Nossa Capa


Publicidade





ENQUETES

Voltar | imprimir

07/12/2014

EDIÇÃO 3108 ENQUETES -DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS FOI NA ÚLTIMA SEGUNDA

Ação realizada ano passado, onde estudantes vestidos com blusa vermelha formaram em Seul, na Coreia do Sul, o símbolo do Dia Mundial da Luta contra a Aids

Em seis anos houve um aumento de mais de 50% no número de casos de Aids entre os jovens no Brasil

A última segunda-feira, 1° de dezembro, foi o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, doença que, infelizmente, não tem sido lembrada como deveria. Com ápice nos anos 80, a doença fez diversas vítimas fatais, como os cantores Freddy Mercury, ex-líder da banda Queen, e os brasileiros Cazuza e Renato Russo. Quem viveu neste período sabe da seriedade da doença, porém quem nasceu depois desta época, as vezes pode não se atentar sobre os perigos do HIV, vírus transmissor da Aids.

Prova disso é que em seis anos aos casos da doença aumentaram mais de 50% entre jovens no Brasil. Os dados, referentes a faixa etária entre 15 a 24 anos, demonstram que o país está na contramão do mundo, onde os números têm caído cada vez mais. No mesmo período, no resto do mundo, a queda foi de 32%.

Enquete
Para saber se os ituveravenses acreditam que as pessoas têm o hábito de se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo a Aids, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Principal motivo
“O principal motivo é o comportamento sexual dos jovens, pois acham que não correm o risco de contrais a Aids, e que para não se contaminar é só tomar remédio e está tudo bem. Ma não é bem assim.

A Aids é uma doença grave, que não tem cura, e a pessoa infectada deve usar medicamentos a vida inteira. Além do mais, ela causa muito sofrimento e pode levar a morte”, alerta o médico Dráuzio Varella.

O secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, diz Jarbas Barbosa, faz um alerta. “A taxa de detecção de Aids entre jovens de 15 a 24 anos vem crescendo em uma velocidade bem maior que da população em geral”, observa.

Existem ainda casos em que o portador ainda não sabe que possui a doença. De acordo com o Ministério da Saúde, este número é alto: cerca de 150 mil pessoas. O que não deveria ocorrer, já que hoje é possível saber em menos de 20 minutos se a pessoa está ou não infectada com o HIV. Um teste rápido, que pode ser feito de graça na rede pública de saúde, é disponível para qualquer um e não precisa de hora marcada.

Novo comprimido previne a contaminação em até 92%
Na população geral, quatro em cada mil pessoas são portadoras do HIV. Mas entre os jovens gays, esse número é 20 vezes maior: 100 em cada 1 mil. Hoje, 150 mil pessoas no Brasil não sabem que têm a doença.

Ainda não existe cura para a Aids, mas a esperança pode estar em quem não tem o vírus. Um único comprimido, que, tomado rigorosamente todos os dias, previne a contaminação em até 92%. A profilaxia pré-exposição, ou PREP, já é uma realidade nos Estados Unidos. Uma revolução na prevenção da Aids.

"É a primeira vez em 30 anos que descobrimos uma alternativa para prevenir o HIV além da camisinha. Isso muda tudo. É maravilhoso", diz Howard Grossman, médico e pesquisador especializado em HIV.

O remédio já fazia parte do coquetel para o tratamento dos portadores do vírus, mas os cientistas descobriram que ele também funcionava em quem não era contaminado vírus, mas de forma diferente: criando uma barreira de proteção e impedindo o HIV de se instalar nas células da pessoa.

Uso de camisinha
"Alguns médicos acham que, por tomar esse remédio, as pessoas vão parar de usar camisinha. Mas não é isso. O remédio é para reduzir o risco de contaminação", diz o paciente Damon Jacobs.

No Brasil, uma pesquisa da Universidade de São Paulo e da Fiocruz, no Rio de Janeiro, ainda está na fase inicial de testes para esse remédio. Só deve estar disponível para os brasileiros daqui a dois anos.

Preservativo
O remédio só consegue evitar a transmissão do HIV, e mesmo assim não é 100% seguro. Por isso, é fundamental continuar usando camisinha. Até porque existem outras doenças tão graves quanto a Aids que também são sexualmente transmissíveis. É o caso da Hepatite B, por exemplo, que pode ser fatal.

Desde dezembro, quem tem teste positivo do HIV já começa o tratamento imediatamente. E isso a gente espera que em 4 ou 5 anos já produza uma redução muito importante na transmissão do HIV no Brasil”, diz o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

Ajuda
No caso de uma pessoa transar sem usar camisinha, é fundamental procurar a rede pública para receber o tratamento preventivo, os remédios que vão evitar que o HIV penetre o organismo.

Esta é uma medida de emergência, que deve ser tomada no máximo 72 horas depois do contato sexual. O tratamento dura um mês, e os remédios devem ser tomados todos os dias, rigorosamente.

Esses remédios de emergência, chamados de profilaxia pós-exposição, ou PEP, estão disponíveis da rede pública, mas pouca gente sabe. No ano passado, foram usados pouco mais de 20 mil kits de PEP em todo o país.

