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19/01/2015
Reprodução
Há ouro nos esgotos - e prata e ferro e cobre, também. Um estudo realizado por pesquisadores da ASU (Universidade do Estado do Arizona) estima que uma cidade americana de um milhão de pessoas produz, por ano, o equivalente a US$ 13 milhões em elementos preciosos no esgoto. Até mesmo dejetos fétidos têm valor.
O estudo da ASU analisou amostras de esgoto dos EUA armazenados no Repositório Nacional de Biossólidos. Após aquecerem o biossólido até virar plasma, eles mediram as concentrações de elementos presentes nas amostras de esgoto.
Ao todo, os 13 elementos mais lucrativos somaram uma média de US$ 280 por tonelada de lodo de esgoto, ou US$ 13 milhões anuais para uma cidade com um milhão de pessoas.
Os treze elementos descobertos foram, da maior concentração para a menor: prata, cobre, ouro, fósforo, ferro, paládio, manganês, zinco, irídio, alumínio, cádmio, titânio e gálio. O estudo foi publicado no periódico Environmental Science & Technology.
De onde vem todo esse metal? O mais provável é que sejam provenientes de indústrias. Elas usam alguns metais preciosos que acabam literalmente indo pelo ralo; multiplique isso por toneladas de resíduos, e isso cria uma mina de ouro no esgoto.
Claro, laboratórios e fábricas que trabalham com metais preciosos - como o ouro - já fazem o que podem para evitar esse desperdício. Por exemplo, laboratórios odontológicos e lojas de reparo de joias incineram seus resíduos para recapturar ouro. Ainda assim, metais preciosos acabam indo para o esgoto.
Isso não quer dizer que seja economicamente viável extrair esses metais preciosos do esgoto: eles ficam muito diluídos para valer a pena, exceto em casos especiais. A Science nota que, no Japão, há uma estação de tratamento de esgoto próxima a fábricas de equipamentos de precisão, que usam bastante ouro. Ao queimar o lodo do esgoto, ela encontra cerca de US$ 50.000 em ouro por ano.
Não encontramos nenhum estudo sobre metais preciosos no esgoto brasileiro. Não significa que ele não possa ser valioso! Ele contém grandes quantidades de nitrogênio e fósforo, recursos naturais limitados que são utilizados nos fertilizantes. Em estudos sobre o esgoto no Brasil, encontram-se até 85 mg/L de nitrogênio e 20 mg/L de fósforo.
O lodo de esgoto é usado para fertilizar o solo na agricultura; ele também pode ser bem útil para recuperar áreas florestais degradadas, pois repõe os nutrientes da terra. Claro, o lodo antes passa por alguns processos de desinfecção, que removem micróbios e vermes.
Ele também pode ser usado para fazer biogás: durante o tratamento do esgoto, os micróbios produzem gás metano, que é canalizado para uma usina termelétrica a fim de gerar calor nas turbinas.
A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) vem fazendo isso em Belo Horizonte há alguns anos. Em Belém, duas empresas firmaram parceria para gerarem energia a partir do esgoto; a planta de biogás deve ficar pronta ainda este ano.
Fonte: br.msn.com