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01/12/2014
Idoso é examinado por médicaUm terço de todas as fraturas de quadril no mundo ocorre em homens, com taxa de mortalidade até 37%
A Osteoporose é um perigo real para muitas pessoas, e tem feito cada vez mais vítimas do sexo masculino. É o que apontou a campanha “Ame seus ossos”, realizada em comemoração ao Dia Mundial da Osteoporose.
A doença se caracteriza pelo enfraquecimento dos ossos e acomete principalmente os mais velhos. Essa é uma iniciativa da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF em inglês), que conta com o apoio global de diversas instituições.
A fundação divulgou dados que mostram que um terço de todas as fraturas de quadril no mundo ocorre em homens, com taxa de mortalidade até 37% no primeiro ano após a fratura, o que significa duas vezes mais que a de mulheres.
Isso, mesmo com uma proporção de incidência de casos em mulheres superior à dos homens – um em cada três casos, a partir dos 50 anos. Entre o sexo masculino a proporção é de um homem a cada cinco casos.
O relatório do IOF mostra ainda que de 1950 a 2050 o número de homens com 60 anos ou mais – o grupo etário de maior risco de osteoporose – deve aumentar dez vezes.
Para o chefe do Departamento de Medicina Interna do Instituto Nacional do Câncer, Salo Buksman, que atende casos de homens em estágio avançado da doença, a campanha é muito importante para garantir o tratamento antes da primeira fratura.
Conceito equivocado
“Os homens, a sociedade em geral e mesmo os médicos têm um conceito equivocado de que a osteoporose é uma doença feminina. Há muitos homens com osteoporose, sobretudo depois dos 70 anos”, observa.
“Como o indivíduo não está ciente desse fato, não busca o diagnóstico e só fica sabendo que tem a doença depois da primeira fratura”, destacou Buksman, ao lembrar que a osteoporose é uma das principais causas de quedas e fraturas em idosos.
O ortopedista esclareceu que homens com mais de 70 anos devem fazer o exame de densitometria óssea, que detecta a osteoporose, pelo menos uma vez.
“Mesmo os homens mais jovens devem fazer o exame se tiverem determinados fatores de risco, como o uso de cortisona, determinados hormônios, remédios anticonvulsivantes”, afirmou. O tratamento consiste basicamente em ingestão de cálcio, vitamina D e outros remédios de combate à doença.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, João Bastos, o risco de osteoporose em homens é de 27%, enquanto o de câncer de próstata é de 11%, doença mais alardeada em campanhas voltadas para os homens. As formas de prevenção valem para ambos os sexos.
“A atividade física, alimentação adequada na infância e adolescência, evitar o tabagismo e a ingestão excessiva de bebida alcoólica são alguns dos fatores importantes para a qualidade do osso formado ao longo da vida, o que contribui para diminuir o risco de osteoporose na vida adulta e na velhice”, destacou o médico.
Osteoporose também pode atingir dentes e área bucal
A osteoporose é uma doença metabólica crônica e progressiva, caracterizada por uma taxa de reabsorção óssea maior que a formação, ocorrendo perda de massa óssea, fragilidade e suscetibilidade a fraturas. O que pouco se discute é que essa patologia acomete o organismo também no âmbito bucal.
Antigamente, acreditava-se que a perda óssea da maxila e da mandíbula era provocada somente por fatores locais, como perda de dentes, infecções, cistos, tumores, ou por conta da carga de mastigação sobre as gengivas com próteses e dentaduras.
Porém, pesquisas científicas indicam relações diretas entre a osteoporose e a reabsorção dos rebordos alveolares (osso abaixo das gengivas) das áreas sem dentes. A diminuição desse tipo de osso interfere na colocação de próteses e implantes. Se for associada a problemas periodontais, a perda óssea será ainda mais grave.
Pesquisadores sugerem que a perda de osso alveolar (osso que segura os dentes), com o avanço da idade, realmente pode ser uma manifestação da osteoporose.
A falta de dentes é comum em pessoas com mais de 50 anos e também propensas à osteoporose. Nessa faixa etária, é importante que a pessoa faça o tratamento da doença antes de pensar em fazer implantes, pois o sucesso desse procedimento depende do estado e da capacidade de cicatrização de osso em volta da peça implantada, ou seja, a sua ósseo-integração.
Falta de exposição ao sol pode levar à osteoporose
Aproximadamente 15% dos casos de osteoporose em homens são atribuídos à falta de exposição ao sol que causa deficiência de vitamina D, à insuficiência hepática ou renal, à baixa ingestão de cálcio, à redução dos níveis de estrogênio (hormônio feminino importante para a manutenção da massa óssea, que os homens também sintetizam a partir da testosterona) e ao uso de inibidores de protease no tratamento da Aids.
Constituem causas menos comuns: índice da massa corpórea abaixo de 20, falta ou excesso de exercício, diabetes, hipertireoidismo, doença do glúten, drogas contra a epilepsia ou imunossupressores usados em transplantes de órgão. Em até 40% dos casos as causas secundárias permanecem incertas.
O diagnóstico é feito por meio da densitometria óssea, exame de imagem que compara a densidade mineral dos ossos do paciente com aquela apresentada pelos jovens e pela maioria das pessoas da mesma faixa etária. Nos homens, a densitometria óssea é recomendada a partir dos 70 anos. Nos grupos que correm maior risco as avaliações devem começar antes.
Tratamento
O tratamento envolve mudanças de estilo de vida e medicamentos, andar e fazer exercícios o que reduz o risco de quedas e fraturas nas pessoas de idade.
Suplementos de cálcio e vitamina D são recomendados para manter a massa óssea, especialmente naqueles cujas dietas são pobres em leite e laticínios, alimentos ricos em cálcio, e nos que não apanham sol. As doses são de 1,2 mil mg a 1,5 mil mg diárias de cálcio e de 800 a 2 mil unidades de vitamina D.
Medicamentos para aumentar a massa óssea devem ser receitados quando o resultado da densitometria cai na faixa de osteoporose. Alguns especialistas, entretanto, preferem prescrevê-los quando existe osteopenia em uma pessoa que já sofreu uma fratura causada por um trauma pequeno.
Diversas drogas
A primeira opção medicamentosa são os bisfosfonatos, grupo que inclui diversas drogas, algumas de administração diária, outras de uso semanal, mensal ou semestral.
Administração subcutânea diária do hormônio das paratireóides está reservada para os casos de osteoporose mais grave, e para os intolerantes aos bisfosfonatos.
Embora limitados, os estudos sobre reposição de testosterona em pacientes com hipogonadismo demonstram que o tratamento é capaz de aumentar a densidade mineral dos ossos. Os riscos da reposição envolvem aumento benigno da próstata, apnéia do sono e, talvez, câncer de próstata.