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01/03/2015
Em uma das áreas, 100 barracos foram levantados em um ano e meio. Prefeitura informa que já entrou com processo de reintegração de posse.
Há 13 anos, o ajudante de pedreiro Antônio de Souza Furtado se mudou para Ribeirão Preto (SP) em busca de uma vida melhor. Depois de anos de trabalho, ele finalmente está prestes a ter uma casa própria – que ele mesmo construiu.
“Terminando a minha casa, vou buscar a família no Piauí. Minha ex-mulher e meus dois meninos”, revela Furtado. Contudo, seu sonho pode ser adiado, uma vez que ele é um entre as centenas de moradores de ocupações irregulares em áreas públicas da cidade que vivem sob a ameaça de expulsão.
Segundo a administração municipal, nos últimos cinco anos, 13 áreas municipais foram invadidas – a última ocupação começou esta semana, no bairro Heitor Rigon, onde os invasores migraram de um terreno no mesmo bairro para outro, onde já começaram a construir novos barracos.
O número de ocupações não contabiliza as áreas particulares que também foram ocupadas irregularmente, uma vez que a Prefeitura não atua em tais casos. Segundo o chefe da Fiscalização Geral ,Oswaldo Braga, a administração municipal já entrou com processo de reintegração das áreas que pertencem a ela.
Ocupações
No Jardim Jóquei Clube, na zona norte do município, pelo menos 100 construções, entre elas a de Furtado, foram levantadas em um terreno da Prefeitura, que começou a ser ocupado há mais de um ano. Desde então, os invasores dividiram lotes, instalaram sistemas de água, esgoto e luz, além de estabelecimentos comerciais terem surgido naquele espaço.
Diante das instalações, a comunidade reivindica a oficialização das casas e barracos na região. “Como a Cohab não nos deu atenção nenhuma até hoje e a estrutura da comunidade já está pronta, os moradores gostariam de ficar por aqui mesmo. Já ligamos água, luz, esgoto. Então é só isso que a gente quer: continuar aqui”, explica a líder da comunidade, Cléa Ribeiro de Carvalho. Segundo ela, o grupo inclui muitos idosos e migrantes que não teriam para onde ir caso sejam tirados do local.
O responsável pela fiscalização dessa área informou que já existe um processo da Justiça para a reintegração de posse e que aguarda a decisão para que providências possam ser tomadas.
Área particular
Do outro lado da cidade, no bairro Ribeirão Verde, o Movimento Cidade do Trabalhador loteou um terreno particular de 14 hectares em 720 lotes, que serão distribuídas para cerca de mil famílias cadastradas no grupo.
Na segunda-feira (23), policiais militares acompanharam a movimentação no local, em que os primeiros barracos já começaram a ser construídos. Mas ao contrário da ocupação no Jóquei Clube, a Cidade do Trabalhador não possui nenhum tipo de infraestrutura.
O pedreiro Platinir da Silva, um dos dirigentes do movimento, explica que, como a área está desocupada há quase 20 anos, eles esperam que, pelo menos, aconteça uma negociação para que possam adquirir o direito de apropriação. “A gente fez uma contraproposta para que os governantes comprem isso aqui para a gente em parcelas acessíveis ou a gente vai resistir”, destaca.
Fonte: g1.globo.com(EPTV)