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21/03/2015
Walter Gama Terra Júnior afirma que continua lutando para tentar evitar a implantação de presídio
Na última quarta-feira, 18 de março, o prefeito Walter Gama Terra Júnior concedeu entrevista ao locutor Azor de Faria, no programa Ponto de Vista, que vai ao pela Rádio Dimensão FM. Ele falou a respeito do presídio que poderá ser instalado em Ituverava. A entrevista também foi veiculada em outras rádios da cidade.
Gama Terra explicou como surgiu a possibilidade de implantação no presídio em Ituverava, e afirmou que continua lutando para tentar evitar que isso ocorra. Confira a entrevista na íntegra:
Walter Gama Terra Júnior: Bom dia Azor, bom dia a todos os ouvintes.
Vou começar te explicando desde o início, como tudo aconteceu. Logo que ganhei, nos foi oferecido para montar em Ituverava, um presídio. Eu achei que fosse em uma área do Estado que está a trinta quilômetros daqui, próximo a Aparecida do Salto. E como empresário e empreendedor que sou, fui atrás, como tudo que me oferecem. Fui atrás da Secretária da Administração Penitenciária pra saber como era. Fui, me interei no assunto, voltei. Logo após realizamos a campanha do Barros Munhoz, tive contato com 2 mil pessoas, onde realizei visitas e fui muito questionado a respeito da segurança de Ituverava.
E uma das coisas que eu dizia é que para se ter segurança em Ituverava, é um assunto polêmico, que eu iria falar e eles conseqüentemente iriam se assustar, mas eu teria que dizer, para esta segurança, teria que trazer um presídio para cá. Após falar com mais de 2 mil pessoas, senti nelas uma concordância comigo, e fui colocar o assunto para a sociedade como um todo. Falei com professores, padres e recentemente, assim que surgiu o assunto, fui discutir o assunto e levei o capitão Cardoso no Centro Cultural para aproximadamente 400 professores.
Pedi para que ele falasse sobre penitenciária, e ele falou. A partir dali o assunto se alastrou. Me assustei, logicamente, e outros prefeitos também, pois desde 2006 que o governo quer colocar uma penitenciária aqui na região da Alta Mogiana. E ele vai colocar, se não for aqui, será em outro lugar. E isso se alastrou de tal forma, que tomou um formato muito grande com desconhecimento de causa da maioria das pessoas. Então eu fui atrás, fui até Avaré, a Cerqueira César, andei em várias cidades penitenciárias, voltei e expus para o povo. Como eu pude ver, depois que estivemos no Centro Cultural, que o população realmente não concordou, eu também sou contra, pois fui eleito para administrar esta cidade e para tomar atitudes corretas. O meu fardo é muito grande, pois qualquer atitude que eu tomar aqui, pode desagradar alguns e agradar a outros.
Então por isso realizamos esta reunião, eu fiquei surpreendido, porque nós falamos na rádio, colocamos no jornal, que éramos contra, depois de tudo isso, de ter ido Avaré, a Cerqueira César, vi que o povo era contra e me coloquei como contra também. Mas fui surpreendido por um decreto de desapropriação e todo mundo acha que o prefeito tem poder de ir lá e barrar a penitenciária. Se a presidente Dilma quiser colocar uma penitenciária aqui, você acha que eu consigo barrar? Nunca, jamais conseguirei barrar, e mesmo com o Alckimin, o governador do Estado, também não consigo barrar, pois eles não precisam nem de alvará para construir esta penitenciária aqui.
Desta vez, ainda não me posicionei, pois ia causar muita polêmica, qualquer coisa que eu colocar em rádio, jornal, site ou qualquer página, eu vou levar pedrada. Só que eu preciso atender, preciso ouvir o governador. Semana passada estive em São Paulo, conversei com o Secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, e fui saber realmente o que é que vem pra Ituverava. Ele me atendeu muito bem e disse “Walter, vão duas penitenciárias pra Ituverava. Penitenciárias fechadas de aproximadamente 800 presos cada uma”. Mas eu disse, “esses presos vêm de onde secretário?”, e ele me respondeu: “nós vamos reunir os presos de várias regiões, inclusive de Ituverava, São Joaquim da Barra, Orlândia, Miguelópolis, de toda região aqui em torno de Ituverava”. Eu disse, “mas secretário e este negócio de família de presos se mudarem para a cidade?”. Ele me respondeu, “Walter isso é raro de acontecer, e se acontecer de o preso apresentar algum problema, nós o transferimos na hora, lá pra Conchinchina”.
Então eu estive com o secretário para saber o que vem pra Ituverava, e ele me disse que também não pode barrar nada, que ele também não tem esse poder para isso. São duas penitenciárias, com cerca de 800 pessoas cada uma, com aproximadamente 500 funcionários as duas. Na hora eu disse, “quero falar com o governador, secretário.” Ele ligou para o chefe da Casa Civil, Edson Aparecido e marcou uma reunião. Só que lá chegando, o Edson estava em outra reunião e quem nos atendeu foi o Rubens Cury, subchefe da Casa Civil.
Dizendo a ele que preciso falar com o governador para resolver isto, que eu quero isto. Eu também estou ansioso, não é só a população. Eu também quero resolver isto e vou resolver. Então estou indo hoje novamente para São Paulo, para sentar lá no Palácio e esperar o governador me atender, para poder voltar e dar uma resposta para o povo da nossa cidade.
