar da doença, a psicóloga clínica, pós-graduada em Psicologia do Trânsito e especializada em Psicoterapia Breve, Marina Rodrigues Bernardini, recentemente concluiu o curso de “Reabilitação na doença de Alzheimer”.

Segundo ela, o Alzheimer é a forma mais comum de demência e se agrava progressivamente, sendo classificada como um transtorno neurodegenerativo. “A demência é o resultado de doenças que afetam o cérebro de forma crônica e progressiva com perturbação das funções mentais incluindo a memória, orientação, compreensão, cálculo, linguagem, juízo crítico e personalidade. Estas perturbações afetam o funcionamento diário da pessoa e interferem na vida social, familiar e no trabalho”, explica.

“Ela é progressiva e lenta e varia de um individuo para outro. Existem outros tipos de demência além da doença de Alzheimer, como corpos de Lewy, trauma cerebral, pick, entre outros”, ressalta Marina.

Origem
O nome da doença faz referência ao médico Alois Alzheimer, que a identificou em 1906. “A prevalência aumenta com a idade. De 2% a 4% da população com mais de 65 anos são diagnosticados com Alzheimer”, diz a psicóloga.

A doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável e ao longo do tempo vai se agravando. “Geralmente se manifesta em pessoas idosas e ficou erroneamente conhecida como ‘ caduquice’. É uma doença do cérebro (morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro), progressiva, irreversível e com causas pouco conhecidas. Ela se apresenta com um quadro de demência ou perda das funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem)”, esclarece.

“Progressivamente, as outras funções mentais, acabam por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes, que se tornam incapazes de realizar pequenas tarefas, deixando de reconhecer os rostos familiares, ficam incontinentes e acabam, quase sempre, acamados”, diz.

Causas
Marina explica que ainda não se sabe as causas da doença, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características ocorrendo uma progressiva diminuição do volume cerebral. “Existe o Alzheimer genético e o hereditário. Alzheimer familiar é um tipo de doença que possui um forte traço hereditário, afetando vários indivíduos da mesma família se manifestando de forma precoce. E o genético é aquele que é causado por uma mutação genética, sem casos da doença na família e se manifesta depois dos 65 anos”, esclarece.

“Se alguém da família possui parentes diretos diagnosticados com Alzheimer, existe um possível risco de sofrer com a mesma doença, portanto, é importante iniciar os testes para o diagnóstico e se preciso iniciar o tratamento para garantir melhor qualidade de vida”, destaca.

As causas, segundo Marina, são ainda desconhecidas, mas sabe-se que o risco aumenta com a idade, com enfartes cerebrais múltiplos, alcoolismo, doenças da tireóide, traumatismos cranianos e infecções do sistema nervoso central. “As mulheres têm mais predisposição para o surgimento da doença do que os homens. A existência de outro caso na família é uma das causas mais comuns”, afirma.

Sintomas
Os primeiros sintomas são confundidos com sinais relacionados à idade ou manifestações de estresse. O mais comum é a dificuldade de recordar eventos recentes, ou seja, perda da memória em curto prazo. “Com o tempo outros sinais e sintomas são manifestados como: afasia, dificuldade de realizar tarefas familiares, mudanças de humor ou de comportamento (colocam coisas em locais errados), problemas com o pensamento abstrato, perturbações obsessivo-compulsivas e desinibição sexual. À medida que a doença evolui, o doente pode passar a ter comportamento agressivo e a perda de memória a curto e longo prazo, fatores comuns na vida do paciente e gradualmente o corpo vai perdendo as funções normais, sendo assim classificada como uma doença neuro-vegetativa”, enfatiza.

Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por médicos e psicólogos habilitados através de exames psicológicos que avaliam a cognição, comportamento e a capacidade de raciocínio das pessoas, e que podem ser completados por um exame cerebral. Existe uma bateria de testes psicológicos que são aplicados no paciente com intuito de avaliar seu comportamento, sociabilidade, raciocínio e pensamento cognitivo.

