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21/02/2015

59,2% DOS RECÉM-FORMADOS SÃO REPROVADOS EM EXAME DO CREMESP

Foto ilustrativa: o índice de médicos reprovados em 2013 é maior que o de 2012, ano em que a prova se tornou obrigatória, quando 54,5% foram reprovados

Apesar de obrigatório para conseguir a licença médica, o exame não pode impedir o exercício da medicina

O índice de reprovação dos 2.843 médicos recém-formados em São Paulo que prestaram o Exame do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) 2013 foi de 59,2%. É maior que o de 2012, ano em que a prova se tornou obrigatória, quando 54,5% foram reprovados.

Apesar de obrigatório para conseguir a licença médica, o exame não tem caráter eliminatório. Isso significa que mesmo que o médico não passe na prova, ele ainda poderá exercer a medicina. "Infelizmente, o conselho ainda não pode negar o registro para quem não atinge o mínimo de 60% de acerto", diz Bráulio Luna Filho, diretor do Cremesp e coordenador do exame.

Bráulio aponta que há casos em que o registro é dado a alunos que acertaram apenas 17 das 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas. "É vergonhoso e um grande absurdo. O exame deveria ser terminal, se o aluno passou, consegue a licença", diz.

Os índices são ainda mais baixos entre os alunos formados em faculdades privadas. Dos 2.843 que prestaram a prova, 1.942 são egressos de escolas particulares. Desses, 1.379 foram reprovados, um índice de 71%. "Nos Estados Unidos, o grau de reprovação da medicina como um todo é de menos de 10%. Lá, a avaliação é melhor.

Similar
“No Brasil, é médico quem pode pagar uma mensalidade", diz Luna Filho. O Cremesp afirma que a prova realizada em São Paulo é bastante similar ao Revalida, avaliação que médicos formados no exterior precisam prestar para poder exercer a medicina no Brasil. "O Cremesp é da opinião de que deveria haver apenas uma prova, aplicada a todos os médicos formados aqui ou lá fora que queiram trabalhar no país", diz João Ladislau Filho, presidente do Cremesp.

Em 2013, dos 1.595 médicos que fizeram o Revalida apenas 109 foram aprovados. Em 2012, o exame aprovou 77 profissionais. "As duas avaliações são bastante parecidas no grau de dificuldade e na abordagem de temas gerais", diz Reinaldo Ayer de Oliveira, conselheiro do Cremesp.

Outros Estados
A prova também foi realizada por 485 médicos formados em outros Estados do país, que pretendem fazer residência médica ou exercer a medicina no Estado de São Paulo. Destes, 350 foram reprovados, um índice de 72,2%.

De acordo com Luna Filho, o objetivo do conselho com a prova é ter em mãos um mecanismo de avaliação do ensino da medicina. "Precisamos saber se os médicos formados aqui sabem o básico, o essencial para exercer uma medicina segura”, relata.

O próximo passo é tentar melhorar a qualidade de ensino nas faculdades do Estado. De acordo com Ladislau, o conselho tem câmaras técnicas que se dispuseram a ajudar as universidades a adequarem a grade curricular e os sistemas de avaliação. “Mas ainda há certa resistência”, finaliza.

Opiniões se divergem quanto aos motivos da reprovação
Médico formado em 1966, Dr. Ecyr Alves Ferreira atribui o alto índice de reprovação, sobretudo, a dois fatores. “Muitas instituições têm corpo docente desqualificado, e a dificuldade em fazer residência médica. São estes dois problemas que levam a uma reprovação tão alta dos recém-formados. É algo preocupante, pois demonstra que o aluno não tem saído com o conhecimento mínimo necessário para que possa exercer a medicina”, afirma.

“O que será necessário, em minha opinião, é uma reformulação das instituições educacionais, para que fiquem mais bem preparadas, especialmente no que se refere à capacitação de professores”, destaca.

O outro lado

O diretor da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Márcio Pereira, defende que a prova não é um reflexo direto do conhecimento obtido pelo aluno de Medicina durante a graduação. “O problema é que o recém-formado é obrigado a fazer o teste, mas não precisa tirar boa nota para que possa exercer a medicina. Muitos fazem apenas porque é algo obrigatório, então acabam não levando o exame com seriedade. Quando a nota for obrigatória para exercer a medicina, acredito que esse quadro mudará bastante”, completa.

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