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19/01/2015
O agrônomo e agricultor Kenjiro Mine
A falta de chuvas no ano de 2014 causou vários problemas em diversas cidades, inclusive na região de Ituverava. O impacto dessa seca na agricultura também foi grande, e o plantio de muitas culturas foi prejudicado. Para falar sobre o assunto, o agricultor Kenjiro Mine escreveu um artigo e enviou à Tribuna de Ituverava, que o reproduz na íntegra.
De novo não. Creio que poucos leitores tenham experimentado um ano seco como 2014. Felizmente a cidade não sofreu a falta d’água nas torneiras (pelo menos que eu soubesse) como outras cidades da região.
Mas sob o ponto de vista da agricultura, a safra de grãos foi desastrosa e a da cana, também sofreu as consequências da longa estiagem – muitas queimadas e escassez de chuvas que prejudicaram a rebrota.
Os dados são da estação meteorológica do INMET instalada na FAFRAM e mostram que 2014 choveu pouco. Mas o olho do produtor rural de grãos está no período que vai de outubro a março. O último trimestre de 2014 apresentou um volume maior que os dois anos anteriores, mas o fato que preocupa é a de que nesta estação de chuvas, ainda não “invernou” (linguagem popular que define dias seguidos de muita nebulosidade e chuva contínua). O que tem acontecido, são chuvas esparsas, ou seja, chuvas localizadas do tipo que “chove no vizinho e não chove na sua lavoura”.
Em uma região em que a soja surge formando dupla com milho na safrinha e na renovação de canaviais, janeiro é um mês importante para a cultura que tem ciclo curto (variedades precoces e super precoces que dão colheita de 100 a 120 dias, no máximo) – florescimento e enchimento de grãos.
Pelo gráfico abaixo, percebe-se que o acúmulo de água no mês de janeiro tem diminuído desde 2012 e este mês já apresenta déficit em relação ao de 2014. A menos que os meteorologistas e os modelos matemáticos estejam errando novamente, a previsão para a nossa região não é de chuvas significativas para essa semana.
Seguramente, as condições de cada lavoura dependem do sistema de plantio adotado pelo produtor – direto ou convencional – e de chuvas esparsas que tenham recebido nos últimos dias, mas acredito que a luz amarela já acendeu para a maioria dos produtores de grãos deste município. E a continuar com pouca chuva, os canaviais também não conseguirão recuperar o que se perdeu ao longo dos meses passados.
Não se restringindo apenas à agricultura, não se deve esquecer que os cursos d’água e os reservatórios continuam apresentando baixa reserva comprometendo o abastecimento de água e de energia elétrica.
Vamos continuar economizando água e energia.
Kenjiro Mine é agrônomo e agricultor