Apoio
Por ser uma doença que provoca alterações de diferentes níveis, impedindo o individuo de ser ele próprio, é importante proporcionar aos portadores do mal de Alzheimer, segundo Marina, atividades do seu agrado, de modo a mantê-lo ocupado e em harmonia.

“Portanto, em todas as fases da doença é necessário manter uma atitude carinhosa e tranqüilizadora compreendendo que tais dificuldades fazem parte da vida do portador de Alzheimer e as atitudes regressivas fazem parte do processo de adoecimento”, completa.

Tratamento
Quanto ao tratamento farmacológico, o SUS oferece, por meio do programa de medicamentos excepcionais, remédios como a donepezila entre outros, que é ministrado no tratamento do Alzheimer. “É bom lembrar que os medicamentos não impedem a evolução da doença, pois têm utilidade no estágio inicial podendo retardar os efeitos do Alzheimer. Outros sintomas como de irritabilidade, depressão, inquietação, alterações do ritmo sono-vigília, etc. podem ser associados ao tratamento no intuito de amenizar tais sintomas em alguns casos”, ressalta Marina.

“A reabilitação dos pacientes é geralmente realizada por psicólogo habilitado, com o objetivo de capacitar o doente e sua família a lidarem com as conseqüências que a doença de Alzheimer traz, ensinando estratégias compensatórias e ajudando na organização de respostas, que poderão facilitar a qualidade de vida deles”, destaca.

Segundo Marina, outros tipos de atividades podem auxiliar no tratamento, como a Terapia Ocupacional e Fisioterapia. Neste caso são sugeridas exercícios físicos e uma dieta equilibrada.

Dez situações que podem indicar mal de Alzheimer


Perda de memória, especialmente de acontecimentos recentes

Dificuldade em executar tarefas do cotidiano, como usar o telefone

Desorientação com relação ao tempo e espaço

Problemas de discernimento, como dificuldade em se vestir de acordo com a estação do ano, por exemplo

Problemas de linguagem, como esquecimento de palavras simples associado à dificuldade de compreensão da fala e da escrita

Dificuldade em fazer contas ou mesmo reconhecer números

Trocar o lugar das coisas, como colocar o ferro de passar roupa na geladeira, por exemplo

Alteração brusca de humor sem razão aparente

Alteração na personalidade de modo a se identificar na pessoa apatia, confusão ou desconfiança

Perda de iniciativa, com características de desinteresse pelas atividades habituais



Alguns cuidados podem ajudar os portadores da doença




Facilitar o reconhecimento dos ambientes da casa evitando mudar os objetos

Usar roupas que sejam facilmente desapertadas

Tentar que ele não beba nada antes de ir para a cama

Verificar se a cama não está muito alta

Tornar a deslocação dentro da casa mais fácil

Não colocar tapetes ao lado da cama ou em qualquer outro local

Providenciar iluminação suficiente

Não ter móveis baixos, com arestas vivas

Não ter degraus que não sejam facilmente visíveis

Não deixar que o doente use calçado apertado

Organizar a casa de modo a que ele possa encontrar um ponto onde se apoiar quando se desloca de um compartimento para outro

Ter uma fotografia atualizada do doente, para o caso deste se perder e precisar pedir informações

O doente deve trazer sempre algo que o identifique, por exemplo, uma pulseira com nome, endereço e telefone

Prevenir os vizinhos e comerciantes próximos do estado do doente

Em casa, fechar as portas de saída para a rua, para evitar que o doente saia sozinho

Nas refeições, sentá-lo á vontade e á sua frente, para que ele possa imitar seus gestos

Cortar os alimentos em pedaços pequenos

Deixar usar as mãos em vez de faca e garfo

Utilizar relógios grandes, letreiros com indicação do conteúdo dos armários e eletrodomésticos

Se o doente quiser sair de casa, não deve impedi-lo de fazer. É preferível acompanhá-lo ou vigiá-lo a distância

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