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03/04/2015
Entre os convidados estavam o governador Geraldo Alckmin e o secretário da Agricultura, Arnaldo Jardim
Em comemoração ao Dia Mundial da Água, celebrado domingo, 22 de março – data instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1992 –, a TV Cultura promoveu debate sobre o tema, que foi ao ar ao vivo, no especial Dia Mundial da Água - Uma reflexão para o futuro.
O programa contou com a presença do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que abriu a discussão falando sobre a importância de se fazer uma reflexão sobre a água. “Precisamos estar unidos para novas propostas”, lembrou.
Também participaram do encontro, o secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, os secretários de Estado, Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga; Meio Ambiente, Patrícia Faga Iglecias Lemos; Energia, João Carlos de Souza Meirelles; o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e doutor em ecologia e mudanças globais, Carlos Alberto Nobre; o superintendente da Agência Nacional de Águas (ANA), Joaquim Guedes Correa Gondim Filho; e Paulo Canedo de Magalhães, engenheiro civil especializado em hidrologia.
O programa foi comandado pela jornalista Márcia Bongiovanni, apresentadora do Repórter Eco, e foram discutidos temas como desmatamento e seca, aquecimento global, restauração ambiental, microbacias, uso da água na agricultura e pecuária, o aqüífero guarani, fontes alternativas de energia, entre outros.
Arnaldo Jardim
O secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, disse que, pelo menos por enquanto, não é necessária a adoção de medidas restritivas à irrigação em função da crise hídrica no Estado, mas garantiu que o Governo Estadual já tem um plano pronto e que “não vai esperar para tomar medidas”.
Jardim disse que o quadro atual requer atenção, mas ainda pode ser gerenciado com orientação e diálogo com o setor rural. Neste sentido, informou que firmou parceria com fabricantes e fornecedores de equipamentos de irrigação para um trabalho in loco de regulagem de sistemas e orientação dos produtores para o uso racional da água. Arnaldo Jardim acredita que isso poderá produzir “efeitos imediatos”.
“Se a situação não se alterar, haverá restrições à irrigação, não só o controle do equipamento. Não vamos esperar chegar a uma situação para se discutir, já há um planejamento para que medidas, quando necessárias, possam ser acionadas”, disse Jardim.
Questionado sobre a forma de fiscalização desse trabalho por parte do Estado, reconheceu que a estrutura é limitada. No entanto, disse que as secretarias da Agricultura e do Meio Ambiente devem trabalhar em conjunto. “Aí podemos ampliar”, garantiu Jardim.
Agricultura
A agricultura e pecuária também foram destaques no encontro. Segundo Carlos Nobre, “a nossa pecuária é muito baixa e precisa se tornar mais eficiente rapidamente e fazer uso racional da água”.
Na questão do meio ambiente, Patrícia Iglecias abordou a importância da mata ciliar e expôs o programa estadual para restauração ambiental. Com um projeto inicial de seis milhões de mudas para o Estado, ela falou que alguma áreas já estão se recompondo. “Há quatro anos temos um aumento da mata nativa”, finaliza.
Mudanças climáticas
As mudanças climáticas foram lembradas como uma das causas da escassez de água. Para Carlos Nobre, o aquecimento global indica que no futuro vai chover mais, mas a maior parte vai ser sobre oceanos. “Vamos esperar períodos com mais secas. E períodos muito chuvosos serão cada vez mais comuns”, defende.
A escassez do recurso hídrico no Estado de São Paulo, no Brasil e no planeta pautou grande parte do debate. O secretário Benedito Braga disse que não existe um só fator que contribui para esse cenário. “Essa situação que o mundo passa hoje, pois não é uma questão só brasileira, tem a ver com a noção de abundância, que é algo que compromete o crescimento sustentável”, diz. Ele ainda ressaltou a importância da tecnologia, que permite que a água seja reutilizada.
No caso do Brasil, Braga afirmou que “não podemos resolver os problemas hídricos do país de forma uniforme. A gestão tem que considerar as regiões, as especificidades locais”.
Para São Paulo, o secretário ressaltou as ações do governo e o que se pode esperar. “Estamos fazendo obras emergenciais que vão trazer mais água de outras regiões. Não é só a população que tem que economizar. O governo também precisa fazer a sua parte”, destaca. Quanto ao risco de racionamento, Braga declarou que “o risco está cada vez menor”, em função do comportamento dos cidadãos e das ações do governo.