Incidência da Aids é maior em Ituverava que na microrregião
Em Ituverava, de acordo com levantamento feito pelo Ambulatório DST/Aids, da Secretaria Municipal de Saúde, a incidência de portadores da doença no município é alta. A média da microrregião é de 10,22 portadores para cada 100 mil habitantes, enquanto em Ituverava, este número é quase cinco vezes maior: 48,6 portadores para cada 100 mil habitantes.

A mortalidade, no entanto, é menor. Na microrregião, o número de vítimas fatais é de 6,39 para cada 100 mil habitantes, enquanto em Ituverava são 5,12 para cada 100 mil.

Ainda de acordo com levantamento feito pelo órgão, o número de testes tem aumentado nos últimos anos. Em 2013 foram 3.285, já em 2012 foram 2.218. Há dez anos, em 2004, o número de testes feitos foi de 673.

Campanha “Fique Sabendo”
A Secretaria Municipal de Saúde de Ituverava, por meio do Ambulatório DST/Aids promoveu nesta semana, entre os dias 1º a 5 de dezembro, a Campanha Fique Sabendo, que consiste na realização de testes rápidos para o diagnóstico precoce para sorologia do HIV.

A campanha foi realizada com o intuito de detectar precocemente a presença do vírus HIV e, dessa forma, permitir que a pessoa inicie o tratamento imediatamente, o que resulta em uma melhor qualidade de vida.

A meta e atingir pessoas sexualmente ativas que nunca realizaram o teste de HIV, sífilis e hepatites e ampliar o acesso da população à informação sobre transmissão, prevenção e tratamento das doenças.

Locais
Os teste foram realizados nas unidades de Saúde da Família do Jardim Independência, Benedito Trajano Borges, Cohab, São Benedito da Cachoeirinha, Vila São Jorge/Parque dos Esportes, Alto da Estação e no Posto de Saúde Central, das 7h às 10h e das 13h às 16h.

11 mil pessoas morrem por ano devido à Aids no Brasil
Atualmente, no Brasil, cerca de 11 mil pessoas morrem por ano em conseqüência da Aids. Embora ainda seja alto, o número de mortes diminuiu drasticamente, e os portadores do HIV viverem uma vida quase normal.

Porém, a vida de um portador de HIV não é fácil. Além da obrigação de ter que tomar diversos remédios todos os dias para o resto da vida, os pacientes também sofrem efeitos colaterais, com tontura, náusea e até pesadelos.

Um em cada cinco jovens não agüenta essa rotina e abandona o tratamento. Esse erro traz graves conseqüências. É o caso do jovem Marvin Jerônimo Teixeira, que descobriu ser portador de HIV no ano passado, e abandonou o tratamento. O resultado é que agora ele está perdendo a visão.

Sua visão tem sido afetada por um vírus chamado citomegalovírus, que destrói a retina. Marvin ficará cego do olho direito e, talvez, até do olho esquerdo.

Ele era pintor de paredes, e sem a visão, não tem mais como trabalhar. Como ele, um terço dos jovens diz não usar preservativo quase nunca ou nunca, de acordo com uma pesquisa da Unifesp.

Sobe 29% total de pessoas que usam antirretrovirais contra HIV
O número de pessoas em tratamento com antirretrovirais no Brasil cresceu 29% em um ano, segundo balanço do Ministério da Saúde. Os dados foram divulgados na última segunda-feira, 1º de dezembro, pelo gestor da pasta, Arthur Chioro, durante evento em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids.

De acordo com o levantamento, 47.506 pessoas começaram a usar a medicação no período entre janeiro e outubro do ano passado, contra 61.221 na mesma época deste ano. No total, há quase 400 mil pessoas no país em tratamento com esses remédios.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que esse crescimento está relacionado à mudança no protocolo clínico a doença, que completou um ano. Agora, todas as pessoas que apresentam resultado positivo para o HIV passam a fazer uso dos antirretrovirais, mesmo as que não têm comprometimento do sistema imunológico.

Riscos
Além disso, desde 2012, todas as pessoas que se expuseram ao risco de contrair o vírus podem tomar, em até 72 horas, o "coquetel do dia seguinte". A medida dura 28 dias e tem o objetivo de evitar a multiplicação do vírus.

O novo boletim epidemiológico apontou que 734 mil pessoas vivem com HIV e Aids hoje no Brasil. Deste total, 89% foram diagnosticadas. O avanço da doença é considerado estabilizado no país, que tem taxa de detecção em torno de 20,4 casos a cada 100 mil habitantes. São 39 mil ocorrências ao ano.

A região com maior número de novos casos é a Sudeste – 38,6%. O estudo mostra ainda que houve queda de 35,7% na taxa de detecção em menores de 5 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 0,4% da população brasileira tem HIV.

Vírus
O vírus HIV é transmitido pelo sangue, sêmen e leite materno. A infecção não tem cura, mas pode ser controlada por anos com o uso de coquetéis de drogas antivirais. A estimativa é que a pandemia de Aids, que começou há mais de 30 anos, já tenha matado até 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O SUS oferece um teste rápido, gratuito e sigiloso para interessados em descobrir se estão ou não infectados pelo vírus. O resultado sai em menos de 20 minutos, e não é necessário agendar o procedimento.

Confira as respostas:

Voltar | Indique para um amigo | imprimir