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27/01/2015
Obesidade pode levar a problemas de audiçãoAlém disso, condição de obesidade pode resultar em diversas doenças, algumas bem graves
Acumular quilos extras em volta a cintura pode estar ligado à perda auditiva, sugere um novo estudo do Brigham and Womens Hospital, em Boston (EUA). Os resultados foram publicados na edição de dezembro do American Journal of Medicine.
Os pesquisadores acompanharam mais de 68 mil mulheres que participaram do Harvard Nurses Health Study. Entre 1989 e 2009, as mulheres responderam a cada dois anos perguntas detalhadas sobre sua saúde e hábitos diários. Em 2009, elas foram questionadas se tinham apresentado alguma perda auditiva e, em caso afirmativo, com que idade.
Uma em cada seis mulheres relatou perda de audição durante o período do estudo, segundo os cientistas. Aquelas com um maior índice de massa corporal (IMC) ou maior circunferência da cintura enfrentaram um maior risco de problemas de audição, se comparadas com mulheres de peso normal.
As mulheres com obesidade (IMC entre 30 e 39) eram 17% a 22% mais propensas a relatar perda de audição do que as mulheres cujos IMC foram menores de 25. As mulheres que se enquadravam na categoria de obesidade extrema (IMC acima de 40) tiveram o maior risco para problemas de audição - cerca de 25% mais propensas do que as mulheres com peso normal .
Cintura
O tamanho da cintura também está ligado à perda de audição. As mulheres com cinturas maiores do que 34 polegadas eram até 27% mais propensas a relatar perda de audição do que as mulheres com cinturas menores do que 28 polegadas.
Essas diferenças se mantiveram mesmo depois que os pesquisadores levaram em conta outros fatores, como o tabagismo, o uso de certos medicamentos e a qualidade da dieta da pessoa como um todo.
Uma coisa que parecia mudar a relação era a prática de exercícios. As mulheres que caminharam por quatro ou mais horas por semana tiveram uma queda de 15% no risco, quando comparadas com as mulheres que caminharam menos de uma hora por semana.
Os pesquisadores explicam que a obesidade causa estreitamento dos vasos sanguíneos, o que pode comprometer o fluxo de sangue. Pessoas que estão acima do peso também são mais propensas a ter pressão arterial elevada, outra condição que pode dificultar o fluxo sanguíneo e prejudicar a audição.
Obesidade favorece de enxaqueca até câncer
Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, 51% da população acima de 18 anos estão acima do peso ideal. O estudo também revela que a obesidade cresceu no país, atingindo o percentual de 17% da população. Se for feita uma comparação com o ano de 2006, quando o índice era de 11%, é possível notar que o aumento foi significativo.
Apesar da obesidade e do sobrepeso serem epidemias no Brasil, a população ainda não considera o excesso de peso uma doença. Um trabalho desenvolvido pela farmacêutica Allergan em parceria com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) e a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SBED) entrevistou mil indivíduos em diferentes Estados e descobriu que 55% deles não acreditavam que a obesidade fosse uma doença. Além disso, 93,5% dos entrevistados não sabia seu próprio Índice de Massa Corpórea (IMC), sendo que 64% se enquadravam na faixa da obesidade. Mais do que uma doença grave, a obesidade é um problema que pode favorecer outras condições no organismo.
Fertilidade
Quanto maior é o tecido adiposo, maior é a concentração de estrona, um tipo de estrógeno no sangue. Isso estimula o endométrio (parte de dentro do útero, que descama nas menstruações) a aumentar o fluxo menstrual. Ao mesmo tempo, com o aumento do estrógeno, o estímulo para os ovários irá diminuir, não havendo ovulação, o que impede a menstruação.
Assim, a mulher demora a menstruar e, quando acontece, é em grande quantidade. A dificuldade de obter a ovulação também pode favorecer um quadro de infertilidade. Já o aumento dos triglicerídeos e a instalação do quadro inflamatório no organismo pode favorecer a infecção urinária de repetição e a candidíase de repetição, ou seja, que sempre voltam a aparecer. Essas últimas também estão fortemente associadas ao diabetes e pré-diabetes, que tem como fator de risco a obesidade.
No homem, a obesidade com IMC acima de 40 pode interferir na produção de uma enzima chamada aromatase, responsável por transformar a testosterona em estradiol, um hormônio feminino que, quando em grande quantidade no homem, pode interferir na produção de espermatozoide e diminuir sua contagem. Com o aumento acentuado de peso, a aromatase passa a ser produzida em maior quantidade, transformando mais testosterona em estradiol e interferindo na fertilidade.
Pele
A pele também não fica livre dos efeitos da obesidade. O ganho de peso altera a função da barreira cutânea, o funcionamentos das glândulas sebáceas e sudoríparas, a estrutura e função do colágeno, a cicatrização de feridas, vasos sanguíneos e gordura subcutânea.
A função de barreira nada mais é do que regular a perda de água por meio da pele, e em pacientes com obesidade a pele apresenta-se extremamente ressecada, sem água, e a cicatrização de feridas fica comprometida. Em contrapartida, na obesidade também ocorre uma superprodução de sebos e suor, resultado de uma alteração nos níveis de insulina e hormônio do crescimento. Essas duas substâncias passam a ser produzidas em maior quantidade no obeso, o que leva a um aumento secundário da secreção sebácea, já que receptores celulares relacionados à produção de sebo são estimulados por esses hormônios, com conseqüente piora do quadro de acne.