Azor de Faria: Então pelo que o Senhor entendeu, de qualquer forma, queira ou não, virá mesmo para a região?
Gama Terra: Sim, foi o que o secretário me disse, que na região vem. Até me mostrou um mapa que está lá. São Paulo está todo tomado e o único lugar que há espaço no Brasil, é essa região da Alta Mogiana.
Azor de Faria: As pessoas se preocupam muito prefeito, em relação aonde será instalado. Se ela vier para uma cidade mais próxima, ele fala de algum problema, as pessoas podem vir a se mudar para bem mais próxima penitenciária ou não existe esse medo? Por que o que mais me perguntam, e se esta penitenciária vier para Igarapava, por exemplo? Se ela vier para Guará, São Joaquim da Barra, Miguelopolis, é verdade que o encargo fica pior?
Gama Terra: Logicamente que sim. Porque, quem tem mais estrutura na região, é Ituverava, em relação à Saúde, Educação, em tudo. É isso que eu não quero deixar acontecer, não quero que isso aconteça amanhã, mesmo que o prefeito não queira, mas ele pode colocar ela aqui ao lado da nossa faculdade. A 5km de Ituverava, aqui em Guará. Ele pode colocar no município de Buritizal, que vai ficar 2km mais pra frente de onde ela está demarcada. Pode colocar em Jeriquara, a 10 km daqui. Então esse é o meu receio. Fui eleito para cuidar da cidade e não para acabar com ela e eu não quero ter esse ônus desta penitenciária aqui. Está gerando emprego, está montada em Guará, Buritizal, Miguelopolis, e nós temos todos os ônus aqui, como já aconteceu com usina de açúcar que foi mandada embora porque diziam que vinham muitas pessoas do Nordeste.
Diziam que “Ituverava estava infestada de ladrões”, e isto é um preconceito absurdo, que eu não admito: pensar que o pessoal do Nordeste, é bandido ou ladrão.
Então nós ficamos só com os ônus, de caminhões estragando ruas, de tudo, e o benefício de Saúde, Educação, fica para onde?
Então eu não quero cometer mais este erro, pois vou ser cobrado isso no futuro. Estão dizendo agora não, não. Mas se amanhã estiver em Guará, vão dizer, “mas este prefeito não brigou para ser aqui em Ituverava, está lá em Guará”. “Olha o que estão fazendo, o governador colocou mais 2 4, 6 penitenciárias lá.” Porque é preciso fazer 100 penitenciárias Azor, e se ninguém quer, vai fazer aonde? O governador tem poder de chegar aqui e fazer a penitenciária. Dizem que eu posso barrar, mas eu não barro nada. Eu posso pedir para ele, como ele teve uma votação grande, eu confio nele. Posso pedir que não coloque aqui, mas que se for para colocar a 5km daqui, também não. É isso que vou brigar. Por isso até agora não me manifestei, nem posso, pois qualquer coisa que eu falar, todo mundo vai cair de pau. Até esta entrevista que estou te concedendo aqui, agora, tudo que eu disser todo mundo vai cair de pau, neste primeiro momento.
Então, Azor, estamos aqui para defender a cidade. Vou defender até o fim, mas com aquilo que vai ser bom, não vou defender com aquilo que vai ser ruim.
Azor de Faria: Prefeito, deixe um recado para seus colegas prefeitos da região, que estão muito preocupados com esta situação também. Qual é o recado para eles?
Gama Terra: O recado pra eles é o seguinte: o sufoco que estou passando agora, eles vão passar também. Esse é o meu recado. Eles podem esperar que esse sufoco, de “colocar a barba de molho”, esse sufoco eles vão ter também, porque onde o governo vai fazer 100 penitenciárias se ninguém quer? E esse o recado que eu tenho pra dar para eles.
Azor de Faria: Finalizando esta entrevista no programa Ponta de Vista. Deixa uma mensagem para seu povo. O senhor vai viajar agora e tomará que tenha o prazer de ser recebido pelo governador e traga as melhores notícias possíveis.
Gama Terra: Meu recado é que, sou um cidadão Ituveravense, meus pais estão enterrados aqui. Você viu, tenho negócios por várias cidades do Brasil, moro em Ituverava e serei enterrado aqui. Eu não vou fazer nada que venha a comprometer o sucesso da cidade. Pode ter certeza que tudo que eu fizer será para o bem da população. Então, estou procurando o bem da população, mais uma vez estou lutando para isto. E vou ter uma resposta ao longo da semana que vem. Estou aqui ligando, vendo com os deputados, e eles estão nos ajudando. Esse pessoal já foi atrás de deputados, vereadores já foram atrás deles, já protocolaram ofícios no palácio, e isso tudo é uma ajuda para mim.
Como prefeito, não posso participar de passeatas sobre a questão, pois a minha preocupação é amanhã, se o governador tiver essa informação, ele pode dizer “tudo bem Walter, você tentando fazer tudo, mas então não tem mais nenhuma verba para sua cidade”. E nós dependemos de verbas estaduais, muito mais que de federais. As pessoas não entendem a administração pública que é muito complexa. E tem gente, muita gente, Azor, aproveitando o momento político e fazendo um carnaval, entendeu? As pessoas têm que separar o joio do trigo, porque muitas pessoas são de oposição a minha pessoa e talvez elas queiram atingir somente a mim, mas acabam atingindo o povo, como aconteceu com outras coisas. Então, esse é recado que tenho que dar. Muito obrigado.