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28/03/2015

FACULDADES ACUSAM GOVERNO DE LIMITAR O ACESSO AO FIES

Segundo a Anup, 60% dos contemplados com o financiamento até o ano passado não conseguiram realizar os aditamentos

As universidades particulares acusam o Governo Federal de reduzir a oferta de verba do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que em 2014 atendeu a quase 2 milhões de alunos em todo o país. Neste ano, a instabilidade no sistema de credenciamento tem dificultado a adesão de novos alunos.

O Fies disponibilizou cerca R$ 12 bilhões a alunos de entidades privadas no ano passado. O dinheiro emprestado pode ser pago com juros de 3,4% ao ano, em parcelas por até 13 anos, após a conclusão do curso.

Em 2010, foram beneficiados cerca de 70 mil alunos. Desde então, as instituições privadas cresceram embaladas pelo aumento do crédito governamental a estudantes.


Segundo Elizabeth Guedes, vice-presidente da Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), o orçamento do MEC é de R$ 12 bilhões, mais seriam necessários mais R$ 5 bilhões para dar continuidade aos financiamentos já firmados. “Estão reduzindo o número de alunos veteranos na ‘marra’, fingindo que é o sistema. O MEC está mentindo para o Brasil. Na verdade foi uma falha de previsão do orçamento”, afirma.

De acordo com a Anup, 60% dos 1,6 milhão de brasileiros que eram contemplados com o financiamento até o ano passado não conseguiram realizar os aditamentos. “Estão cometendo uma desumanidade deixando esses estudantes na rua”, comenta Elizabeth.




Demanda



O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) afirma, no entanto, que “devido à forte demanda dos últimos dias, o sistema passou por problemas de performance”.


O órgão informou que está trabalhando para garantir a estabilidade do SisFies (Sistema Informatizado do Fies) e que todos os contratos celebrados estão assegurados. “Sistemas de grande volume de acessos passam por esse tipo de situação de forma sazonal”, defende o FNDE.




Exemplo



A estudante Ana Carolina Lima da Silva, 19 anos, está no segundo ano de Arquitetura da Unip, mas até agora não tem certeza se vai continuar cursando a faculdade, porque ainda não conseguiu renovar seu contrato com o Fies. “Tento entrar no site, mas não carrega”, conta.


O sonho do diploma de Ensino Superior está cada vez mais distante. “A mensalidade custa R$ 1 mil. Não tenho condições de pagar”, diz a jovem, que trabalha como manicure.




Filha de pai pedreiro e de mãe doméstica, Ana Carolina seria a primeira da família a ter uma graduação. “Se não der certo, vou ter que trancar minha matrícula”, lamenta.




Ituverava



De acordo com o diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), Antônio Luis de Oliveira (“Toca”), o problema também tem ocorrido em Ituverava. "Realmente houve limitação no acesso de novos contratos, pois não existe nenhuma posição concreta quanto ao número de vagas para este ano. Os alunos da FFCL estão insistindo e a maioria tem conseguido", diz Toca.

"A meu ver, houve um crescimento desordenado, e não podemos esquecer que o Fies é um projeto social que visa ajudar, em muito, alunos de baixa renda. O Ministério da Educação está ciente que ajustes deverão ser feitos para o segundo semestre e então, sem dúvida, saberemos qual será o número de vagas", completa O diretor da FFLC.


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