Os quilos extras causam, ainda, a diminuição de uma substância chamada globulina, essa responsável por transportar esteroides sexuais (hormônios sexuais) - seu nome específico é SHGB, e essa globulina é recrutada perifericamente pela gordura acumulada no corpo, levando a um aumento da testosterona livre, que estimula o aumento da oleosidade da pele, agravando a acne e o hirsutismo (aumento dos pelos no corpo). Esse aumento da testosterona circulante no corpo e conjunto com a resistência à insulina também pode causar a acantose nigricante, que é o problema de pele mais comum na obesidade. O excesso do hormônio leva ao escurecimento das axilas, virilhas e de outras áreas onde existam dobras.
Além do aumento da produção de sebo, que favorece a acne, a pessoa com obesidade tem um aumento da secreção de suor pelas glândulas sudoríparas.
Digestão
A doença do refluxo gastroesofágico tem, em muitos casos, uma ligação direta com a obesidade. O aumento da gordura abdominal causa a elevação da pressão dentro do estômago, o que leva ao retorno do conteúdo gástrico para o esôfago - causando assim o refluxo. Os pacientes com obesidade também têm uma incidência maior de Hérnia de Hiato (deslocamento do estômago para o tórax), que também é uma alteração anatômica que pode levar à doença do refluxo.
A Obesidade também aumenta o risco de pedras na vesícula devido ao desequilíbrio de alguns elementos no sangue que influenciam na formação da bile, que é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula, e consiste em uma mistura de várias substâncias, dentre elas o colesterol, que é responsável pela maioria dos casos de formação de cálculos na vesícula.
Desta forma, quando o colesterol ruim (LDL) está alto e o colesterol bom (HDL) está baixo temos um maior risco de aparecimento de pedras na vesícula, justamente pela alteração deste elemento na bile.
A obesidade também é um fator de risco para pancreatite. Os casos de pancreatite relacionados à obesidade ocorrem principalmente pela formação de cálculos na vesícula que migram para o pâncreas - mas também podem acontecer pela elevação dos triglicerídeos. A maioria dos pacientes com obesidade também tem um acúmulo de gordura no fígado.
O grande risco da gordura no fígado é o aparecimento da esteatose hepatite, que é destruição das células do fígado pela presença de gordura. A persistência deste quadro por muitos anos pode levar a cirrose hepática e por isso deve ser acompanhada.
Coração
Quanto mais elevado é o peso, mais esforço o coração precisa fazer para bombear sangue e deixar tudo funcionando plenamente. Isso sobrecarrega o órgão, que terá que bater mais rápido do que o ideal.
O organismo se cansa de corrigir o erro alimentar e o sedentarismo, e vai progressivamente lançando de volta na circulação o colesterol e os triglicerídeos que não conseguiu armazenar no fígado e tecido adiposo. Essa gordura em excesso no sangue pode formar placas e entupir as artérias, causando um infarto ou AVC.
Esse estado inflamatório também pode favorecer a oxidação do colesterol bom (HDL), que se transformará em colesterol ruim (LDL). Todo esse cenário favorece doenças como hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, entre outros.
Sistema respiratório
O sobrepeso, ao dificultar a respiração, favorece casos de apneia do sono, estágio mais avançado do ronco, que acontece quando a passagem do ar pela garganta está totalmente obstruída e há interrupção da respiração. Há uma espécie de campainha na garganta, chamada úvula, e a vibração dela provoca o ronco - e isso não necessariamente acontece em pessoas com obesidade. Entretanto, a apneia está fortemente ligada ao aumento de peso. O tecido gorduroso acumulado ao redor do pescoço, no tórax e no abdômen dificultam a respiração, causando apneia.
Visitas ao banheiro
A obesidade é, atualmente, um reconhecido fator de risco para a incontinência urinária. O excesso de peso provoca um aumento da pressão sobre a bexiga e assoalho pélvico, favorecendo as perdas urinárias.
A obesidade também pode ocasionar o enfraquecimento da musculatura da pelve e dos ligamentos que sustentam a uretra, levando à perda involuntária da urina quando são feitos esforços físicos, como tossir.
Metabolismo
Quando se ganha peso, há o aumento do tecido adiposo em dois compartimentos importantes: o visceral (abdominal) e o subcutâneo. Quando o adipócito está cheio de gordura, existe a produção de substâncias inflamatórias que geram uma cadeia de desequilíbrio no corpo. Isso causa o aumento dos níveis de colesterol ruim e triglicerídeos, aumento de gordura no fígado, diabetes tipo 2, elevação da pressão arterial, do risco de aterosclerose e conseqüentemente de doenças cardíacas e cerebrovasculares. O acúmulo de gordura abdominal é o mais danoso, porque estimula mais a produção dessas substâncias inflamatórias.
Quando o adipócito está com sua capacidade de estoque cheia, ocorre também um depósito de gordura no fígado, conhecido como a esteatose hepática. Quanto mais a pessoa ganha peso, maior é o depósito de gordura acontecendo no tecido adiposo e no fígado. O fígado é o órgão de processamento do colesterol, e se ele não funciona de maneira adequada os níveis de colesterol e triglicérides aumentam. Além disso, quando existe a resistência insulínica, as células dos músculos e tecido adiposo passam a não absorver glicose e a usar gordura quando precisam de energia. Apesar de isso parecer bom, a quebra de gordura em vez de glicose na obesidade aumenta mais ainda a liberação de ácidos graxos no sangue e conseqüentemente de colesterol ruim e triglicérides.