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15/01/2015

EDIÇÃO 3112 ENQUETES - JUSTIÇA RESTRINGE PROPAGANDA DE CERVEJAS E VINHOS EM TODO O PAÍS

Propaganda de cerveja com o músico Erasmo Carlos

Anúncios poderão ser veiculados apenas entre as 21h e 6h; até 23h só serão permitidos em programas para maiores

Uma decisão proferida dia 11 de dezembro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, prevê maior restrição a propagandas de cerveja e vinho em todo o país. Em 180 dias após a publicação da decisão, só poderão ser veiculados anúncios no rádio e na TV entre as 21h e 6h. Até as 23h, a propaganda será permitida só em programas não recomendados para menores de 18 anos.

O prazo de seis meses foi estipulado para adequação dos contratos entre as fabricantes e as empresas de publicidade. Cabe recurso da decisão no próprio TRF-4, o que pode derrubar a nova regra.

O conteúdo também será afetado: ficam proibidas propagandas que associem o consumo das bebidas “ao esporte olímpico ou de competição, ao desempenho saudável de qualquer atividade, à condução de veículos e a imagens ou idéias de maior êxito ou sexualidade das pessoas”. Não será permitida, por exemplo, que uma pessoa vestindo trajes esportivos apareça na peça publicitária bebendo cerveja.

Os rótulos também deverão mudar, contendo a seguinte advertência: "Evite o Consumo Excessivo de Álcool". Nos locais que vendem cerveja e vinho, deverá ser afixado advertência informando ser crime dirigir sob a influência de álcool, punido com prisão.

Restrições do tipo já valem para bebidas mais fortes, como uísque e vodca (com teor alcoólico acima de 13 graus na escala Gay Lussac). A novidade da decisão é que ela passa valer também para aquelas com teor acima de 0,5 grau.

O julgamento se deu sobre três ações sobre o assunto, uma delas do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul.

O órgão argumentou haver “evidências científicas” de que a publicidade influencia o consumo de jovens, especialmente de forma precoce e intensa. Também sustentou que no país existe uma alta exposição de adolescentes a esse tipo de publicidade.

Justificativa
“O álcool é responsável por mortes violentas, abuso sexual, agressões, acidentes de trânsito, violência doméstica, diversas enfermidades, inclusive do feto e recém-nato de mãe alcoolista, exposição a comportamentos de risco, como direção sob efeito de álcool, sexo sem proteção e uso de outras drogas”, diz outro trecho da ação.

O relator do caso, desembargador federal Luís Alberto DAzevedo Aurvalle, acolheu o pedido e foi seguido pelos colegas Vivian Josete Pantaleão Caminha e Candido Alfredo Silva Leal Junior.

Por meio de sua assessoria, a entidade que reúne as maiores cervejarias do país, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), disse que não comenta casos ainda em andamento. A associação participou do julgamento no TRF-4 como parte interessada.

Emissoras temem prejuízo após restrição de propagandas na TV
A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região deverá mexer no caixa das emissoras. Segundo levantamento da Controle da Concorrência, empresa que monitora inserções comerciais para o mercado, divulgado pela coluna Outro Canal, no período da Copa do Mundo deste ano as cinco grandes redes - Globo, Record, SBT, Band e RedeTV! - exibiram 3.675 inserções comerciais de cerveja só em São Paulo.

Somados os valores brutos sem descontos dessas ações, chegam a R$ 82 milhões. Já depois do Mundial, de agosto a setembro, o estudo contabilizou 2,1 mil inserções publicitárias de cerveja na TV, somando investimento bruto de R$ 48 milhões.

A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) já informou que irá recorrer da decisão na Justiça.

Propagandas de cerveja têm tentado atingir as mulheres
Por vários anos, a combinação “cerveja gelada e mulher quase pelada” foi intensamente explorada por publicitários como uma espécie de fórmula mágica para vender a bebida. Essa predileção, no entanto, começa a fazer parte do passado. No entanto, nos últimos tempos as cervejarias mudaram esta fórmula.

“Nas propagandas antigas, a mulher era retratada como um prêmio para o homem que escolhia determinada marca. Agora, perceberam que a fórmula está batida”, afirma Selma Felerico, professora da Escola Superior de Propaganda e marketing (ESPM).

Grande parte das empresas abandonou a estratégia de vender cerveja abusando de imagens de mulheres sensuais com pouca roupa. A nova leva de propagandas utiliza mais humor e delicadeza para passar suas mensagens. Elas surgem agora menos provocantes, retratando tão somente o que obviamente são: consumidoras.

A mulher tem aparecido cada vez menos nas peças publicitárias na posição simplória e reducionista da “gostosona”. É crescente, por outro lado, a associação de sua imagem ao papel de consumidora e companheira – aquela que bebe cerveja e se diverte ao lado do parceiro e dos amigos. Grandes empresas do setor confirmam a preocupação de agradar esse público.

Como as mulheres definitivamente conquistaram seu espaço na sociedade, está claro para as companhias que este mercado não pode ser mais desprezado. E algumas marcas já falam diretamente a elas.

Propagandas de marcas como Stella Artois, Brahma, Nova Schin, entre outras, retratam a nova onda, não apenas no Brasil, mas também no exterior.

Pelas estatísticas, os homens são ainda os maiores consumidores de cerveja. Eles bebem cinco vezes mais que as mulheres, aponta a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada em julho do ano passado, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com informações da consultoria Nielsen, foram consumidos no Brasil, no ano passado, cerca de 8,5 bilhões de litros de cerveja entre homens e mulheres, contra 7,7 bilhões de litros no ano anterior. As vendas alcançaram a marca dos 36,9 bilhões de reais.

Ainda que as mulheres não sejam tão vorazes quanto os homens no consumo de cerveja, fabricantes e agências de publicidade sabem muito bem que elas são maioria nos pontos de venda. “De maneira geral, se considerarmos que mais da metade da população corresponde às mulheres, seria um grade erro ignorar este mercado”, afirmou Cilene Saorin, a primeira sommelier de cervejas do país.

“Não existe uma cerveja especifica para mulheres ou para homens, mas existe, sim, um comportamento diferente em relação ao consumo”, explicou.

Enquete
Para saber se os ituveravenses concordam com a restrição, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. A maior parte dos entrevistados é favorável.

Confira as respostas:

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